Na última semana, a companhia confirmou a fixação do preço de R$ 28 por ação para o IPO, movimentando R$ 2,8 bilhões na oferta base. Considerando os lotes extras, o valor totaliza R$ 3,199 bilhões. A empresa chegou, com isso, avaliada em R$ 20 bilhões na B3.
O IPO da Compass consistiu na distribuição secundária de ações ordinárias e foi destinado exclusivamente a investidores profissionais. A operação contou com a coordenação do BTG Pactual (coordenador líder), além de Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP, BNP Paribas e UBS BB (coordenadores da oferta).
De acordo com a B3, uma oferta é considerada secundária quando as ações negociadas são existentes e de propriedade de acionistas e controladores, ao contrário da oferta primária, que ocorre quando há distribuição de novas ações emitidas pela companhia. No caso da Compass, a empresa já tinha o registro de companhia aberta, porém, ainda não havia realizado a oferta pública inicial de ações no mercado.
Para o analista da Eleven Financial, Caio Borges, historicamente, os IPOs apresentaram desempenho abaixo do esperado, em parte pelo elevado apetite de risco que costuma permear o momento da oferta e em parte pela tendência natural do empreendedor de precificar sua empresa acima do valor considerado justo.
Os dados mostram isso. Um estudo da Seneca Evercore levantou todas as operações realizadas na B3 desde 2016, excluindo aquelas empresas que já deixaram a bolsa para mapear o retorno das ações até maio de 2026. A última década teve 92 ofertas. Dessas, 72 companhias seguem listadas até hoje. Nesse grupo, apenas 16 tiveram um desempenho positivo em relação ao preço fixado no IPO – isso representa cerca de 22% do todo. Ou seja, 80% das empresas operam atualmente abaixo do valor em que estrearam na bolsa.
No caso da Compass, porém, Borges vê dois fatores estruturais que mitigam esse risco: a necessidade concreta de geração de capital por parte da Cosan e o momento atual do mercado, em que, apesar do avanço do Ibovespa, o investidor doméstico ainda demonstra pouco apetite por ações.
“Com os juros em patamares elevados, a renda fixa segue como destino preferencial do capital local, o que naturalmente limita os exageros de precificação típicos de momentos de euforia”, explica o analista.