Títulos do Tesouro Direto refletem juros elevados e incertezas macroeconômicas, com oportunidades na curva de médio prazo (Foto: Adobe Stock)
O Tesouro Direto hoje segura retornos atraentes em meio a juros altos, inflação ainda pressionada e incertezas no ambiente internacional. Para investidores que buscam renda fixa, os títulos públicos continuam atraentes, mas o momento também exige atenção à volatilidade e aos riscos fiscais e externos. Entre os destaques, estão o Tesouro Prefixado 2029 pagando 13,67% ao ano e o Tesouro IPCA+ 2029 oferecendo retorno de IPCA mais 7,56%.
Segundo Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, os papéis disponíveis hoje apresentam “taxas atrativas”, especialmente em vencimentos intermediários. Esses patamares, explica o especialista, refletem a postura mais rígida da política monetária brasileira. O Comitê de Política Monetária (Copom) sustenta a Selic em nível elevado na tentativa de conter a inflação, enquanto o mercado ainda busca calibrar expectativas diante da persistência das pressões inflacionárias.
Ao mesmo tempo, a valorização do petróleo – veja a cobertura completa da commodityaqui – e os conflitos geopolíticos no Oriente Médio, por exemplo, podem continuar pressionando os preços globais e dificultando o trabalho dos bancos centrais. Nesse contexto, Murad avalia que os títulos indexados à inflação, especialmente os de prazo mais longo, podem sofrer maior oscilação.
Mercados emergentes, como o Brasil, terão os títulos impactados pelas tensões estrangeiras
O especialista também destaca que o ambiente internacional pode influenciar o fluxo de capital para mercados emergentes, incluindo o Brasil. Entre os pontos de atenção está a entrada de Kevin Warsh no Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), para o qual ele foi indicato pelo presidente do país, Donald Trump, além dos desdobramentos da crise no Oriente Médio.
Na avaliação dele, mudanças na condução da política monetária dos Estados Unidos podem alterar a percepção de risco global e, consequentemente, impactar a atratividade dos títulos brasileiros. Já em relação à pauta doméstica, caso o mercado enxergue maior comprometimento com as contas públicas brasileiras, a tendência é de redução dos prêmios exigidos pelos investidores ao longo do tempo.
“O carrego está alto, com prêmios elevados, mas a volatilidade do mercado permanece, exigindo cautela dos investidores”, conclui o especialista.
Tesouro Selic: pouca volatilidade
No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios expressivos. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,11% e 6,92%, respectivamente.
A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.
No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.
Tesouro Renda+
Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,21% em 2049 e vão caindo gradualmente até cerca de 6,91% nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflaçãono longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.
Tesouro Educa+
Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,75%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 7,02% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.
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O quadro atual do Tesouro Direto mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.