Por volta das 12h30 (de Brasília), o Brent para junho subia cerca de 3,44%, na casa de US$ 98,20, enquanto o WTI para maio avançava perto de 2,39%, a US$ 93,47. Mais cedo, os contratos chegaram a ganhar um pouco mais de tração, refletindo a leitura de que o conflito entrou em uma fase mais dependente de negociação.
O mercado acompanha relatos de que as duas partes (EUA e Irã) avaliam estender o cessar-fogo por mais duas semanas, criando uma janela adicional para um acordo. Mediadores atuam para destravar pontos sensíveis, como a reabertura do Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano, dois eixos que seguem no centro da formação de preços.
Ao mesmo tempo, autoridades americanas mantêm o tom de pressão, indicando que estão prontas para retomar operações caso não haja avanço nas negociações.
No mercado acionário, às 11h10, a Petrobras (PETR3; PETR4) avança acompanhando o petróleo, com alta de 3,26% nas ações ordinárias, a R$ 53,18, e de 2,62% nas preferenciais, a R$ 48,12. No restante do setor, o sinal também é positivo, com Prio (PRIO3) em alta de 1,33%, a R$ 64,03, PetroReconcavo (RECV3) avançando 1,55%, a R$ 13,72, e Brava Energia (BRAV3) subindo 1,18%, a R$ 21,48, em linha com um ambiente de otimismo e cautela.
Além do petróleo, o radar da Petrobras inclui a Assembleia Geral Ordinária marcada para esta quinta-feira, que vai definir a composição do conselho de administração para os próximos dois anos, um vetor adicional de atenção para investidores em um momento de sensibilidade elevada ao noticiário.
Repsol reacende vetor de oferta na Venezuela
No campo estrutural, a espanhola Repsol anunciou um acordo com o governo venezuelano e a PDVSA para retomar o controle operacional de ativos no país, em um movimento que sinaliza uma reativação gradual da indústria local.
A companhia planeja elevar a produção atual, de cerca de 45 mil barris por dia, em 50% no intervalo de um ano e triplicá-la em até três anos, caso as condições operacionais e regulatórias sejam mantidas. O plano se ancora em uma flexibilização recente do ambiente regulatório, respaldada por licenças concedidas pelos Estados Unidos que permitem a atuação de petroleiras estrangeiras na Venezuela.
Embora ainda incipiente diante do tamanho do mercado global, a iniciativa aponta para um vetor relevante no médio prazo. Em um cenário marcado por restrições de oferta e elevada sensibilidade geopolítica, qualquer sinal de recomposição produtiva tende a ganhar peso na precificação.
Entre risco e negociação, o petróleo muda de fase
O mercado ainda convive com incertezas relevantes sobre o Oriente Médio, ao mesmo tempo em que começa a testar um novo regime, em que o preço não responde apenas ao risco de ruptura, mas também à viabilidade de coordenação entre as partes.
No plano geral, o avanço do petróleo também encontra suporte em um ambiente global ainda marcado por incertezas. Dados de atividade nos Estados Unidos, como os pedidos de auxílio-desemprego abaixo do esperado, e a sinalização de que bancos centrais seguem atentos ao impacto da energia sobre a inflação reforçam a leitura de que o choque no petróleo continua sendo uma variável relevante para a política monetária.
Nesse ambiente, o petróleo se afasta dos movimentos bruscos recentes e passa a operar como um ativo em transição, menos guiado por choques imediatos e mais sensível ao ritmo, ainda incerto, das negociações. Mais do que reagir ao conflito, o mercado começa a precificar o tempo e a viabilidade de um acordo.
Com informações do Broadcast