O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que espera uma queda nos preços do petróleo nos próximos dias porque, segundo ele, a guerra com o Irã “está próxima do fim”. Sua única exigência para o encerramento seria o fim do programa nuclear iraniano — o que tem sido continuamente rechaçado por Teerã. Novas conversas entre interlocutores de ambos os países estão previstas para os próximos dias, no Paquistão.
Os contratos futuros do petróleo hoje voltaram a subir, após terem caído na véspera. O barril do petróleo WTI para maio encerrou com leve alta de 0,01% na Nymex, a US$ 91,29, enquanto o do Brent para junho caiu a 0,15% na ICE, a US$ 94,93 o barril. Em Nova York, o Dow Jones caiu 0,15%, aos 48.463,72 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 0,8%, aos 7.022,95 pontos, e o Nasdaq valorizou de 1,59%, atingindo sua máxima intradiária aos 24.016,02 pontos, e cravando 11 sessões seguidas em alta.
Os preços do petróleo oscilaram perto da estabilidade durante boa parte do dia, conforme novidades sobre o conflito no Oriente Médio circulavam entre os traders. Sinalizações distintas vindas dos Estados Unidos dificultaram movimentos mais intensos. A possibilidade de um segundo acordo de cessar-fogo, dessa vez entre Israel e Líbano, foi descartada hoje pelos israelenses, que confirmaram que vão manter os ataques.
A Casa Branca afirmou que as negociações com o Irã seguem em andamento e classificou as conversas como “produtivas”, apesar da ausência de avanços formais sobre um cessar-fogo. Em coletiva de imprensa, a secretária de Imprensa, Karoline Leavitt, negou que Washington tenha solicitado uma extensão da trégua e disse que “não há nada oficial” sobre a realização de encontros presenciais entre as partes.
Sobre energia, Bessent afirmou que os preços da gasolina nos EUA dependerão da evolução das negociações de guerra, mas disse esperar níveis próximos de US$ 3 por galão “mais cedo do que tarde”, possivelmente antes de 20 de setembro. Bessent também declarou confiança de que Kevin Warsh será confirmado como presidente do Federal Reserve (Fed) no prazo previsto, com apoio alinhado entre republicanos no Senado.
Livro Bege e balanços
Além da cena geopolítica, os investidores também acompanharam hoje a agenda de indicadores dos EUA. O destaque é o Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Divulgado nesta tarde, ele trouxe a atividade econômica dos Estados Unidos, que teve aumento em “ritmo leve a moderado” em oito de doze distritos americanos. De acordo com o documento, a atividade manufatureira subiu “leve ou moderadamente” na maioria dos distritos. Em meio à guerra no Oriente Médio, os custos de energia e combustível subiram “acentuadamente” em todos os distritos. Com isso, houve pressão de custos de insumos de forma generalizada, diz o Livro Bege.
Entre ontem e hoje, três dos maiores bancos dos Estados Unidos divulgaram os resultados do primeiro trimestre de 2026 e deram a largada para a temporada de balanços do setor financeiro naquele país. Os números vieram acima das expectativas, mas a reação das ações é desigual: enquanto Morgan Stanley e BofA sobem até 3,6%, o JPMorgan tem avanço mais contido, pressionado por custos.
Reação de Treasuries e dólar
Os rendimentos dos títulos de renda fixa de dívida pública do governo americano, os Treasuries, de 2 e 10 anos subiram no pregão desta quarta-feira (15). O juro da T-note de 2 anos ganhou 3,761% e o da T-note de 10 anos avançou a 4,279%, enquanto o do T-bond de 30 anos subiu a 4,893%.
No câmbio, o dólar opera perto da estabilidade em relação a outras moedas de economias desenvolvidas. O euro ganhou a US$ 1,179, a libra caiu a 1,356 e o dólar subiu a 158,98 ienes. Já o índice DXY do dólar, que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes, tinha queda de 0,05% a 98,074 pontos.
Em relação ao real, o dólar tinha leve alta de 0,11%, para R$ 4,993 na venda, se mantendo abaixo dos R$ 5, nível que não atingia desde 2024.
*Com informações do Broadcast