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Até o dia 25 de fevereiro, último dado disponibilizado pela Bolsa de Valores local, o fluxo estrangeiro no mês ficou positivo em R$ 15,267 bilhões. No acumulado do ano, o saldo já está em R$ 41,58 bilhões, bem acima dos R$ 26,87 bilhões observados em 2025 inteiro.
Foi o dinheiro gringo que levou o Ibovespa a bater um novo recorde histórico de fechamento em 24 de fevereiro, quando encerrou aos 191.490,4 pontos. O mês foi marcado por uma queda de 2,16% do dólar, que chegou a atingir o menor nível desde maio de 2024, enquanto investidores monitoraram os desdobramentos da política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A Suprema Corte dos EUA decidiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) não autoriza o presidente a impor tarifas, derrubando boa parte das medidas globais adotadas por Trump contra diferentes países. Como reação, o republicano estabeleceu uma alíquota global de 10%, com duração de 150 dias, que passou a valer na última terça-feira. “Esse ‘vai e volta’ político foi um dos principais gatilhos de volatilidade direcional do mês”, diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
Ele também relembra que o payroll (relatório oficial de emprego norte-americano) mais forte nos EUA reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) pode manter uma postura cautelosa na condução dos juros. O indicador apontou a criação de 130 mil empregos em janeiro, em termos líquidos. Analistas consultados pelo Projeções Broadcast esperavam geração de 30 mil a 135 mil vagas nos EUA, com mediana de 67 mil.
Por aqui, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) “azedou” o clima dos mercados nesta sexta-feira (27) e pressionou o Ibovespa no último pregão do mês. O índice subiu 0,84% em fevereiro, resultado acima do teto das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,69%. A mediana era de avanço de 0,56% e o piso era de aumento de 0,39%.
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Segundo André Valério, economista sênior do Inter, o dado de hoje apresenta um viés negativo, mas foi influenciado pela sazonalidade. “Não antecipamos que o resultado influencie significativamente o Comitê de Política Monetária (Copom) para sua decisão em março. Esperamos que o Copom corte a Selic em 50 pontos-base na próxima reunião, mas mantendo um discurso relativamente cauteloso”, afirma.
O grande destaque positivo do Ibovespa no mês ficou com a MRV (MRVE3), com salto de 26,89% no período. Praça, da ZERO Markets Brasil, explica que a empresa, sensível a juros, foi beneficiada por expectativas de cortes da Selic. Dentro do setor imobiliário, quem também se destacou positivamente foi a Direcional (DIRR3), com alta mensal de 16,99%.
Outro papel que se saiu bem em fevereiro foi a Suzano (SUZB3), que registrou valorização de 17,58%. A empresa entregou um balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) acima do esperado pelo mercado, mesmo em meio a um cenário global ainda desafiador para a celulose. O lucro líquido foi de R$ 116 milhões no intervalo, revertendo o prejuízo de R$ 6,737 bilhões em igual período de 2024.
Na outra ponta, a grande “perdedora” do mês foi a Raízen (RAIZ4), com um tombo de 38,83%. Com preocupações sobre endividamento, a empresa sofreu três rebaixamentos de nota de crédito de agências de risco, incluindo Fitch, S&P Global e Moody’s.
A Cogna (COGN3), ação que mais subiu no Ibovespa em 2025, foi outra a enfrentar um fevereiro turbulento, com queda acumulada de 23,08%. Após a forte valorização dos papéis, o Bradesco BBI rebaixou a recomendação da empresa de outperform (equivalente à compra) para neutra e sinalizou uma expectativa de resultados mais fracos no quarto trimestre do último ano. A companhia divulga seu balanço no dia 11 de março, após o fechamento do mercado.
O GPA (PCAR3), por sua vez, afundou 19,79% no mês. A varejista entregou um balanço do quarto trimestre de 2025 que dividiu as análises do mercado: enquanto a XP Investimentos viu avanços operacionais, o Safra reforçou a preocupação com a queima de caixa.
Rhuan Palma, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças (FBNF), ressalta que o mês também foi essencialmente dominado pelas blue chips, as ações de maior liquidez da Bolsa.
“Quando capital estrangeiro entra em volume expressivo num mercado emergente, ele vai primeiro para o que conhece como empresas grandes, líquidas, com peso relevante no índice”, afirma.
Ele lembra que a Petrobras avançou mesmo em dias de petróleo em queda no exterior, reforçando a força do fluxo externo independente do fundamento setorial pontual. As ações PETR3 subiram 5,79% em fevereiro e as PETR4 tiveram alta de 4,16%.
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A Vale (VALE3), por sua vez, avançou 4,92% no período. “A mineradora oscilou durante todo o mês respondendo diretamente às variações do minério de ferro e a qualquer mudança na percepção sobre a atividade chinesa”, destaca Palma.
Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, afirma que o evento mais aguardado de março é a reunião do Copom, prevista para acontecer nos dias 17 e 18. “Esse é o mês em que devemos ver o primeiro corte da Selic”, diz. “Acredito que o fluxo de capital estrangeiro irá continuar e enxergo uma entrada maior do investidor institucional local e do investidor pessoa física“, acrescenta.
O time da Ágora Investimentos avalia que, com a Rússia fechada para investimentos e a China com dificuldades em atrair capital, as “poucas opções” devem manter o Brasil no holofote dos grandes investidores de renda variável.
Com a alta recente, a corretora explica que o índice voltou a negociar na região de 10 vezes o preço sobre lucro (P/L), o que exige maior seletividade para novas compras em Bolsa. Esse múltiplo se alinha à média histórica dos últimos 10 anos, mas ainda está inferior à média dos países emergentes, na faixa de 12 vezes o P/L.
“Concluímos, portanto, que no relativo ainda somos um mercado interessante aos investidores globais, tese que é reforçada pelo dividend yield (rendimento de dividendos) alto das empresas listadas”, destacam os analistas da Ágora.
A corretora ressalta que a redução gradual da Selic, prevista para começar em março, é um evento que tende a favorecer a performance das ações, com investidores mais inclinados a aumentar a diversificação dos portfólios e as empresas se beneficiando da redução do custo da dívida.
No entanto, dada a magnitude e velocidade da performance da Bolsa nos últimos meses, a Ágora aponta o risco de correções de curto prazo do Ibovespa em março, processo que faz parte da dinâmica do mercado de renda variável e que requer especial atenção dos investidores que buscam fazer suas primeiras alocações em ações.
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