Vale lembrar que cair na malha não significa, necessariamente, problemas com o Leão — não significa que existe erro. Apenas indica que alguma informação precisa ser comprovada. Enquanto a declaração estiver em análise, a restituição fica retida e não é paga até que a situação seja resolvida.
Checklist para não cair na malha
1- Saiba se você está mesmo obrigado a declarar
O primeiro passo para não cair nessa situação é garantir que o beneficiário está, de fato, obrigado a declarar. Pelas regras atualizadas da Instrução Normativa RFB nº 2.312/2026, deve prestar contas quem recebeu mais de R$ 35.584,00 em rendimentos tributáveis em 2025. Também entram na lista contribuintes com rendimentos isentos acima de R$ 200 mil, patrimônio superior a R$ 800 mil, receita rural acima de R$ 177.920,00 ou que realizaram operações em Bolsa com vendas acima de $R 40 mil ou ganhos tributáveis. A Receita também mantém atenção redobrada sobre investimentos no exterior, incluindo lucros, dividendos, aplicações financeiras e estruturas como trusts (empresa que oferece a terceirização da administração de bens e direitos de uma pessoa ou grupo familiar).
2- Preencha com muita atenção
Superada essa etapa, o cuidado maior está no preenchimento correto das informações. Rendimentos são um dos principais pontos de inconsistência, é essencial conferir se os valores declarados batem exatamente com os informes enviados pelas fontes pagadoras, além de verificar se o CNPJ está correto e se há rendimentos em nome de dependentes que precisam ser incluídos.
3- Verifique as deduções
Outro foco recorrente da malha fina são as deduções. No caso das despesas médicas, só podem ser abatidos gastos que se enquadram nas regras da Receita e que tenham comprovação adequada. Entram nessa lista pagamentos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, entre outros profissionais de saúde, sempre com recibos ou notas fiscais contendo identificação completa do prestador e do paciente. Por outro lado, despesas com nutricionistas, vacinas ou medicamentos não são dedutíveis.
Também é preciso atenção aos planos de saúde. Apenas os valores efetivamente pagos, sem reembolso, podem ser abatidos, e é indispensável ter os comprovantes detalhados.
Já quem declara despesas via Livro Caixa deve observar uma regra básica: apenas profissionais liberais, autônomos, titulares de cartório e leiloeiros podem utilizar essa dedução. Caso contrário, o correto é excluir esse item para evitar questionamentos.
4- Pensão alimentícia pode te complicar com o IR
Pagamentos de pensão alimentícia também exigem precisão. Só podem ser deduzidos valores definidos em decisão judicial, acordo homologado ou escritura pública. Pagamentos feitos por iniciativa própria, sem formalização legal, não são aceitos pela Receita.
Caí na malha fina, o que fazer?
Mesmo com todos os cuidados, se a declaração cair na malha fina, o caminho é acompanhar a situação pelo aplicativo ou site “Meu Imposto de Renda“, na aba “Pendências de malha“. Ali é possível identificar o motivo da retenção e corrigir eventuais erros por meio de uma declaração retificadora.
Caso a divergência exija comprovação, o contribuinte pode antecipar o envio de documentos pelo e-CAC, em formato digital. É importante apresentar não apenas os comprovantes relacionados à pendência, mas todos os documentos que sustentam as informações declaradas. Se estiver tudo correto, a declaração é liberada e volta ao fluxo normal, inclusive para pagamento da restituição, respeitando a fila e os critérios de prioridade.
Em situações mais formais, como quando há uma notificação de lançamento, o contribuinte pode solicitar a retificação do IR 2026 por meio de processo digital na Receita Federal. O pedido exige documentação, identificação e um requerimento assinado. Caso seja negado, ainda há a possibilidade de contestação em até 30 dias.