No Brasil, o destaque é o IPC Fipe, índice que mede a variação de preços na cidade de São Paulo e serve como termômetro complementar das pressões inflacionárias, os números do Produto Interno Bruno (PIB) do quarto trimestre de 2025 e dos dados do Caged de criação de vagas formais em janeiro.
Já no Japão, investidores acompanham o leilão de títulos públicos de 10 anos e o discurso do presidente do Banco do Japão, que pode oferecer pistas sobre os próximos passos da política monetária no país.
Na Europa, sai a prévia da inflação ao consumidor, dado central para calibrar expectativas sobre decisões do Banco Central Europeu. Nos Estados Unidos, o dia reúne o Índice de Gerentes de Logística, o Redbook de vendas no varejo e o índice de otimismo econômico RCM TIPP. No fim da tarde, os estoques de petróleo medidos pelo American Petroleum Institute entram no radar do mercado de energia, em meio à recente volatilidade da commodity.
Na segunda-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,28%, aos 189.307,02 pontos, após inverter o sinal ao longo da tarde. O movimento ocorreu em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que impulsionaram o petróleo no mercado internacional. A valorização da commodity sustentou ações de petroleiras, com destaque para a Petrobras (PETR3; PETR4), que avançaram mais de 4% no fechamento.
Ibovespa hoje: veja os destaquem do pregão desta terça-feira (3)
Temores no Oriente Médio causam aversão mundial a risco
Os investidores fogem do risco diante da escalada dos conflitos com o Irã, que fechou o Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar qualquer navio que tentar passar. O estreito concentra cerca de 20% do fluxo global do petróleo. Os EUA negam que a passagem esteja fechada. O petróleo avançava mais 6% há pouco.
Já os contratos de gás natural na Europa disparavam mais de 20%, após uma paralisação da produção na maior instalação de exportação de gás natural liquefeito do mundo, no Catar. As Forças de Defesa de Israel informaram que conduzem “ataques simultâneos contra alvos militares em Teerã e Beirute”. E Trump prometeu retaliação após o ataque à Embaixada americana em Riad, na Arábia Saudita.
A ofensiva de Israel e EUA contra o Irã começou no sábado e resultou no assassinato do líder supremo do regime iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. O economista-chefe do BCE, Philip Lane disse que uma guerra prolongada pode impulsionar fortemente a inflação na zona do euro e prejudicar seu crescimento econômico.
A guerra respinga diretamente nas bolsas mundiais. Na Europa, os mercados abriram em queda firme nesta terça-feira, estendendo fortes perdas de ontem e, às 7h57 (de Brasília), a Bolsa de Londres caía 1,10%, a de Paris recuava 1,37% e a de Frankfurt perdia 1,73%. As de Milão, Madri e Lisboa, por sua vez, tinham respectivas quedas de 1,97%, 1,68% e 2,01%.
Nas bolsas de Nova York, às 7h37 (de Brasília), o Dow Jones futuro caía 1,04%, o S&P 500 recuava 1,07% e o Nasdaq tinha queda de 1,34%.
As bolsas asiáticas fecharam em forte baixa hoje. Liderando as perdas na Ásia, o índice sul-coreano Kospi sofreu um tombo de 7,24% em Seul – no seu pior pregão em 19 meses -, na volta de um feriado. As fabricantes de semicondutores Samsung Eletronics – maior blue chip do Kospi – e SK Hynix amargaram respectivas quedas de 9,88% de 11,50%.
Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei caiu 3,06% em Tóquio; o Hang Seng recuou 1,12% em Hong Kong e o Taiex cedeu 2,20% em Taiwan.
Na China continental, o Xangai Composto teve baixa de 1,43%, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto registrou perda mais expressiva, de 3,24%. Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho, com baixa de 1,34% do S&P/ASX 200 em Sydney.
Commodities e dólar
Os contratos futuros do petróleo operam em alta de cerca de 3% na madrugada desta terça-feira, depois de saltarem mais de 6% ontem, à medida que a guerra no Oriente Médio mantém elevados os riscos de corte na oferta da commodity.
“O conflito militar em andamento entre os Estados Unidos/Israel e o Irã enviou ondas de choque pelos mercados globais de energia”, afirma Kerstin Hottner, da Vontobel, em e-mail.
“O Estreito de Ormuz, um ponto vital para o comércio global de energia, efetivamente cessou operações como resultado do conflito”, diz a chefe de commodities.
“À medida que a situação se desenrola, a duração e a intensidade do conflito serão fatores-chave que moldarão o cenário energético no curto prazo”, acrescenta Hottner.
Às 7h31 (de Brasília), o barril do petróleo WTI para abril subia 2,78% na Nymex, a US$ 73,20, enquanto o do Brent para maio aumentava 3,22% na ICE, a US$ 80,24.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em alta de 0,67%, cotado a 753,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 109,47.O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em alta de 0,48%, a 733 yuans, o equivalente a US$ 106,49 por tonelada.
Os contratos futuros do cobre, da prata e do ouro recuam. Analistas do BMI dizem que, sem um consenso claro sobre a duração do conflito e o prêmio associado, os mercados devem buscar ativos considerados mais seguros, como o ouro, o que deve dar sustentação aos preços do metal precioso. Na Comex, às 7h49 (de Brasília), o cobre para maio tinha queda de 2,24%, a US$ 5,8140 a libra-peso, enquanto o ouro para abril caía 1,00%, a US$ 5.258,00 por onça-troy, e a prata para maio perdia 7,52%, a US$ 82,020 por onça-troy. Em Londres, o cobre para três meses recuava 1,70%, a US$ 12.861,50 por tonelada.
O dólar, por sua vez, opera em alta em relação a outras moedas de economias desenvolvidas. Às 7h49 (de Brasília), o euro caía a US$ 1,1650, a libra recuava a US$ 1,3339 e o dólar avançava a 157,39 ienes. Já o índice DXY do dólar – que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes – tinha alta de 0,46%, a 98,83 pontos.
O que mais esperar do principal índice da B3
Os ativos domésticos devem ser atingidos pela cautela diante das tensões geopolíticas. O EWZ, principal ETF brasileiro negociado em NY, perdia 2,72% às 7h07 no pré-mercado. Os ADRs da Vale estavam em queda, mas os da Petrobrás subiam diante do avanço do petróleo.
O dólar sobe ante maioria das moedas, o que pode pesar contra o real, e os rendimentos dos Treasuries também avançam e podem manter a curva de juro aqui pressionada. A reação aos números do Caged e PIB pode ser limitada pelo exterior.
O embaixador Celso Amorim assessor especial do presidente Lula disse ontem que o conflito no Oriente Médio terá uma dimensão maior do que a invasão americana no Iraque, em 2003, que capturou o ditador Saddam Hussein.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad disse ontem que há espaço para melhorar a situação das contas públicas, ao falar da política fiscal a ser adotada no próximo governo. O ministro também disse que avalia o pedido do presidente Lula para que ele se candidate ao governo de São Paulo.
Esses e outros indicadores influenciam os humores do mercado nesta terça-feira e moldam os resultados do Ibovespa hoje.