O mercado monitora o cessar-fogo no Oriente Médio após registros de novos ataques. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou os novos confrontos com o Irã e reiterou que a trégua segue em vigor. Segundo o Comando Central dos EUA, embarcações americanas foram alvo de ofensiva iraniana no Estreito de Ormuz, classificada por Washington como “ataques não provocados”.
Os EUA retaliaram atingindo instalações militares iranianas, enquanto os Emirados Árabes responderam a supostos ataques do Irã com mísseis e drones. Teerã afirmou ontem que ainda avalia propostas americanas para encerrar a guerra.
Os investidores acompanham ainda os dados do payroll e pela pesquisa de confiança do consumidor norte-americano, além de falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central do país). A expectativa é de que o payroll mostre forte desaceleração na criação de vagas em abril, com mediana de 63 mil empregos, após 178 mil em março. A projeção é de desemprego estável em 4,3% e leve aceleração dos salários.
No mercado doméstico, o IGP-DI subiu 2,41% em abril, acelerando frente à alta de 1,14% em março, informou a FGV. O resultado ficou levemente acima da mediana das projeções do mercado, de 2,39%, cuja faixa ia de 1,83% a 2,60%. Com isso, o índice acumula alta de 2,92% no ano e avanço de 0,78% em 12 meses.
A pressão inflacionário sugere manutenção da postura conservadora do Banco Central na política monetária, o que favorece diferencial de juros e operações de carry trade, mecanismo utilizado para tentar obter lucros com base na diferença entre a taxa de juros de dois países.
Ontem, o dólar fechou quase estável a R$ 4,9234, após cair até R$ 4,8960 pela manhã, refletindo o aumento do risco geopolítico à tarde após sinais de que um acordo entre EUA e Irã está mais distante. O Irã divulgou novas regras para o tráfego em Ormuz, enquanto Arábia Saudita e Kuwait liberaram o uso de bases e espaço aéreo aos EUA, elevando temores de retomada de ações militares na região.
Vale investir em dólar?
A queda recente na cotação, embora ainda reflita um cenário incerto, abre espaço para os brasileiros ampliarem sua exposição ao dólar a um preço mais acessível em comparação aos últimos meses. Esse movimento ganha mais relevância diante da relação risco e retorno que os ativos dolarizados podem oferecer ao portfólio.
Os títulos soberanos dos Estados Unidos, por exemplo, continuam oferecendo aos investidores retornos acima de 3% em dólar. Segundo especialistas, a rentabilidade, aliada à segurança da economia americana, atua como proteção ao chamado “risco Brasil”, que pode voltar a pressionar o câmbio nos próximos meses com a proximidade das eleições presidenciais.
Além disso, os efeitos da guerra ajudaram o dólar a se manter abaixo das projeções do mercado no curto prazo. Segundo dados do Boletim Focus, os bancos e corretoras estimam um câmbio de R$ 5,25 até o fim do ano.
“Olhando para o histórico, este seria um momento favorável. Mas o foco deve ser em manter uma parcela no exterior e enviar recursos de forma recorrente, independentemente da cotação do dólar”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Com informações do Broadcast