BTG Pactual, BB Investimentos, Ágora, Terra e Planner mantiveram, em linhas gerais, a estrutura de suas carteiras anteriores. O movimento predominante foi de calibração: inclusão de ativos com pagamentos mais próximos no calendário, revisão de pesos e, em alguns casos, substituições táticas para melhorar a visibilidade de retorno no curto prazo.
Como desafio, a combinação de juros ainda elevados, incertezas no cenário externo e uma dinâmica doméstica heterogênea deixam o mercado acionário mais seletivo. Nesse contexto, empresas com geração de caixa resiliente e histórico consistente de distribuição ocupam lugar central dentre escolhas.
Ajustes pontuais e foco em proventos no curto prazo
A Planner promoveu a principal rotação, substituindo nomes após eventos recentes de distribuição e abrindo espaço para ativos com pagamentos mais próximos no calendário. Saíram Bradesco (BBDC4), CPFL Energia (CPFE3), Iguatemi (IGTI11) e ISA Energia Brasil (ISAE4). Entraram Banrisul (BRSR6), Eztec (EZTC3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Moura Dubeux (MDNE3). ENGIE Brasil Energia (EGIE3) permaneceu na relação.
A manutenção de ENGIE Brasil está associada à aprovação de dividendos complementares de R$ 0,4883 por ação, com pagamento previsto para 20 de maio. Entre as inclusões, o Banrisul também chega com provento aprovado, enquanto Eztec e Moura Dubeux aparecem com estimativas de distribuição, apoiadas em desempenho operacional recente. Itaú Unibanco segue sustentado por uma política recorrente de juros sobre capital próprio (JCP) e pagamentos adicionais ao longo do ano.
| Ações |
| Banrisul (BRSR6) |
| ENGIE Brasil (EGIE3) |
| Eztec (EZTC3) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) |
| Moura Dubeux (MDNE3) |
Carteiras preservam base e reforçam setores defensivos
Outras casas optaram por menor grau de intervenção. A Terra Investimentos manteve sua carteira inalterada, concentrada em cinco ativos com pesos iguais. O portfólio está ancorado em empresas com forte geração de caixa e histórico consistente de distribuição, como Itaúsa (ITSA4), Bradespar (BRAP4), Petrobras (PETR4), Cemig (CMIG4) e BB Seguridade (BBSE3).
A composição reflete a preferência por setores tradicionais na agenda de dividendos, com destaque para bancos, utilities (serviços essenciais) e energia. Petrobras permanece como uma das principais teses, sustentada pela geração de caixa do pré-sal. Já BB Seguridade e Itaúsa oferecem exposição a modelos de negócio com menor intensidade de capital e distribuição recorrente.
| Ações |
| BB Seguridade (BBSE3) |
| Bradespar (BRAP4) |
| Cemig (CMIG4) |
| Itaúsa (ITSA4) |
| Petrobras (PETR4) |
Previsibilidade de fluxo de caixa segue como eixo central
Na Ágora Investimentos, a carteira de dividendos também foi mantida sem alterações para maio. O portfólio reúne Allos (ALOS3), Caixa Seguridade (CXSE3), Isa Energia (ISAE4), Itaúsa e Tim (TIMS3), com expectativa de dividend yield (rendimento de dividendos) médio de 7,8% em 2026.
A seleção privilegia empresas com maior previsibilidade de fluxo de caixa. Allos se destaca pela política de dividendos mais robusta, enquanto Isa Energia preserva a atratividade típica do segmento de transmissão. Caixa Seguridade mantém perfil resiliente e Itaúsa age como veículo de exposição ao setor bancário com desconto em relação às empresas controladas.
| Ações |
| Allos (ALOS3) |
| Caixa Seguridade (CXSE3) |
| Isa Energia (ISAE4) |
| Itaúsa (ITSA4) |
| Tim (TIMS3) |
BTG ajusta pesos e inclui Vibra Energia
O BTG Pactual realizou mudanças pontuais, com a saída de Aura Minerals (AURA33) e a entrada de Vibra Energia (VBBR3). A carteira mantém uma diversificação mais ampla, com exposição a bancos, utilities, energia, infraestrutura e consumo.
Petrobras ganhou maior participação no portfólio, refletindo a combinação de geração de caixa e retorno ao acionista. Itaú Unibanco permanece entre as principais apostas no setor financeiro, enquanto nomes como Equatorial (EQTL3), Copel (CPLE3) e Motiva (MOTV3) reforçam a presença de ativos com receitas mais previsíveis.
| Ações |
| Allos (ALOS3) |
| Axia Energia (AXIA3) |
| Bradesco (BBDC4) |
| Copasa (CSMG3) |
| Copel (CPLE3) |
| Cury (CURY3) |
| Equatorial (EQTL3) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) |
| Motiva (MOTV3) |
| Petrobras (PETR4) |
| Vale (VALE3) |
| Vibra Energia (VBBR3) |
BB Dividendos preserva carteira após rotação recente
A carteira do BB Investimentos também foi preservada para maio, após uma reformulação mais ampla realizada em março. Em abril, o portfólio recuou 1,13%, em linha com o IDIV, mas ainda acumula valorização de 10,96% em 2026.
A composição atual reúne dez ativos e combina nomes tradicionais da agenda de dividendos com empresas que podem capturar movimentos de valorização ao longo do ciclo. Petrobras, Copel e Cemig seguem como pilares, enquanto papéis como Direcional (DIRR3) e Marcopolo (POMO4) adicionam exposição a segmentos mais cíclicos.
| Ações |
| Bradespar (BRAP4) |
| Cemig (CMIG4) |
| Copel (CPLE3) |
| Direcional (DIRR3) |
| Klabin (KLBN11) |
| Marcopolo (POMO4) |
| Petrobras (PETR4) |
| Porto Seguro (PSSA3) |
| Unipar (UNIP6) |
| Vulcabras (VULC3) |
Ao reunir as diferentes carteiras de dividendos para maio de 2026, o que emerge não é uma mudança de direção, mas um refinamento de estratégia. A ênfase recai sobre empresas capazes de sustentar pagamentos regulares em um ambiente seletivo, em que a previsibilidade do fluxo de caixa figura como principal critério de escolha.