O resultado de hoje assegurou ganho de 4,93% na semana, o terceiro avanço seguido para o intervalo. Foi também o nono dia consecutivo de alta para o índice, selando a melhor semana para o Ibovespa desde 19 a 23 de janeiro. No mês, o Ibovespa sobe 5,26% e, no ano, avança 22,47%, tendo renovado em 2026 recordes de encerramento em 16 ocasiões, com a de hoje.
Na B3, as principais blue chips avançaram nesta sexta-feira, como Vale (VALE3 +1,06%) e Petrobras (PETR3 +2,49%, PETR4 +2,36%, ambas nas máximas do dia no fechamento), enquanto os ganhos entre os maiores bancos chegaram a 0,74% (Bradesco BBDC4).
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, aponta que o dólar hoje reagiu às expectativas mais favoráveis em relação ao cenário externo, sobretudo no que diz respeito ao Oriente Médio e, em menor grau, ao fluxo positivo em relação ao Brasil, impulsionado ainda pela abertura da curva de juros. Essa, por sua vez, foi reflexo do IPCA acima das expectativas.
Os dados do IPCA vieram bastante acima das expectativas, ao registrar alta de 0,88% em março. Embora uma leitura cheia ruim, e que limita o Copom no curto prazo, parte significativa da surpresa da alta veio de itens como combustíveis, refletindo impacto direto do choque dos preços do petróleo. “Ou seja, se de fator houver a normalização destes preços, com um acordo de paz para o conflito, é razoável esperar a reversão destes preços”, analisa Perri.
Destaque da agenda global nesta conclusão de semana, a inflação nos Estados Unidos subiu ao maior nível em dois anos, puxada pelos preços de energia com a guerra no Oriente Médio. Ainda assim, a primeira leitura desde o início do conflito, no fim de fevereiro, veio em linha com o cenário de Wall Street, que manteve a expectativa de retomada dos cortes de juros nos EUA apenas entre junho e setembro de 2027, reporta de Nova York a correspondente da Broadcast, Aline Bronzati. Os principais índices de ações em Nova York perderam fôlego à tarde e mostraram variação entre -0,56% (Dow Jones) e +0,35% (Nasdaq) no fechamento, à espera das negociações deste fim de semana entre EUA e Irã, mediadas pelo Paquistão na capital, Islamabad. Os rendimentos dos Treasuries avançaram na sessão, e os contratos futuros do Brent e do WTI tiveram baixa em torno de 1%, em Londres e Nova York, devolvendo recuperação parcial após o tombo do meio da semana, quando cederam dois dígitos na quarta-feira ante a visão de cessar-fogo.
Já a bolsa brasileira se descolou do exterior, sustentado por um movimento de rotação global e forte fluxo estrangeiro na bolsa brasileira.
Dentre os destaques positivos, paradoxalmente ao recuo dos preços do petróleo, estão as petroleiras, após decisão judicial que derrubou a cobrança de imposto sobre a exportação de petróleo bruto. Entre as maiores altas do pregão ficaram as ações ordinárias da Petrobras (PETR3), que registraram forte alta de 2,49%, a R$ 54, enquanto os papéis preferenciais da estatal (PETR4) avançavam 2,36%, para R$ 49,03.
Destaque ainda para o setor de utilities, como energia elétrica e saneamento e os bancos que sobem com o fluxo estrangeiro vindo ao Brasil. Exemplos são Engie (EGIE3), Eneva (ENEV3), Sabesp (SBSB3) e B3 (B3SA3), que subiram 4,64%, 2,73%, 2,46% e 1,83%, respectivamente.
Com alta de 13,05%, Hapvida (HAPV3) também foi destaque da sessão, com a troca no management e a perspectiva de venda de ativos e desalavancagem.
Na ponta negativa, CSN (CSNA3)caiu com recomendação de venda pelo Morgan Stanley, enquanto Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) sofrem com prévias de resultados mal recebidas pelo mercado.
Resultado do IPCA
O IPCA subiu 0,88% em março, resultado acima do teto das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de 0,82%, com mediana positiva de 0,77% e piso de aumento de 0,47%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa acumulada em 12 meses ate março foi de 4,14%, acima da mediana que indicava avanço de 4,03%, mas dentro lo intervalo das projeções, que iam de 3,72% a 4,40%.
“A inflação veio mais forte do que o esperado e mostra que energia e alimentos seguem pressionando os preços, já sob influência do cenário global”, afirma Pablo Spyer, conselheiro da Ancord.
O especialista explica que ainda não é uma crise inflacionária, “mas é um sinal de alerta”. Para o investidor, isso significa um Banco Central mais cauteloso nos próximos passos. “Ou seja, apoiando um corte mais moderado neste mês de abril”, acrescenta.
Para a Genial Investimentos, a surpresa apareceu de forma disseminada entre os grupos. “Dos 13 bps de surpresa, 5 bps vieram de gasolina, o que mostra a vasta contribuição dos combustíveis no número”, explica Gabriel Pestana, economista sênior da Genial. Entretanto, ele reitera que, desconsiderando estes, a mensagem de deterioração da inflação de curto prazo ainda estaria presente.
Já nos administrados, o principal destaque foi a gasolina, com alta de 4,59% m/m, em linha com as coletas da ANP, o que sugere pressão adicional para os próximos IPCA, com a última rodada de coleta.
O diesel também chamou atenção, com alta de 13,90% em março, apesar do baixo peso no índice. “Em conjunto, o IPCA de março reforça a escalada dos combustíveis e aumenta o risco de efeitos indiretos sobre os demais grupos nos próximos meses, especialmente por meio do custo do frete”, conclui Pestana.
Bolsas nos EUA e Europa
As Bolsas europeias fecharam majoritariamente em alta, enquanto os índices de Nova York encerraram o pregão com desempenho misto (Dow Jones e S&P 500 em queda e Nasdaq em alta), com o petróleo abaixo de US$ 100 o barril, sustentado pelas incertezas sobre o Estreito de Ormuz e pelas frágeis negociações entre EUA e Irã, após Teerã condicionar a reabertura da rota ao fim dos ataques israelenses no Líbano.
A fraqueza nas Bolsas americanas, após dois dias de altas em Wall Street, ajudou a limitar o fôlego do Ibovespa na sessão, acima dos inéditos 195 mil pontos.
O Dow Jones caiu 0,56%, o S&P 500 recuou 0,11% e o Nasdaq subiu 0,35%. Na Europa, as Bolsas fecharam com desempenho misto, com Londres caindo 0,03%, Paris subindo 0,17% e Frankfurt praticamente estável, com leve recuo de 0,01%.
Os mercados reagiram hoje fundamentalmente às perspectivas de que possa se alcançar paz mais duradoura no Oriente Médio, de olho nas negociações entre Estados Unidos e Irã que acontecerão ao longo do fim de semana no Paquistão. Esse movimento derrubou as cotações do petróleo para abaixo de US$ 100, mas sustentou cautela ao redor do mundo, com os mercados americanos sem viés definido.
Sob pressão do presidente americano Donald Trump, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu autorizou negociações com o Líbano, embora os bombardeios sejam mantidos, ao mesmo tempo em que Trump criticou o Irã por suposta cobrança de taxas a petroleiros que atravessam Ormuz e exigiu a suspensão imediata da prática.
Petróleo e treasuries
Após voltar a rondar os US$ 100, o petróleo passou a oscilar com mais intensidade, refletindo um mercado sem direção clara. No fechamento, o WTI para maio caiu 1,33%, a US$ 96,57, enquanto o Brent para junho fechou com desvalorização de 0,75%, a US$ 95,20.
Já os Treasuries registraram leve queda nos rendimentos, com o juro da T-Note de 2 anos com alta de 0,o4%, o de 10 anos com baixa de 0,14% e o do T-Bond de 30 anos recuou 0,17%.
Como o mercado enxerga o conflito com o Irã?
O mercado precifica 57% de chance de normalização do tráfego na via até 1º de julho, enquanto, para a inflação americana, a mediana das projeções aponta alta de 0,9%, acima dos 0,3% de fevereiro, e de 3,4% em 12 meses, após 2,4% no mês anterior, com apostas no CME Group indicando cortes de juros apenas entre julho e setembro do próximo ano.
Fonte: Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet