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Negócios

Ações de luxo na China são comparadas com papéis de ‘big techs’ americanas

Robusto crescimento dos gastos chineses e um forte início da temporada de lucros reforçam a comparação

Por E-Investidor

24/02/2021 | 17:32 Atualização: 24/02/2021 | 17:32

Uma bolsa Hermès Birkin modelo diamantes e crocodilos do Nilo (Foto: Mario Anzuoni/Reuters)
Uma bolsa Hermès Birkin modelo diamantes e crocodilos do Nilo (Foto: Mario Anzuoni/Reuters)

(Albertina Torsoli/WP/Bloomberg) – A pandemia de coronavírus ainda está grassando em grandes partes do mundo e a China vem enfrentando um ressurgimento do surto, mas os investidores continuam empurrando as ações de bens de luxo para cima, sem se intimidar com valorizações quase recordes.

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A combinação de um robusto crescimento dos gastos chineses com um forte início da temporada de lucros pode ser vista em ações como LVMH, Hermes International e Kering SA, todas as quais atingiram níveis recordes nos últimos dois meses. A qualidade das empresas e sua posição substancial no mercado de ações estão fazendo com que alguns investidores comparem essas empresas aos gigantes da tecnologia dos Estados Unidos.

“Vemos as empresas de luxo europeias como equivalentes às empresas de tecnologia americanas no mercado de ações: empresas que não tem rivais no seu domínio global”, disse Giles Rothbarth, gerente do Blackrock European Dynamic Fund. Algumas empresas do setor com as melhores perspectivas ainda estão atraentes, mesmo depois do desempenho recente do preço das ações, disse ele.

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A Richemont, proprietária da Cartier, primeira grande empresa de luxo a reportar vendas nos últimos três meses de 2020, deu o tom na quarta-feira, com uma receita trimestral de joias que superou as expectativas, apesar dos novos lockdowns e de nenhuma recuperação nas viagens, gerando ganhos adicionais no setor.

O conglomerado francês LVMH, uma das maiores ações do Índice Stoxx Europe 600 e termômetro do setor, deve “arrasar a concorrência” quando divulgar os resultados na terça-feira, dado o forte impulso de suas marcas Dior e Louis Vuitton, disse Swetha Ramachandran, gerente do Luxury Brands Equity Fund da GAM.

Embora os grandes gastadores não possam gastar muito em viagens e restaurantes com muitas das principais economias sob lockdown, eles estão optando por comprar objetos de luxo, impulsionando as vendas das marcas mais conhecidas, disse ela.

“As mega marcas parecem incontroláveis”, disse Luca Solca, analista da Sanford C. Bernstein & Co., em entrevista. O crescimento vem sendo impulsionado pelos consumidores chineses que estão comprando em seu mercado doméstico a preços mais altos por causa da covid-19 e abocanhando “o que eles consideram indispensável em vez de só bom-de-ter”, o que ajuda as principais marcas, disse ele.

Apesar da euforia, é necessário ter cautela

Empresas como a LVMH, que acaba de adquirir a joalheria norte-americana Tiffany & Co., são consideradas ativos de alta qualidade que continuarão se beneficiando de tendências estruturais de longo prazo, como a ascensão da classe média chinesa e de portifólios diversificados de marcas de classe que ajudam a reduzir os riscos.

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Alguns analistas veem motivos para cautela, porque as restrições da covid-19 ainda prejudicarão o setor este ano, e um retorno ao normal pode significar que os clientes venham a gastar dinheiro em viagens e comendo fora, em vez de comprar os novos lançamentos em bolsas.

As ações estão “precificadas com perfeição”, disse Francesca DiPasquantonio, analista do Deutsche Bank AG que recomenda a compra de apenas uma, a Richemont, entre as 13 ações que cobre. As avaliações ficaram “complacentes, sem reconhecimento dos riscos”, disse ela.

Analistas da RBC Capital Markets dizem que as valorizações parecem “esticadas”, com o conjunto das ações de luxo sendo vendido por cerca de 40 vezes os ganhos estimados deste ano, contra a média 23 vezes nos últimos dez anos.

É um valor ainda maior que o de muitos dos gigantes da tecnologia dos Estados Unidos que foram os favoritos do mercado de ações no ano passado. A Alphabet Inc., controladora do Google, por exemplo, obtém cerca de 27 vezes o lucro estimado, a Apple Inc., 33 vezes e o Facebook Inc., 24 vezes.

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Muitos investidores não se intimidaram, dizendo que o setor está se beneficiando da recuperação econômica da China. O mercado provavelmente está estimando uma recuperação muito mais forte nos lucros este ano do que o previsto pelos analistas, disse Cedric Ozazman, diretor de investimentos da Reyl & Cie. em Genebra.

“Não tenho medo de avaliações elevadas e ainda estou muito otimista com o setor”, disse ele. “O forte apetite por nomes de luxo está se acelerando na China”.

O Deutsche Bank prevê que as empresas de luxo reportarão um crescimento de vendas de 18%, em média, este ano, o que deve gerar uma recuperação de 95% nos lucros, apesar de um início de ano suave devido à covid-19, o que potencialmente pode afetar as festas do Ano Novo Lunar na China no mês que vem.

As contínuas surpresas de ganhos positivos “serão essenciais para manter esses níveis, mas muito provavelmente veremos mais altas”, alimentadas por aumentos de preços na indústria, cortes de custos e uma transição para as vendas online, disse Solca, da Bernstein.

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(Tradução de Renato Prelorentzou)

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