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Investimentos

Juros altos sustentam ganhos no Tesouro Direto, mas volatilidade desafia investidor; veja as opções do dia

Com Selic a 14,75% ao ano, títulos públicos seguem oferecendo retornos elevados, enquanto oscilações na curva de juros e cenário externo exigem mais estratégia

Por Isabela Ortiz

16/04/2026 | 9:32 Atualização: 16/04/2026 | 9:32

Com juros elevados, Tesouro Direto mantém retornos atrativos, mas volatilidade da curva exige atenção do investidor (Foto: Adobe Stock)
Com juros elevados, Tesouro Direto mantém retornos atrativos, mas volatilidade da curva exige atenção do investidor (Foto: Adobe Stock)

O atual momento do Tesouro Direto reflete um cenário atrativo para o investidor, mas também mais instável do que nos últimos meses. Com a taxa básica de juros em patamar elevado, os títulos públicos continuam oferecendo retornos robustos, ainda que sujeitos a oscilações frequentes no curto prazo.

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“Hoje os títulos do Tesouro seguem em um patamar ainda elevado, com a Selic em 14,75% ao ano, o que mantém o Tesouro Selic competitivo e os prefixados girando próximos de 13% a 14%, enquanto os papéis atrelados à inflação continuam oferecendo prêmios relevantes, na faixa de IPCA mais 7%”, afirma André Matos, CEO da MA7 Negócios.

Esse nível de remuneração reflete, em grande medida, o esforço do Banco Central em manter a inflação sob controle, o que sustenta juros altos por mais tempo. Na prática, isso beneficia principalmente o investidor mais conservador, que encontra no Tesouro Selic uma alternativa de baixo risco com retornos expressivos, algo incomum em ciclos anteriores de política monetária mais frouxa.

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Por outro lado, segundo Matos, “o que mudou nos últimos dias é o aumento da volatilidade, já que o mercado tem ajustado essas taxas com frequência em função de dados de inflação, expectativas para o ritmo de cortes do BC e, principalmente, do cenário externo, com impacto de commodities e juros globais”.

Esse movimento está diretamente ligado à dinâmica da curva de juros, que reage quase em tempo real a novos dados e sinalizações. Indicadores de inflação mais fortes, por exemplo, tendem a elevar as taxas dos títulos, enquanto sinais de desaceleração econômica podem produzir o efeito contrário. Além disso, fatores internacionais, como a trajetória dos juros nos Estados Unidos ou oscilações no preço de commodities, também influenciam o comportamento dos títulos brasileiros.

Nesse contexto, o desempenho do Tesouro Direto ao longo do ano não é uniforme entre os diferentes perfis de investidor.

“No acumulado do ano, o desempenho do Tesouro Direto depende muito da marcação a mercado, enquanto o investidor mais conservador segue ancorado na Selic, que ainda oferece retorno elevado com baixa volatilidade”, explica o especialista.

Diante disso, mais do que tentar prever a direção dos juros, o investidor precisa entender a sensibilidade desses ativos às mudanças de cenário. Como explica Matos, “hoje, mais do que direção, o que define o Tesouro é sensibilidade, porque qualquer mudança em inflação, política monetária ou cenário global mexe rapidamente com a curva de juros no Brasil”.

Tesouro Selic

No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.

Tesouro IPCA+

Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios relevantes. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,07% e 6,86%, respectivamente.

A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.

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No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.

Tesouro Renda+

Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,14% em 2049 e vão caindo gradualmente até cerca de 6,82% nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflação no longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.

Tesouro Educa+

Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,62%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 6,97% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.

O quadro atual do Tesouro Direto mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.

 

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