Lucro líquido da Kepler Weber (KEPL3) cai 33% no 1T26 e fica em R$ 17,1 milhões
Segundo a companhia, o desempenho refletiu menor volume no segmento de Fazendas, parcialmente compensado pelo avanço de Agroindústrias e de Negócios Internacionais
A companhia reportou queda de 33% no lucro líquido na comparação anual, somando R$ 17,1 milhões. (Imagem: Adobe Stock)
A Kepler Weber (KEPL3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 17,1 milhões, queda de 33,0% em relação a igual período de 2025. A receita líquida somou R$ 318,1 milhões, retração de 10,9% na comparação anual, e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 33,7 milhões, queda de 36,4%, com margem de 10,6%.
Segundo a companhia, o desempenho refletiu menor volume no segmento de Fazendas, parcialmente compensado pelo avanço de Agroindústrias e de Negócios Internacionais. A administração atribuiu o trimestre a um cenário de crédito mais restritivo, seletivo e caro no agronegócio, com ciclos de decisão mais longos e margens pressionadas para produtores rurais.
O CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, avaliou que o desempenho ficou dentro do esperado diante do momento do agronegócio.
“A gente fica satisfeito com manutenção da receita, na ordem de uma queda de 11%. Em vista de tudo que a gente vê no mercado, é um resultado satisfatório”, afirmou.
Segundo ele, a retração também reflete a mudança no mix de faturamento, com maior peso de Agroindústrias, segmento em que os contratos têm prazo de execução mais longo. “A gente fechou mais negócios de agroindústrias”, disse. Para 2026, a administração espera reduzir a diferença de receita ante 2025 para um dígito.
Fazendas, segmento voltado a produtores rurais, registrou receita líquida de R$ 86,6 milhões, queda de 34,2% na comparação anual, com margem bruta de 18,5%, recuo de 3 pontos porcentuais. Segundo a companhia, o desempenho refletiu menor rentabilidade do produtor, com impacto sobre o volume de projetos contratados e o tíquete médio. Nogueira afirmou que as compras estão concentradas nos agricultores mais estruturados. “Quem está comprando agora, nesse momento, são grandes agricultores”, disse.
Agroindústrias somou R$ 105,1 milhões, alta de 4,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 18,8% ante o quarto trimestre. A área atende cerealistas, cooperativas e indústrias de transformação de grãos em projetos de armazenagem, beneficiamento, alimentos, rações e biocombustíveis.
“A gente vai ver (o segmento de) agroindústrias acelerar durante o ano. Já no próximo trimestre devemos crescer dois dígitos em agroindústria e, no ano, crescer dois dígitos em agroindústria”, afirmou Nogueira.
Negócios Internacionais teve receita líquida de R$ 60,2 milhões, alta de 47,1% na comparação anual, no melhor primeiro trimestre da história do segmento, segundo a companhia. O resultado foi impulsionado por um projeto de grande porte na Venezuela e por vendas para Paraguai, Bolívia, Colômbia e Argentina. A administração não espera que o ritmo se repita ao longo do ano.
“Se a gente igualar 2025 em negócios internacionais, estamos bastante satisfeitos”, afirmou Nogueira.
Portos e Terminais registrou receita de R$ 4,9 milhões, queda de 54,2%, em razão da concentração de contratos de grande porte em trimestres específicos. Reposição e Serviços somou R$ 61,2 milhões, recuo de 16,4%, mas a margem bruta subiu 3,7 pontos porcentuais, para 37,3%. A área, voltada a peças, reformas, modernizações e suporte a unidades já instaladas, é menos dependente de novos projetos.
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“Quando a gente fala de resiliência, o segmento é a nossa maior carta”, afirmou Nogueira. O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Renato Arroyo, atribuiu a queda do Ebitda à redução do lucro bruto, pressionado por menor receita e margens mais apertadas nos segmentos, e não a aumento relevante da estrutura de despesas.
Segundo ele, os custos administrativos e estruturais ficaram próximos aos do ano anterior. “A companhia há anos vem tendo essa dinâmica e essa resiliência de custos, de controlar custos, mas a gente não consegue atenuar o efeito da redução do lucro bruto”, afirmou.
As despesas gerais e administrativas cresceram 4,1%, para R$ 23,5 milhões, em linha com a inflação, enquanto as despesas com vendas recuaram 2,1%, para R$ 24,8 milhões. O custo dos produtos vendidos somou R$ 251,8 milhões, queda de 7,5%, mas subiu como proporção da receita, de 76,2% para 79,2%.
A Kepler Weber encerrou março com caixa líquido positivo de R$ 56,6 milhões, ante R$ 1,3 milhão ao fim de 2025. A geração operacional de caixa foi positiva em R$ 28,2 milhões, e o capital de giro contribuiu com R$ 42,3 milhões. O retorno sobre o capital investido (ROIC) ficou em 21,4%.
Segundo a companhia, o indicador segue acima do custo de capital. “Vale aqui a mensagem da resiliência da Kepler, de gerar caixa mesmo no momento mais adverso”, afirmou Arroyo.