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Investimentos

Inflação de 3,3% reduz ainda mais os ganhos da renda fixa. Como não perder dinheiro?

Pressão inflacionária continuará reduzindo o ganho real de títulos indexados ao CDI, mas cenário é transitório

Por Isaac de Oliveira

14/01/2021 | 15:39 Atualização: 14/01/2021 | 15:44

(Foto: Pixabay)
(Foto: Pixabay)

A perda de atratividade da renda fixa não é mais novidade. Amplamente abordado em 2020, o cenário de retorno real negativo em alguns casos deverá se manter em 2021 – e pelas mesmas razões. É que a pressão inflacionária achatou a rentabilidade de vários títulos indexados à taxa CDI, que acompanha de perto outra taxa, a Selic, estacionada em 2% ao ano desde agosto do ano passado.

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Conforme o Relatório de Mercado Focus, divulgado na segunda-feira (11) pelo Banco Central (BC), a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do País, foi de 3,32% para 3,34% em 2021.

Ainda que esteja abaixo da meta central (3,75%), o IPCA vai continuar deixando negativo o retorno real de alguns títulos de renda fixa, como o Tesouro Selic, ideal para reservas financeiras. Isso ocorre porque o principal balizador dessa classe de ativos é o CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro), que atualmente está em 1,90%, bem inferior à inflação.

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Embora pareça óbvio fugir desses ativos, especialistas lembram que eles têm sua importância, principalmente para as reservas de emergência, dada a sua segurança e liquidez diária. Além disso, existem sim opções vantajosas de ativos, desde que sejam direcionados para objetivos de prazos mais longos.

“Estamos vendo um cenário muito difícil para a renda fixa, mas isso é pontual”, diz Laura Bartelle, especialista em investimentos e sócia da 051 Capital. “Quando a gente fala de reserva de emergência, não tem jeito: precisa de liquidez e segurança. Então é Tesouro Selic e CDB de grande banco”, afirma.

O Tesouro Selic consiste na opção mais conservadora do Tesouro Direto. Neste título, o investidor empresta dinheiro para o governo, que tem bom histórico de pagador, e pode recuperá-lo a qualquer momento. Já o Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um título de crédito privado em que o investidor, ao adquiri-lo, empresta seu dinheiro ao banco emissor, em troca do recebimento do valor acrescido de juros (CDI). No caso do CDB, o ideal é aportar até R$ 250 mil, que é a quantia máxima assegurada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FCG), caso o banco venha a falir, por exemplo.

Guilherme Artmann, head de renda fixa da Easynvest, também reforça que alcançar rentabilidade com a renda fixa está bem complicado para objetivos de curto prazo. Para ele, o cenário de retorno real negativo deverá durar até o próximo ano. “Títulos que pagam 100% do CDI ficariam negativos em 2% a 3% até 2022”, diz Artmann.

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Mas nem tudo são espinhos neste caminho. É que a taxa básica de juros, e o CDI, por consequência, deverá retomar seu curso de crescimento em 2021, mas somente a partir do segundo semestre, avaliam analistas do mercado. De acordo com o Focus, a projeção da taxa no fim de 2021 passou de 3% para 3,25% ao ano.

É importante lembrar que os títulos de renda fixa não estão oferecendo um retorno nominal negativo, mas sim o real, ao descontar a inflação. “Colocar no Tesouro Selic para pagar a escola do filho, não vai dar certo, porque a escola está subindo em um nível muito mais forte do que o seu rendimento”, compara Artmann.

Onde encontrar ganhos com a renda fixa?

Para quem quer ter algum tipo de rentabilidade com previsibilidade, seja em títulos públicos ou privados, é necessário entender qual é o objetivo pretendido para escolher a opção mais adequada.

“A forma mais segura de fazer isso é via Tesouro IPCA +, que tem o menor risco de crédito do país, mas que, infelizmente, só é válido pensando no longo prazo. Para o curto, não tem jeito”, diz Paula Zogbi, analista da Rico Investimento.

Entre as sugestões de Zogbi, está o Tesouro IPCA +, que devolve o recurso investido com uma taxa de juros já determinada, mais o valor da inflação no período. Neste caso, é preciso ficar atento aos vencimentos dos títulos, pois caso o investidor pense em recuperar o dinheiro antes, ele corre o risco de ter um retorno nominal negativo, ou seja, menos do que aplicou.

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“O longo prazo oscila muito. Se for comprar um título de dez anos para sacar o dinheiro daqui a seis meses, na hora da recompra pode ser que tenha uma rentabilidade nominal negativa. Ou seja, tirar menos dinheiro do que colocou devido à marcação do mercado”, frisa Artmann.

“Se a pessoa puder correr um pouquinho mais de risco, ainda dá para partir para o crédito privado, como debêntures, fundos de debêntures. Estes pagam um prêmio acima do prêmio do Tesouro, e sempre acima da inflação também, se pegar os indexados pela inflação”, observa Zogbi.

Nas recomendações da 051 Capital, estão uma Letra de Crédito Imobiliário (LCI) do Banco Original, com vencimento em 2023, e que paga 4,75% ao ano. Nesta classe, não tem cobrança de imposto de renda. “Se a pessoa investe R$ 1.000, ela vai tirar R$ 1.114, se for um aporte único”, diz Bartelle.

Outra sugestão da 051, seria um CDB também do Original, vencendo no início de 2028, com pagamento de 9,3% ao ano. “Com R$ 1.000 investidos, vai dar no final do período R$1.863, em valores brutos”, observa a especialista em investimentos e sócia da 051 Capital.

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Além disso, é possível investir em ETFs (fundos de índices) de renda fixa, que acompanham a rentabilidade dos títulos do Tesouro, indexados ao IPCA. Na última década, esses índices golearam o Ibovespa no quesito retorno. “Tem o IMA-B 11, IB-5M que acompanha a rentabilidade do título IPCA + com vencimento a partir de cinco anos”, diz Zogbi.

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