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Saiba quais ações da Bolsa ganham ou perdem com a alta da Selic

Enquanto em 2020 houve uma migração da renda fixa para a variável, o aumento da Selic causa fluxo contrário

Por Rebeca Soares

23/09/2021 | 3:00 Atualização: 23/09/2021 | 10:58

(Foto: Evanto Elements)
(Foto: Evanto Elements)

Nesta quarta-feira (22), o Banco Central divulgou o aumento da Selic (taxa básica de juros) em um ponto percentual, alcançando a marca 6,25% ao ano. Além de impactar diretamente as classes de renda fixa atreladas à taxa e ao crédito, o movimento também afeta as empresas da Bolsa brasileira. Em geral, os bancos e as seguradoras estão entre os mais beneficiados.

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No segundo ano de pandemia e véspera de ano eleitoral, o cenário doméstico é marcado por instabilidade política e fiscal. Além da volatilidade gerada pelos acontecimentos e conflitos entre os poderes em Brasília, o aumento da taxa básica de juros cresce de forma acelerada, tentando acompanhar a inflação, que acumula alta de 5,67% no ano e 9,68% nos últimos 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os indicadores afetam não apenas os preços observados pelo consumidor, como também as companhias de capital aberto. Enquanto em 2020 houve uma grande migração da renda fixa para a variável, já que a Selic passou seis meses estagnada a 2% e os investidores desejavam prêmios maiores, neste segundo semestre de 2021, observa-se um movimento contrário.

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Na variação mensal, setembro é o terceiro mês seguido em que o Ibovespa marca queda. Enquanto o número de brasileiros vacinados era um fator de grande expectativa para a recuperação econômica, o cumprimento do teto de gastos passou a ser o grande impasse para a economia brasileira.

A votação de reformas, além da PEC dos Precatórios e do aumento do Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família), geram incertezas para o futuro do orçamento do País e, consequentemente, aversão à tomada de risco.

No cenário internacional, o choque das commodities é mais uma variável preocupante para as empresas brasileiras. Mesmo assim, existem oportunidades, segundo destacam analistas ouvidos pelo E-Investidor.

Quem pode ganhar

“Acredito que seja difícil mensurar quais empresas na Bolsa podem ser vencedoras com o aumento da Selic. Talvez o bancário, devido ao efeito da elevação de juros e ganhos em operações de mercado. Por outro lado, segmentos dependentes de crédito podem ter o maior malefício, como o setor de linha branca, além de produção, construção civil e parte do varejo”, aponta Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. Segundo Vieira, é necessário um cuidado na tomada de decisões por parte do Banco Central para não “exagerar na dose e matar o paciente com um remédio muito forte”.

De acordo com João Abdouni, especialista de investimentos da Inversa, as receitas financeiras, ou seja, as aplicações das seguradoras em ativos de juros longos utilizando o pagamento adiantado dos clientes são ampliadas em um cenário de alta dos juros. Para a corretora, a indicação do segmento é a Porto Seguro (PSSA3).

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Entre os bancos, Abdouni explica que a rentabilidade passiva cresce, mesmo com a concorrência das fintechs. Ele destaca o Itaú (ITUB4) como um papel atrativo. “É preciso olhar para empresas longevas. Essas duas já passaram por hiperinflação, impeachment, ditadura e diferentes cenários adversos. Por conta disso, sabemos o histórico e como devem se comportar”, explica.

Jéssica Sprovieri, analista da Inside Research reforça que, já que as empresas de seguro possuem parte da reserva atrelada à renda fixa, tendem a melhorar o resultado financeiro de rendimentos do caixa e de aplicações financeiras. Em relação aos bancos, o benefício acontece por conta do aumento da margem financeira advinda de melhores spreads, além de melhor remuneração de reservas atreladas ao CDI e aos negócios de seguros, somando, ainda, a queda no custo de captação.

Para o sócio-gestor Iram Siqueira, e o analista Thomaz Scandiuzzi, ambos da Âmago Capital, um destaque do setor financeiro é o Banco ABC (ABCB4). “Por ter uma atuação mais voltada ao setor empresarial e corporativo, ele é menos impactado com o boom das fintechs”, comenta Siqueira.

Os especialistas da Âmago complementam que é preciso ser seletivo. Entre as ações do setor financeiro, é importante ter atenção aos bancos mais passíveis de sofrer com inadimplência de clientes, já que os juros estão mais elevados.

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Entretanto, existem boas oportunidades para o momento de baixa. Outros ativos em destaque apontados pela Âmago são os papéis do Bradesco (BBDC4), BTG Pactual (BPAC11) e Porto Seguro (PSSA3).

O outro lado da moeda

Segundo os analistas da Âmago, no “outro lado da moeda” estão as empresas endividadas. Estas são afetadas negativamente com o aumento do custo de financiamento, causando uma alavancagem mais alta e fazendo com que sobre menos para o acionista.

Além do impulso de empresas de bancos e seguros, o estrategista da RB Investimentos Gustavo Cruz, destaca que o aumento dos juros deve prejudicar o setor imobiliário, por ser mais sensível ao aumento da inflação e dos juros.

Apesar disso, enquanto os fundos imobiliários em geral podem ser mais afetados, os FIIs de papel, em que a renda é alocada em títulos dos imóveis, podem figurar no lado positivo. “É possível reduzir os riscos separando os tipos de ativos, como, por exemplo, com as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI)”, aponta.

“As empresas de varejo também sentem bastante com o aumento da inflação porque, se os produtos estão mais caros, os consumidores estão menos propícios à compra”, comenta.

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Fernando Siqueira, gestor de renda variável da Infinity Asset, aponta que, assim como empresas mais endividadas, companhias comparadas à renda fixa também sofrem com juros mais altos.

“É o caso das companhias ligadas à concessões, como as do setor elétrico, construção rodoviária, água e esgoto. Essas empresas possuem contratos de longo prazo, onde há uma previsão de retorno em termos reais, causando ajuste da receita pela inflação”, explica Siqueira. Entre as apostas, o gestor destaca Transmissão Paulista (TRPL4), Cemig (CMIG4) e CCR (CCRO3).

Um outro perfil de empresas listadas em Bolsa e que serão afetadas negativamente, segundo o gestor da Infinity, são as pagadoras de dividendos, já que o retorno dos juros passa a ser mais atrativo.

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