O IR no Brasil segue um modelo progressivo. Em vez de aplicar uma única alíquota sobre toda a renda, o sistema divide o salário em “pedaços”, que são tributados separadamente conforme avançam nas faixas. Na prática, isso evita saltos bruscos de tributação, mas não impede que aumentos salariais levem o contribuinte a pagar mais imposto ao ultrapassar determinados limites.
O cálculo não começa diretamente no salário bruto. Antes, entram descontos obrigatórios, como a contribuição ao INSS, e também a possibilidade do desconto simplificado, que reduz automaticamente a base de cálculo. É sobre esse valor final que a tabela do IR é aplicada.
A estrutura atual segue organizada em cinco faixas, com alíquotas que variam de 0% a 27,5%, além de parcelas fixas de dedução que ajudam a ajustar o valor final devido. Veja como funciona:
| Faixa |
Renda Mensal (R$) |
Alíquota |
Dedução (R$) |
| Faixa 1 |
Até 2.428,80 |
Isento |
0,00 |
| Faixa 2 |
De 2.428,81 até 2.826,65 |
7,5% |
182,16 |
| Faixa 3 |
De 2.826,66 até 3.751,05 |
15% |
394,16 |
| Faixa 4 |
De 3.751,06 até 4.664,68 |
22,5% |
675,49 |
| Faixa 5 |
Acima de 4.664,68 |
27,5% |
908,73 |
Embora a alíquota máxima seja de 27,5%, poucos contribuintes pagam esse percentual sobre toda a renda. Em cada faixa só incide imposto sobre a parcela correspondente do salário. É justamente esse mecanismo que reduz a chamada “alíquota efetiva”, ou seja, o percentual real pago no fim das contas.
Para entender melhor, considere um trabalhador com renda mensal de R$ 4 mil em rendimentos tributáveis. Após o desconto automático de R$ 607,20 (criado pelo governo para alcançar quem ganhava até R$ 3.036), a base de cálculo cai para R$ 3.392,80. Esse valor se enquadra na terceira faixa, mas o imposto é distribuído entre diferentes níveis da tabela:
| Faixa |
Parcela na faixa (R$) |
Alíquota |
Imposto pago (R$) |
| 1 |
Até 2.428,80 |
Isento |
0,00 |
| 2 |
397,85 |
7,5% |
29,84 |
| 3 |
566,15 |
15% |
84,92 |
| 4 |
0,00 |
22,5% |
0,00 |
| 5 |
0,00 |
27,5% |
0,00 |
| Total |
3.392,80 |
Alíquota efetiva: 2,86% |
114,76 |
Fonte: Receita Federal
Nesse caso, apesar de o contribuinte estar na faixa de 15%, o imposto total pago representa apenas 2,86% da renda tributável. Isso acontece porque grande parte do salário ainda está nas faixas inferiores, com alíquotas menores ou até isentas.
Outra forma de fazer essa conta é aplicar diretamente a alíquota cheia da faixa correspondente sobre a base de cálculo e, depois, subtrair a parcela de dedução indicada na tabela. Esse método chega ao mesmo resultado final, mas com menos etapas.
Veja os valores de dedução atualmente aplicáveis:
| Faixa |
Dedução (R$) |
| Faixa 1 |
0,00 |
| Faixa 2 |
182,16 |
| Faixa 3 |
394,16 |
| Faixa 4 |
675,49 |
| Faixa 5 |
908,73 |
Mesmo com essa lógica mais equilibrada, a tabela do Imposto de Renda ainda recebe críticas. Ao longo dos anos, nem sempre os valores foram corrigidos integralmente pela inflação. Na prática, isso pode fazer com que trabalhadores que tiveram apenas reajustes salariais para recompor perdas acabem migrando para faixas mais altas, e, consequentemente, pagando mais imposto.
No fim das contas, entender quanto a Receita “morde” do salário vai além de olhar a alíquota nominal. O valor efetivo depende de uma combinação de renda, descontos, modelo de cálculo e até o tipo de declaração escolhido. Ainda assim, conhecer a tabela e suas regras é o primeiro passo para evitar surpresas e organizar melhor o orçamento.