A Anbima anunciou, no fim de abril, que o seu projeto-piloto de tonekização avançou para a fase de testes, após receber 39 propostas do mercado, das quais 20 foram selecionadas para aplicações práticas da tecnologia em debêntures e fundos de investimento. As iniciativas escolhidas foram apresentadas de forma individual ou em consórcio por mais de 50 instituições, entre bancos, gestoras e empresas de tecnologia.
Os testes, com duração prevista de seis meses, vão acompanhar todas as etapas do ciclo de vida dos ativos, como estruturação, emissão, transferência e liquidação. O projeto-piloto busca simular, em ambiente controlado, sem a movimentação de recursos reais e sem a participação de investidores, o funcionamento completo de ativos tokenizados.
De acordo Luiz Pires, gerente de inovação da Anbima, o piloto tem um caráter educacional. Caso avance, pode reduzir custos operacionais. A escolha pelas debêntures, segundo ele, ocorreu porque esses títulos estão entre os instrumentos mais utilizados pelo mercado. Ainda assim, Pires ressaltou que um dos principais desafios é adaptar as possibilidades da tecnologia às exigências do sistema financeiro tradicional. “Garantias que protegem os investidores precisam ser replicadas nesses ambientes”, afirmou.
Para André Carneiro, CEO da BBChain Blockchain & Digital Assets, participar da iniciativa é “como estar em um playground” tecnológico. Segundo ele, a tokenização abre espaço para desenvolver produtos mais customizados. “Dá para brincar com as vontades dos clientes, que querem construir um fundo ou uma debênture com características específicas”, disse.
Bradesco vai focar em tecnologia para fundos
Entre as instituições participantes, o Bradesco escolheu concentrar os testes no segmento de fundos. Durante o painel, George Marcel Smetana, especialista em estratégia regulatória do banco, explicou que o objetivo é avaliar a tokenização em diferentes etapas. “Queremos testar a tokenização em todo o ciclo de vida das cotas dos fundos”, destacou.
Além disso, o Bradesco também avalia o uso da tecnologia para automatizar o recolhimento do come-cotas, antecipação do Imposto de Renda (IR) cobrada semestralmente sobre determinados fundos de investimento.
Movimento ganha força no Brasil e no exterior
O avanço da iniciativa ocorre em um momento em que o mercado acelera esforços para incorporar a tokenização à infraestrutura financeira. A B3, por exemplo, prepara-se para lançar uma depositária tokenizada. A proposta inicial prevê que os dois ambientes coexistam: o convencional e o baseado em tokens. Na prática, um investidor que desejar comprar uma ação tradicional poderá negociar normalmente com outro que esteja operando o mesmo ativo em versão tokenizada.
Nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commission (SEC) – a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) americana – aprovou em março uma emenda à regra da Nasdaq que permite que certas ações sejam negociadas e liquidadas em formato tokenizado. Já a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) anunciou no mesmo mês uma parceria com a Securitize para apoiar o desenvolvimento de mercados de títulos tokenizados.
O São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre outros assuntos.