Lucro do Santander (SANB11) cai 1,9% no 1T26 e inadimplência avança em meio a juros altos
ROE bate os 16% diante da carteira de crédito pressionada pela Selic em dois dígitos, mas filial brasileira ainda ocupa a segunda posição no mundo em ganhos
O Santander Brasil (SANB11) anunciou nesta quarta-feira (29) lucro líquido gerencial, que desconsidera o ágio de aquisições, de R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), queda de 1,9% ante o registrado em igual período de 2025. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve redução de 7,3%. Por outro lado, o banco viu a inadimplência subir no período.
Apesar da leve baixa neste semestre, o lucro do Santander Brasil no 1T26 foi novamente o segundo maior do grupo no mundo, atrás apenas do resultado da Espanha, de acordo com balanço da matriz divulgado mais cedo nesta quarta-feira. No período, o ganho no Brasil somou 509 milhões de euros, abaixo dos 1,147 bilhão de euros da matriz. No total, o resultado do grupo espanhol somou 3,165 bilhões de euros no período.
O Prévias Broadcast considera o resultado em linha com as estimativas quando as variações são de até 5% para baixo ou para cima. A expectativa do mercado era de um ganho de R$ 4 bilhões, de acordo com a média das projeções das seis casas: Safra, Citi, Itaú BBA, BTG Pactual, Bank of America e XP Investimentos.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do Santander caiu 1,5 ponto porcentual (p.p.) em um ano, para 16,0%. Ante o quarto trimestre, a baixa foi de 1,6 p.p..
Os ativos totais somaram R$ 1,286 trilhão de janeiro a março, alta de 4,2% em um ano e aumento de 2,5% ante o trimestre imediatamente anterior. O patrimônio líquido, por sua vez, totalizou R$ 97,523 bilhões, alta de 7,7% em base anual e avanço de 2,0% em base comparativa.
“Mantivemos o foco na execução da nossa estratégia, com ambição de sermos a principal plataforma financeira na vida de nossos clientes. Avançamos de forma contínua e consistente na construção de uma operação cada vez mais diversificada, sólida e rentável, preparada para crescer de maneira sustentável ao longo do tempo”, diz o banco em seu documento de resultados.
Crédito para pessoas físicas sofre queda
A carteira de crédito ampliada do Santander chegou a R$ 705,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve queda de 0,4%.
Na comparação anual, a carteira de financiamento ao consumo subiu 14,2%, para R$ 95,442 bilhões; a de pequenas e médias empresas cresceu 9,9%, para R$ 93,704 bilhões. Já a carteira de pessoas físicas caiu 1,1% no confronto anual, para R$ 265,261 bilhões.
A carteira total de veículos para pessoa física, que inclui as operações realizadas tanto pela financeira como pelos canais de distribuição do banco, somou no trimestre R$ 82,349 bilhões, com alta de 2,1% ante o trimestre anterior e de 8,8% em 12 meses. A carteira de cartão de crédito pessoa física atingiu R$ 63,359 bilhões, com queda de 3,1% ante o trimestre anterior e alta de 9,1% ante um ano.
O crédito consignado totalizou R$ 58,046 bilhões, com redução de 5,2% ante o trimestre anterior e de 15,5% ante um ano.
A carteira de pessoa jurídica subiu 4,3% em 12 meses, para R$ 344,9 bilhões no primeiro trimestre. Já a carteira rural à pessoa física teve queda anual de 12,6%, a R$ 9,089 bilhões no primeiro trimestre. A carteira rural à pessoa jurídica teve queda de 6,2% anual, a R$ 11,081 bilhões.
Inadimplência sobe com pressão dos juros brasileiros
O head de política monetária do Santander avalia que a melhora no cenário externo ainda não é suficiente para o Banco Central acelerar o ritmo de queda da Selic. (Imagem: Adobe Stock)
A taxa de inadimplência da carteira de crédito do Santander registrou uma piora nos primeiros meses de 2026, em meio aos desafios macroeconômicos gerados pela Selic restritiva. O indicador, para atrasos acima de 90 dias, fechou o primeiro trimestre em 3,3%, comparado com 2,8% em igual período do ano anterior e 3,1% no quarto trimestre de 2025.
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Na carteira de crédito de pessoas físicas, os atrasos acima de 90 dias fecharam o trimestre em 4,9%, acima do observado no mesmo período do ano anterior (4,3%). Segundo o Santander, o movimento concentrou-se na baixa renda, que foi afetada por manutenção de um cenário econômico mais desafiador.
A inadimplência em pessoas jurídicas subiu para 1,8%, de 1,3% um ano antes, pelo mesmo critério. O movimento foi puxado principalmente por pequenas e médias empresas, em que o índice avançou 0,5 ponto porcentual no período, para 6,0%. Em grandes empresas, houve piora de 0,2 ponto porcentual, para 0,2%.
A inadimplência de curto prazo, entre 15 e 90 dias, ficou em 3,4%, de 3,3% um ano antes e 3,3% no fechamento do trimestre anterior. No atacado, por essa métrica, o indicador atingiu 0,2%, de 0,1% 12 meses antes, diante do aumento nos casos de recuperação judicial, de acordo com o banco
A carteira renegociada atingiu R$ 50,1 bilhões. A entrada de créditos em atraso, conhecida como NPL formation, somou R$ 7,2 bilhões, alta de 7,6% no trimestre e de 2,7% no ano. Já o índice de cobertura da carteira em estágio 3 ficou em 67,6% no período, ante 66,4% no trimestre anterior e 74,1% em igual intervalo de 2025.
Provisões contra calotes atinge R$ 6,3 bilhões no 1T26
Diante do cenário de inadimplência, as despesas líquidas da companhia com provisões para devedores duvidosos (PDD) no 1T26 chegaram a R$ 6,344 bilhões no primeiro trimestre, volume 0,7% menor que o do igual intervalo de 2025. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o indicador subiu 3,9%. No período, foram constituídos R$ 6,827 bilhões em provisões, com queda anual de 2,6% e alta trimestral de 0,9%, enquanto as recuperações de créditos somaram R$ 483 milhões, queda anual de 22,4% e trimestral de 27,2%.
Segundo o banco, o movimento no ano refletiu principalmente fatores macroeconômicos, com altas taxas de juros e elevado nível de endividamento das famílias. Comparando-se com o trimestre anterior, contudo, a instituição vê melhoria no mix de carteira, com maior participação de operações de menor risco, o que se refletiu em um melhor perfil de crédito.
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Ainda no balanço do Santander (SANB11) no 1T26, o custo de crédito anualizado atingiu 3,73%, estável no trimestre e no ano, reflexo da queda das despesas com provisões paralela ao movimento de crescimento moderado da carteira.