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Colunista

Criptomoedas, bitcoin e NFTs: o novo assunto do churrasco

Com o preço da carne rivalizando com o do bitcoin, a economia digital virou uma das opções do churrasco

Por Fabrício Tota

22/10/2021 | 8:09 Atualização: 22/10/2021 | 8:09

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o mercado de criptomoedas teve um verdadeiro boom de investimentos dos fundos de Venture Capital em 2021.
(Fonte: Shutterstock)
o mercado de criptomoedas teve um verdadeiro boom de investimentos dos fundos de Venture Capital em 2021. (Fonte: Shutterstock)

Com o preço da carne rivalizando com o do bitcoin, a economia digital virou um dos principais assuntos do churrasco de domingo. Entre uma e outra fatia de picanha, conversas sobre a alta do bitcoin, tokens, NFTs, ethereum e mineração grelham nos ouvidos de todos. Um diz que conhece um sujeito que ficou milionário comprando cripto. Outro conhece um que quer investir todo o dinheiro nesse mercado.

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Se todos conhecem a receita do churrasco perfeito, poucos conhecem a economia digital. E as perguntas são muitas: o que é um criptoativo? como funciona esse mercado? dá para ganhar mais dinheiro com cripto do que com ações?

Vamos lá responder essas perguntas antes que a carne passe do ponto.

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É impossível começar a falar sobre este assunto sem traçar um paralelo com as finanças tradicionais. De uma forma bastante ampla, podemos dividir as diversas classes de ativos tradicionais entre renda variável – onde entram as ações – e a renda fixa, que engloba desde títulos públicos até dívidas de empresas. O comportamento do preço dos ativos digitais se assemelha mais ao comportamento das ações, ainda que com diferenças relevantes.

A comparação para por aí, porque ações representam um pedaço de uma empresa. Seus preços variam todos os dias a reboque do desempenho da empresa, da divulgação de indicadores econômicos e de acontecimentos políticos, entre outros fatores. Além disso, o lucro da empresa é distribuído para os acionistas em forma de dividendos. Portanto, há duas componentes da valorização de um investimento em ações: a flutuação dos preços e os dividendos recebidos.

Por sua vez, criptomoedas não representam algo específico em geral, assim como não pagam dividendos. Seus preços flutuam por conta de notícias, oferta e demanda, funcionalidades adicionadas a elas etc. Sobretudo, em um mercado ainda em sua pré-adolescência, um dos principais direcionadores de preço dos criptoativos é simplesmente a adoção. Além do pessoal do churrasco, quem mais investe em criptoativos mesmo?

Outro ponto de diferença é a forma como as criptos e os ativos tradicionais são criados e negociados. As ações são listadas em bolsas de valores. E para comprá-las, é preciso uma corretora. Já os ativos ditiais são criados numa blockchain. E fim. O processo de listagem compete a cada corretora, ambiente onde acontecem as negociações, ao lados das corretoras descentralizadas, claro. Mas isso é tema para outro artigo.

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Talvez essa seja a maior diferença entre os ativos tradicionais. Para listar uma ação, as empresas dependem de uma infraestrutura de mercado abrangente: bancos de investimento, advogados, auditoria, uma bolsa de valores, custodiante, escriturador, aprovação do regulador, um consórcio de bancos para o processo de IPO, anúncios em jornais etc. Não apenas a empresa precisa de uma infraestrutura abrangente, como também o investidor fica preso a uma infraestrutura de mercado, que vai da bolsa de valores à corretora.

Nem é preciso dizer que tudo isso custa caro para as empresas e para os investidores. Aliás, esse é um problema que vemos também em outros produtos do mercado tradicional, como debêntures, cotas de fundos, ETFs etc. Para serem estruturados, demandam um investimento pesado.

Esse é o pulo do gato do mercado cripto.

O investidor não depende de uma infraestrutura tão complexa para negociar. Basta uma conta numa corretora. Os criptoativos não são estruturados por bankers de um banco de investimento, não passam por uma auditoria, não são listados numa bolsa, não são validados por escritórios de direito, não devem ser anunciados em jornais.

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Por isso é que podemos dizer que eles democratizam os investimentos. Além de tudo, os criptos ficam na carteira digital do investidor, tornando-o dono de verdade daquele ativo. Tudo rodando na tal da blockchain, com segurança, transparência e governança. Por design.

Ah, voltando ao churrasco de domingo! Esse mercado não para durante o churrasco de domingo ou a feijoada de sábado. Não para nem no Carnaval e nem durante qualquer feriado. Ele funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, enquanto que as corretoras de ações e as bolsas de valores estão abertas de segunda a sexta durante um horário fixo. Essa dinâmica cria mais oportunidades para o investidor.

Ou seja, dá para ganhar dinheiro com cripto? Bem, o trading, aquela atividade de buscar comprar na baixa e vender na alta pode ser muito lucrativo, mas não é para qualquer um. Exige tempo, paciência, dedicação e disciplina. Além de um psicológico muito bem resolvido. Então vamos para uma estratégia mais simples: o chamado “buy and hold”. Comprar, e só.

Essa semana, o bitcoin atingiu sua máxima histórica em dólares. Na prática, o que isso significa? Significa que todos, isso mesmo, todos que compraram Bitcoin em algum momento e não venderam estão ganhando dinheiro. Mesmo quem comprou no topo em abril de 2021. Mesmo quem comprou no topo de 2017.

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Contudo, há uma forma de reduzir o risco de comprar nesses topos: fazer diversas compras ao longo do tempo. Em uma classe de ativos que cresceu absurdamente nos últimos meses, mas ainda sofre flutuações de preços bastante significativas – para cima e para baixo -, tentar acertar o melhor timing é tarefa para profissionais. Compre sempre, continuamente, com uma visão de longo prazo. E garanta os seus churrascos do futuro.

 

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