Isa Energia avança na Bolsa após resultado do 1T26 impulsionado por novos projetos e controle de custos (Foto: Adobe Stock)
A Isa Energia (ISAE4) entregou um resultado acima do esperado no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pela combinação de novos projetos entrando em operação e disciplina de custos. O destaque ficou para a antecipação de Piraquê, que começou a contribuir para a receita antes do previsto e ajudou a turbinar o desempenho operacional — movimento que levou as ações a subirem 1,09% no pregão.
A companhia reportou lucro líquido regulatório de R$ 357,7 milhões no período, alta de 6% na comparação anual.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado somou R$ 1,02 bilhão, crescimento de 10,6%. Para o mercado, o destaque ficou justamente na combinação entre expansão de receita e disciplina de custos. Na visão do Citi, os números foram sólidos, com lucro acima das projeções, impulsionado por uma alíquota efetiva de impostos menor.
Já o Banco Safra ressaltou que o Ebitda veio acima do esperado, beneficiado por fatores como o reconhecimento de receitas adicionais e a aceleração de projetos. O Banco do Brasilclassificou o trimestre como de “excelente desempenho operacional”. Segundo o banco, a maturação de investimentos em novos projetos (como Água Vermelha, Riacho Grande e, principalmente, Piraquê) somada a reforços e melhorias na rede, mais do que compensou impactos negativos, como a redução de receitas da Rede Básica do Sistema Existente (RBSE) após as revisões regulatórias.
Antecipação da Piraquê foi um dos motores do resultado
De acordo com o Safra, o projeto passou a contribuir com receita já a partir de fevereiro, com reconhecimento parcial retroativo, o que ajudou a elevar tanto a receita quanto o Ebitda acima das estimativas. O Citi também apontou que a energização parcial do projeto – com 91,5% da Receita Anual Permitida (RAP, é a remuneração regulada que empresas de transmissão de energia recebem pela disponibilidade da infraestrutura) – foi determinante para o desempenho.
O controle de custos foi outro pilar importante. As despesas operacionais praticamente ficaram estáveis na comparação anual, mesmo com a expansão da companhia. Houve aumento em serviços, ligados a manutenção e Tecnologia da Informação (TI), mas isso foi compensado por reduções em pessoal, materiais e outras despesas.
“O bom controle de custos permitiu crescimento ainda maior de Ebitda”, destacou o Banco do Brasil.
Com isso, a margem Ebitda avançou para 83,3%, acima dos 81,6% registrados um ano antes, reforçando a eficiência operacional da companhia. O Safra também chamou atenção para o controle de despesas Pessoal, Material, Serviços e Outros (PMSO), que vieram abaixo das estimativas, contribuindo para a surpresa positiva no resultado.
Resultado financeiro ainda pressiona o lucro
O aumento do endividamento (reflexo do ciclo de investimentos) combinado com juros elevados e maior exposição a dívidas atreladas ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), elevou as despesas financeiras. O resultado financeiro líquido foi negativo em cerca de R$ 483 milhões no trimestre, um avanço relevante na comparação anual.
O BTG Pactual também chamou atenção para as despesas financeirasacima do esperado, impactadas pela maior posição de dívida líquida. A alavancagem subiu para 3,72 vezes dívida líquida/Ebitda, evidenciando o efeito do ciclo de expansão da empresa.
Ainda assim, mesmo com essa pressão, o lucro líquido veio acima das estimativas de parte do mercado. Para o BTG, o resultado foi beneficiado pela performance operacional e acabou superando sua projeção, mesmo com uma alíquota efetiva de imposto maior do que o esperado.
Ponto de atenção: processo com a Secretaria da Fazenda
Outro ponto de atenção segue sendo a disputa com a Secretaria da Fazenda (SEFAZ), relacionada ao ressarcimento de despesas de aposentadoria.
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A companhia reporta R$ 2,8 bilhões em recebíveis relacionados ao tema e mantém provisão de R$ 516 milhões. O processo segue em andamento, com nova audiência marcada para 16 de junho; caso não haja acordo, o caso retorna à esfera judicial.
Qual a recomendação para o investidor?
No geral, a empresa vive um momento de forte execução operacional, sustentado pela entrada de novos projetos e disciplina de custos. Mas o aumento do endividamento e o peso das despesas financeiras seguem como contrapontos relevantes para a evolução do lucro.
Na avaliação do Safra, apesar do desempenho da Isa Energia estar acima do esperado, a recomendação permanece de desempenho abaixo da média, refletindo níveis de valuation (valor do ativo) considerados pouco atrativos frente ao setor. Já o BTG mantém visão neutra, com preço-alvo de R$ 28,50, indicando retorno esperado em linha com a média do mercado.