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A alta dos fundos de ações: você se atrasou, sim, mas sempre é tempo

Enquanto o Ibovespa sobe 29% no ano e fundos acumulam ganhos de até 35%, muitos investidores seguem errando o timing, comprando na euforia e vendendo no medo

Por Luciana Seabra

18/11/2025 | 14:04 Atualização: 18/11/2025 | 14:07

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Luciana Seabra relembra lições de Templeton e Swensen sobre a importância de investir contra a manada e manter disciplina de longo prazo. (Imagem: Adobe Stock)
Luciana Seabra relembra lições de Templeton e Swensen sobre a importância de investir contra a manada e manter disciplina de longo prazo. (Imagem: Adobe Stock)

“Precisa-se de muita coragem para comprar quando os outros estão vendendo de forma melancólica e vender quando outros estão comprando com euforia; isso, entretanto, é o que proporciona os maiores lucros”.

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Não é um déjà vu. Se você lê esta coluna há algum tempo sabe que foi com essa frase, de John Templeton, que eu comecei a edição de janeiro de 2025.

Lá eu invocava o panteão da literatura internacional de investimentos – Howard Marks, David Swensen, Morgan Housel – para defender a importância de ser “contrarian” ao investir. Ou seja: para ter bons resultados com ativos de risco no longo prazo é preciso ir contra o pensamento e a atitude de manada.

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Àquela altura, os fundos de ações marcavam fortes resgates, em um clássico movimento de aversão a risco.

Daí em janeiro voltei a este espaço destacando uma alta de 4,9% do Ibovespa em um único mês – muito além do 1,6% do tão amado CDI. E citava ainda que alguns excelentes fundos de ações chegavam a 8% de ganho no primeiro mês do ano.

Lá eu reforçava que era muito cedo para dizer “eu avisei”, mas que janeiro no mínimo servia para nos lembrar de que nada sabemos sobre o futuro. E ainda apontava que, conversando com gestores, eles reforçavam que muitas empresas em portfólio ainda pareciam baratas demais na Bolsa em comparação ao que realmente valiam.

Recupero todo esse histórico não para dizer que eu avisei – o resultado poderia ser diferente e um investimento em fundos de ações nunca deve ser feito com horizonte tão curto – mas para não ser acusada de engenheira de obra pronta ao te contar o que vem a seguir, com fins educativos.

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Depois de uma longa janela difícil, o ano até aqui marcou uma das mais fortes recuperações de fundos de ações que já vi. No acumulado até o momento em que escrevo, o Ibovespa sobe 29%. Adoro o CDI, especialmente para o investimento de curto prazo, e também tenho dinheiro nele, mas o fato é que ele come poeira, com 12%.

Se vamos para uma boa seleção de fundos de ações, aí tem gestores aprovados em nossa análise que rendem mais de 35% no ano só até outubro, como Truxt, Bogari, Encore, HIX, Atmos e SPX.

Você certamente não vai receber essa notícia daquele assessor ou gerente que te indicou um fundo de ação no momento da euforia e mandou sair no fim do ano passado concentrando tudo em renda fixa – fazendo o contrário do que manda todo o estudo internacional sobre investimentos. Ou seja, orientando você a comprar na alta e vender na baixa.

É claro que alguns fundos ainda estão se recuperando de anos difíceis, mas estamos falando de bastante ganho para um período curto. E, sim, já é possível reforçar minha mensagem: a recuperação pode vir quando você menos imagina e a pior decisão foi a de quem entrou no pico e saiu no fim do ano passado.

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Agora vai ter quem diga que já é tarde demais. Estou acostumada a ouvir esse discurso, dos que nunca montam um portfólio diversificado e seguem repetindo de forma alternada, como em um disco riscado: “está caindo, melhor não”, “está subindo, melhor não”.

Talvez você mais uma vez deixe passar, mas eu vou cumprir meu papel de analista e planejadora financeira e repetir: a melhor estratégia para investir em fundos de ações é definir um percentual alvo do seu patrimônio, montar uma carteira com mais de três gestores bem selecionados e carregar por pelo menos cinco anos. Nessa janela de tempo, a consistência costuma ser muito interessante.

Minha alocação recomendada é de 30% do patrimônio a ser investido para o longo prazo – já retirada, portanto, a reserva de emergência, que deve ser 3 a 12 vezes seu custo mensal e investida de forma extremante conservadora. Aqui sim você deve perseguir o CDI.

Não tinha fundos de ações até agora, ainda dá tempo? Sim, mas não com base em qualquer expectativa para os próximos meses: no curto prazo, pode subir mais ou pode voltar cair, a única certeza é a volatilidade.

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Bom dizer que a euforia de que trata Templeton ainda não parece reinar: há muita incerteza, aversão a risco e a concorrência dos juros altos. E ainda há também gestores profissionais vendo oportunidades em empresas da Bolsa.

Seja como for, vale começar a montar uma carteira com bons fundos de ações a qualquer momento. O ideal é fazer aos poucos para pegar diferentes pontos de entrada. Esqueça a ideia de que você sabe qual é o melhor momento – se for considerar seus sentimentos, você provavelmente vai entrar na hora errada.

Como diria David Swensen, a maior referência em alocação de fundos do mundo: “investidores sérios não fazem market timing”, ou seja, não tentam adivinhar o momento certo de entrar em uma classe de ativos. No que ficou conhecido como Modelo de Yale, ele recomenda seguir uma alocação estrutural e rebalancear sempre, colocando mais dinheiro no que encolheu.

Não tenho ideia, assim como você, do que vai acontecer no futuro, mas sei que a construção de um portfólio diversificado e a paciência para carregá-lo, muitas vezes nadando contra a corrente, é a prescrição das pessoas que mais fizeram dinheiro com investimentos no mundo. E, mais cedo ou mais tarde, seguir esse método mostra seu valor.

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Prefere não investir em ações? Entendo. Agora, faça um favor ao seu patrimônio e pare de entrar e sair naa errada.

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