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Petrobras (PETR3; PETR4): ainda há como defender investimentos na estatal?

Decisão de não pagar dividendos extraordinários elevou percepção de risco na empresa. Veja a análise

Por Marco Saravalle

18/03/2024 | 15:33 Atualização: 18/03/2024 | 15:33

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(Foto: Adobe Stock)
(Foto: Adobe Stock)

A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou os seus resultados recentemente e desagradou os investidores. Não pelos números em si mas principalmente após anunciar que a companhia não iria distribuir os dividendos extraordinários no quarto trimestre de 2023. Sendo assim, diversos analistas, bancos e corretoras reduziram sua recomendação – e suas posições – listando diversos motivos, que mostro a seguir.

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  • Saiba mais: Como a alta do risco político está mudando as recomendações da Petrobras

Dividendo ou investimentos?

Algumas fontes já noticiam que o governo está se articulando para mudar regras com a finalidade de este recurso que está sendo direcionado para dividendos futuros seja utilizado para investimentos. Isso acaba acarretando em duas situações que elevam a percepção de risco: primeiro, a falta de segurança jurídica e de governança, e, em segundo lugar, a viabilidade financeira destes projetos.

As possibilidades de um M&A?

Embora o mercado não coloque no cenário principal que a Petrobras fará quaisquer aquisições este ano, a probabilidade de a empresa buscar M&A (fusões e aquisições, na sigla em inglês) aumentou, dado que decidiu não distribuir quaisquer dividendos extraordinários. De acordo com os analistas, as aquisições poderiam potencialmente envolver segmentos como energias renováveis, refino, distribuição de combustíveis e petroquímica.

Os analistas estimam que a Petrobras possa estar se preparando para um aumento no crescimento futuro à medida que se esforça para abrir caminho para investimentos em negócios de menor emissão de carbono. Essa mudança de foco gera preocupações adicionais, especialmente porque esses investimentos geralmente geram retornos mais baixos em comparação com projetos upstream, que possuem curva de produção ao longo dos anos.

Resultados do balanço sem surpresas

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do quarto trimestre de 2023 ficou em US$ 15 bilhões, o que significou aumento de 10% em relação ao trimestre anterior e de 3% em comparação ao mesmo período do ano anterior, números em linha com a estimativa do mercado. O Ebitda ajustado exclui US$ 1.2 bilhão relacionados a perdas no descomissionamento de áreas devolvidas e/ou abandonadas.

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O lucro líquido de US$ 6,3 bilhões ficou, no entanto, ligeiramente abaixo do consenso. O fluxo de caixa livre para os acionistas atingiu US$ 5,9 bilhões impulsionado por: a) fluxo de caixa operacional livre (FCFO) de US$ 11,7 bilhões; b) capex (recursos para investimentos) de aproximadamente US$ 3,6 bilhões; c) despesas financeiras de US$ 406 milhões; e d) pagamentos de leasing de US$ 1,8 bilhão.

A dívida bruta reportada aumentou para US$62.6 bilhões, um aumento de 3% em relação aos US$ 6,.0 bilhões do terceiro trimestre de 2023, principalmente devido a um aumento nas obrigações de leasing com o início da operação do FPSO Sepetiba.

Conclusão: maior percepção de risco

A decisão da Petrobras em pagar apenas dividendos ordinários aumenta a percepção de risco na Petrobras, especialmente em relação à influência do governo nas decisões de alocação de capital. De acordo com a opinião dos analistas, sugere que a empresa pode estar se voltando para uma agenda mais focada no crescimento em energias renováveis (desencadeando um maior investimento em capex, com retornos mais baixos) e aumenta a probabilidade de a empresa buscar M&A (como refinarias, petroquímicos e até mesmo o segmento de distribuição de combustíveis).

Um sinal de alerta para os investidores são os números de capex que já estão programados para aumentar em 2025, além de que os rendimentos mínimos de dividendos parecem ser mais baixos do que os seus concorrentes para 2025.

  • Confira também: Sem dividendos da Petrobras, vale investir nas concorrentes?

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