Para cada aumento de US$ 10 por barril do Brent, a XP Investimentos estima que o rendimento do fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE yield) aumente aproximadamente 10 pontos percentuais para a Brava e 5 pontos percentuais para a Prio e a Petrobras. Esse indicador sinaliza quanto caixa uma empresa gera para os acionistas proporcionalmente ao preço da ação.
Dentro da sua cobertura, a XP prefere Prio e Petrobras, que estão menos alavancadas em relação aos preços mais altos do petróleo, mas continuam a oferecer o melhor equilíbrio entre risco e retorno. Veja a seguir a análise da corretora para cada empresa:
Petrobras
A XP vê a Petrobras como uma companhia “atraente”, desde que o petróleo se mantenha forte. Com o Brent em níveis mais altos, os rendimentos de fluxo de caixa livre ganham força, podendo chegar a cerca de 12% com o barril a US$ 80. Por outro lado, o valuation da ação perde seu charme caso o Brent se aproxime de US$ 60 por barril, cenário em que o FCFE yield cairia para aproximadamente 4% em 2026.
Prio
A Prio é a preferência da XP, pois continua a oferecer FCFE yield atraente, de cerca de 27% ao ano. A empresa também consegue continuar gerando caixa mesmo se o preço do petróleo Brent cair. Por exemplo, enquanto o FCFE da Petrobras recua para zero quando o Brent atinge US$ 50 por barril, a Prio, por outro lado, ainda oferece FCFE yield próximo a 9% nesse mesmo nível de preço.
Brava Energia
A Brava, por outro lado, é a mais sensível às variações nos preços do petróleo. A XP projeta que a produção da empresa atingirá seu pico em 2027, o que significa que o benefício dos preços mais altos do petróleo será mais significativo para a geração de fluxo de caixa livre no próximo ano.
Para 2027, a corretora acredita que a ação BRAV3 deve oferecer um FCFE yield atraente de cerca de 28%, se o barril do Brent estiver a US$ 65. No entanto, se a estimativa assumir preços mais baixos do petróleo, a geração de caixa será significativamente mais fraca, de cerca de 15% com o Brent a US$ 55 o barril.
O que pode fazer o preço do petróleo subir ainda mais?
A XP destaca que a situação do conflito no Oriente Médio agora se assemelha a um sistema caótico, tanto literalmente quanto no sentido matemático, capaz de evoluir por caminhos altamente divergentes, tornando-a praticamente impossível de prever. No entanto, duas dimensões principais devem ser avaliadas: o escopo e a duração do conflito.
“Por um lado, pode haver uma saída diplomática que alivie as tensões. Por outro lado, a situação pode se deteriorar e se transformar em um conflito regional mais amplo que continue a interromper o fluxo de petróleo, potencialmente por um longo período”, avalia a XP.
Se a produção do Irã fosse interrompida, o impacto no abastecimento global seria significativo, notavelmente maior do que no caso da Venezuela, segundo a corretora. Mesmo assim, essa queda poderia ser parcialmente compensada por uma maior produção em outros países, por meio da capacidade excedente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Isso tornaria o impacto sobre o abastecimento global de petróleo menos problemático se apenas a produção do Irã fosse afetada.
Um outro fator traz mais preocupação para os preços da commodity: o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo. A XP estima que, se a interrupção se prolongar no canal, o impacto no mercado poderá ser grave e potencialmente elevar os preços do Brent acima de US$ 100 por barril.