Títulos do Tesouro Direto refletem juros elevados e incertezas macroeconômicas, com oportunidades na curva de médio prazo (Foto: Adobe Stock)
Os títulos do Tesouro Direto hoje oferecem retornos em níveis elevados diante de um cenário marcado pela desaceleração econômica e inflação resistente. A combinação desses fatores tem mantido os prêmios da renda fixa em patamares historicamente considerados altos, ao mesmo tempo em que aumenta a atenção do mercado para os próximos movimentos da economia doméstica e internacional.
Segundo André Matos, CEO da MA7 Negócios, os dados mais recentes mostram que a atividade econômica brasileira começou a perder força gradualmente. Serviços e indústria, por exemplo, já apresentam um ritmo de crescimento mais moderado, enquanto a inflação segue pressionada e distante da meta perseguida pelo Banco Central.
Os títulos que pagam bem
Atualmente, o Tesouro Prefixado 2029 opera próximo de 13,5% ao ano, enquanto os títulos indexados à inflação continuam oferecendo juros reais acima de IPCA +7% ao ano.
Para o especialista, o comportamento das taxas nos próximos meses continuará diretamente ligado a uma combinação de fatores locais e externos. Entre eles, estão os rumos da política monetária dos Estados Unidos, os impactos geopolíticos sobre petróleo e commodities, os próximos indicadores de inflação no Brasil e, principalmente, a percepção do mercado financeiro sobre o quadro fiscal doméstico.
“Para o investidor, o momento ainda favorece papéis atrelados à inflação como proteção de longo prazo, enquanto os prefixados seguem atrativos para quem acredita em queda gradual dos juros”, conclui.
Tesouro Selic: pouca volatilidade
No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.
Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios expressivos. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,27% e 7,02%, respectivamente.
A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.
No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.
Tesouro Renda+
Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,37% em 2049 e vão caindo gradualmente até cerca de 6,97% nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflaçãono longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.
Tesouro Educa+
Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,95%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 7,15% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.
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O quadro atual do Tesouro Direto mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.