Sede do Banco Central, em Brasília: autarquia decretou a liquidação extrajudicial de empresas do Conglomerado Entrepay. (Foto: Adobe Stock)
O Banco Central decretou, nesta sexta-feira (27), a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento S.A. e, por extensão, da Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e da Octa Sociedade de Crédito Direto S.A., empresas que integram o Conglomerado Entrepay.
Classificado como um conglomerado prudencial de pequeno porte e enquadrado no segmento S4 da regulação, o grupo tinha como instituição líder a própria Entrepay. Em dezembro de 2025, sua participação no ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) era de aproximadamente 0,009%, o que indica relevância limitada dentro do sistema.
Nesse contexto, o episódio pode estar conectado a desdobramentos de investigações mais amplas no setor financeiro. Para Artur Horta, head de análise na The Link Investimentos, “possivelmente isso é um desdobramento da crise do Banco Master“, já que o CEO da Entrepay, Antônio Carlos Freixo Júnior, e o grupo Entre teriam aparecido em apurações da Polícia Federal relacionadas ao caso. Ainda assim, ele pondera que, do ponto de vista sistêmico, o impacto tende a ser limitado.
Por se tratarem de uma instituição de pagamento e de uma sociedade de crédito direto, as entidades liquidadas não realizavam captações por meio de instrumentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos, mecanismo que protege depósitos bancários em casos de quebra de instituições financeiras. Nesse ponto, Horta faz um alerta direto ao investidor.
“O que o investidor precisa checar é se, por acaso, entre a carteira de títulos que ele tem, havia algo relacionado ao grupo Entre, que aí pode ser considerado praticamente um default“. Em outras palavras, segundo ele, trata-se de situações em que “a instituição não pagou, não vai pagar”.
A decisão pela liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder, além de infrações às normas que regem sua atividade e da existência de prejuízos que expunham seus credores a risco considerado anormal.
Apesar disso, Horta reforça que o efeito sobre o mercado deve ser restrito. Segundo ele, a Entrepay representava uma fatia muito pequena do sistema financeiro nacional e “não deve afetar diretamente o funcionamento do mercado”. Na prática, acrescenta, os clientes atendidos pela companhia tendem a ser rapidamente absorvidos por outras grandes empresas de pagamentos.
O BC informou que seguirá adotando todas as medidas necessárias para apurar responsabilidades dentro de sua competência legal. As investigações podem resultar na aplicação de sanções administrativas e no encaminhamento do caso a outras autoridades, conforme previsto na legislação. Como medida adicional, a autarquia determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores das instituições envolvidas, nos termos da lei.
Posicionamento
A Abecs, associação que representa a indústria de meios eletrônicos de pagamento, informa que acompanha de perto o caso de liquidação de instituições integrantes do Conglomerado Entrepay. A entidade já iniciou interlocução com participantes do ecossistema e com as autoridades competentes para acompanhar os fluxos de liquidação e contribuir para a mitigação de impactos sobre estabelecimentos comerciais e demais agentes da cadeia de pagamentos.
A Abecs reforça que as empresas do setor seguem as orientações do Banco Central e reafirma a posição de todos os seus associados em apoio à Lei nº 12.865/13 (que, dentre outras disposições, trata do repasse de recursos no mercado de cartões), como essencial à segurança e à confiabilidade do sistema de pagamentos brasileiro.
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A Associação seguirá acompanhando os desdobramentos do caso e reforça seu compromisso com a integridade, a confiabilidade e o pleno funcionamento do sistema de meios eletrônicos de pagamento no Brasil.