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Colunista

O valor do futebol: o que Neymar, Al Hilal e tokens têm em comum?

A contratação de Neymar pelo clube da Arábia Saudita custou 90 milhões de euros

Por Fabrício Tota

18/08/2023 | 9:01 Atualização: 18/08/2023 | 9:01

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Neymar assina com Al Hilal - Riyadh Foto: handout via Reuters
Neymar assina com Al Hilal - Riyadh Foto: handout via Reuters

Em primeiro lugar, uma elucidação: essa não é uma obra de ficção, é baseada em fatos reais e concretos, não é uma mera conjectura do que poderia ser feito em um cenário hipotético.

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Estamos vivenciando um importante avanço da nova economia digital: aquele em que a tokenização de ativos se tornou uma realidade acessível às pessoas e não está ficando restrita ao mercado tradicional, criando diversas oportunidades de investimento, inclusive, no futebol. É justamente sobre essa convergência que desejo falar, explorando a interseção entre a transferência de Neymar do Paris Saint-Germain (PSG) para o Al Hilal, a tokenização e o token Futecoin.

Comecemos falando do Futecoin, lançado pelo Mercado Bitcoin em 2020. Trata-se de um token criado para representar os direitos do mecanismo de solidariedade da FIFA, uma regra destinada a beneficiar os clubes formadores de atletas. Por meio deste mecanismo, clubes que tiveram um atleta vinculado a eles entre os 12 e 23 anos têm direito a receber até 5% do montante de quaisquer transferências futuras desse atleta.

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O Futecoin transcendeu a mera inovação, oferecendo benefícios a clubes e investidores. Ele não só captura a atenção de torcedores dedicados, mas também atrai qualquer entusiasta do futebol que já sonhou: “E se eu pudesse investir em jogadores de futebol?”

Estes tokens, representando direitos associados a um grupo de atletas, transferem aos seus detentores o que seria o mecanismo de solidariedade devido aos clubes formadores. Na prática, ao tokenizar, o clube antecipa uma potencial receita futura desses mecanismos. Por outro lado, o investidor adquire os tokens na expectativa de futuras negociações dos atletas envolvidos.

O projeto teve seu pontapé inicial em 2020 com o Club de Regatas Vasco da Gama. Depois, abraçamos um dos grandes formadores de talentos do Brasil: o Santos Futebol Clube, através do Token da Vila. Neste conjunto de 12 atletas, Neymar é sem dúvida o destaque.

Sua transferência em 2017 do Barcelona para o PSG, no valor de 222 milhões de euros, marcou a transferência mais cara da história do futebol. Considerando essa movimentação, sua idade, posição e claro, sua performance em campo, era plausível prever uma nova mudança de clube de Neymar, potencialmente gerando um retorno expressivo para os detentores do Token da Vila.

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É o que aconteceu esta semana com a impressionante contratação de Neymar pelo Al-Hilal Saudi Club, da Arábia Saudita, por incríveis 90 milhões de euros. A operação acionou o mecanismo de solidariedade da Fifa. Como o Santos detinha 3,66% dos direitos desse mecanismo em relação a Neymar, os detentores do Token da Vila receberão essa parcela.

Uma rápida análise sugere que os investidores deverão receber cerca de R$ 29 por token. No entanto, flutuações cambiais podem ajustar esse valor, seja para cima ou para baixo. Apenas com essa recente transação, a quantia destinada aos detentores de tokens ultrapassará a marca dos R$ 18 milhões. A título de curiosidade, com essa última negociação, Neymar estabelece um novo marco em sua carreira: torna-se o jogador que acumulou o maior valor somado em transferências ao longo de sua trajetória Santos-Barcelona-PSG-Al Hilal.

Além dos ganhos com essa transferência do Neymar, os investidores que possuem o Token da Vila já colheram os frutos com pagamentos anteriores envolvendo outros atletas como Yuri Alberto, Gustavo Henrique e Emerson Palmieri. A cesta ainda tem “transferíveis” como Gabigol, Rodrygo e Lucas Veríssimo.

Enquanto a tokenização emerge como uma das tendências disruptivas na economia contemporânea, o Futecoin é apenas uma amostra de seu vasto potencial. No mundo do futebol, essa inovação já demonstra benefícios evidentes para clubes formadores, jogadores, investidores e aficionados.

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Contudo, esse é apenas o começo. Em outras esferas, a tokenização se coloca como potencial destruidora de paradigmas: no mercado de capitais, com a venda tokenizada de participação em startups pré-IPO; no mercado financeiro, com a tokenização de recebíveis; no mercado imobiliário, através da fragmentação e venda de propriedades; e na sustentabilidade, com a tokenização de créditos de carbono.

Essa revolução não somente democratiza o acesso a diferentes ativos, mas também propõe novas formas de criação de valor, que transcendem meras tendências passageiras.

A escolha de Neymar por campos menos convencionais causou certo alvoroço. Para alguns, é o crepúsculo de um astro; para outros, um movimento estratégico genial. De modo similar, enquanto muitos ainda coçam a cabeça sobre a tokenização, nós já estamos aqui, à frente, capitalizando, inovando e procurando a próxima grande oportunidade. E você, mesmo assim, vai ficar só assistindo?

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