Por volta das 9h30 (de Brasília), o Brent para julho avançava 3,07%, a US$ 104,40 por barril, enquanto o WTI para junho subia 3,28%, a US$ 98,55. Durante a madrugada, os ganhos chegaram a se aproximar de 5%, levando o Brent novamente para acima de US$ 105.
A alta ocorre depois de uma semana marcada por movimentos bruscos. O mercado chegou a desmontar parte relevante do prêmio de risco embutido no petróleo diante da expectativa de um acordo entre Washington e Teerã, mas o cenário voltou a mudar rapidamente no fim de semana.
Impasse recoloca tensão no radar
O gatilho veio após Trump classificar como “totalmente inaceitável” a resposta iraniana à proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos. O Irã, por sua vez, endureceu exigências para qualquer avanço diplomático, incluindo o fim do bloqueio marítimo americano, suspensão de sanções e soberania total sobre o Estreito de Ormuz.
A deterioração das conversas reacende o receio de interrupções mais graves na oferta global de petróleo. O estreito concentra cerca de 20% do fluxo mundial da commodity e é o principal palco das tensões militares desde o início do conflito.
Nos últimos dias, o cessar-fogo já vinha mostrando sinais crescentes de fragilidade. EUA e Irã trocaram acusações de violação da trégua, embarcações foram atacadas na região e os ataques de Israel ao Oriente Médio também intensificou o ambiente de instabilidade.
Nesta manhã, o mercado repercute ainda declarações do ministro do Petróleo iraniano, Mohsen Paknejad, admitindo que o setor petrolífero do país “teve problemas” após o bloqueio americano aos portos iranianos. Segundo ele, o governo adotou contramedidas para preservar produção e exportações.
Inflação volta ao centro da discussão
A disparada da commodity recoloca pressão sobre o debate inflacionário global justamente em uma semana carregada de indicadores de preços nos Estados Unidos e no Brasil.
O mercado monitora os próximos dados de inflação ao consumidor e ao produtor em busca de sinais sobre o impacto do choque energético nas trajetórias do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e do Banco Central brasileiro. O avanço recente do petróleo aumenta o receio de contaminação sobre combustíveis, transporte e expectativas inflacionárias.
Nos EUA, o próprio governo Trump já discute alternativas para conter a escalada da gasolina. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que a Casa Branca avalia inclusive suspender temporariamente o imposto federal sobre combustíveis. A gasolina americana já acumula alta superior a 50% desde o início da guerra.
Petrobras acompanha commodity
Na Bolsa, a alta do petróleo sustenta o desempenho das petroleiras. Os American Depositary Receipts (ADRs, recibos negociados nas bolsas dos Estados Unidos que permitem a negociação de ações estrangeiras) da Petrobras (PETR3; PETR4) avançavam no pré-mercado de Nova York, acompanhando o Brent e também repercutindo o recorde de produção de diesel S-10 na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
O mercado também entra na expectativa pelo balanço da estatal, previsto para após o fechamento. Em um ambiente de petróleo novamente pressionado para cima, investidores tentam medir até que ponto a volatilidade geopolítica pode continuar sustentando geração de caixa e distribuição de dividendos das companhias do setor.