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Colunista

O custo de não investir: uma oportunidade perdida de mais do que dobrar o capital

Trabalho e investimentos não são caminhos opostos; por que adiar aplicações pode custar caro no longo prazo, mesmo em cenários de incertezas

Por Luciana Seabra

13/01/2026 | 16:28 Atualização: 13/01/2026 | 16:28

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Investir não é sobre enriquecer rápido, mas sobre complementar o trabalho e construir segurança financeira ao longo do tempo. (Foto: Adobe Stock)
Investir não é sobre enriquecer rápido, mas sobre complementar o trabalho e construir segurança financeira ao longo do tempo. (Foto: Adobe Stock)

“Nunca investi dinheiro porque sempre soube que o único jeito de ter retorno é mesmo trabalhando”, me disse na semana passada um motorista de aplicativo. Ele também teve tempo de me contar que sua paixão era trabalhar com fotografia, mas teve que abrir mão da vocação na pandemia. Os trabalhos se tornaram escassos e ia faltar dinheiro para pagar o aluguel, disse. Daí estar ali me conduzindo até o aeroporto do Rio.

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Não era a primeira vez que eu ouvia uma frase como aquela. Não sei se por falta de educação financeira ou por trauma de algum investimento mal orientado – infelizmente os dois problemas são frequentes –, mas tem muita gente que toma para si que o único caminho é enfiar as caras no trabalho. Dedicar tempo a fazer o dinheiro crescer por meio de investimentos seria desperdício.

Essa era a mentalidade daquele motorista de aplicativo, que no passado até livro de fotografia publicou. E eu olhava para aqueles olhos cansados no retrovisor e pensava: como ele consegue dormir sabendo que não tem um real guardado?

Também não acredito que o investimento seja a grande tábua de salvação, que se levado a sério vai viabilizar a qualquer um uma aposentadoria aos 40 e outras fantasias vendidas por aí. Não, ele sozinho não resolve nada.

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Para mim, fica claro que o único caminho em tempos de vidas tão longevas é a combinação trabalho mais investimentos.

Aplicar o dinheiro não é sobre ganância nem coisa de rico – e é impressionante o número de pessoas que ainda pensa assim. Investir é, na verdade, a única alternativa considerando que todos nós estamos sujeitos a períodos de interrupção de trabalho e ao envelhecimento – que vai nos levar a no mínimo querer desacelerar um dia.

Daí vem a questão: a ideia de ter retornos no mercado financeiro é uma grande ilusão? Eu diria que, se você quiser acertar o ativo do momento ou ganhar uma montanha de dinheiro no curto prazo, provavelmente sim.

E não é que o motorista do aplicativo tinha uma história assim na manga? Um primo que, segundo ele, ganhava muito dinheiro operando o dia todo por meio daquelas telas bonitas e coloridas. Disse que tinha interesse de aprender aquilo também.

É curioso como todo mundo parece ter um primo assim para contar história, mas que os dados mostrem uma história muito diferente. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que 99,4% dos investidores têm prejuízo com day trade (negociação em Bolsa que consiste em comprar e vender ativos no mesmo dia) e desistem no caminho.

Construção de patrimônio e resiliência no caminho

Não só de curto prazo, entretanto, vive o mercado financeiro. Muito pelo contrário. Se você tem paciência e diversifica, sem tentar adivinhar o melhor ativo do momento, o mercado financeiro tende sim a jogar a favor da construção de patrimônio. Para isso, é preciso ter resiliência no caminho, porque vai balançar.

Nos últimos dez anos analisando investimentos, uma das perguntas que mais recebi foi: “Não é melhor esperar para começar?”.

A cada ano o motivo para postergar as aplicações era diferente: uma eleição, uma pandemia, um conflito geopolítico. E, de fato, todos eles trouxeram volatilidade no caminho, com perdas algumas vezes relevantes de curto prazo.

E, bom dizer, não foi o caso de um ciclo específico. Basta estudar um pouco do tema investimentos em fontes sérias ou mergulhar em histórias de pessoas que fizeram dinheiro de verdade nos mercados para identificar um ingrediente em comum: a paciência.

O que teria acontecido se você tivesse tomado a decisão de investir há dez anos?

De primeiro de janeiro de 2015 a primeiro de janeiro de 2026, enquanto muita gente esperava o melhor dia pra começar, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) foi de 144%; o retorno do IMA-B, cesta de títulos indexados à inflação, foi de 180%; o Ibovespa, da Bolsa brasileira, subiu 272%; o S&P 500, da Bolsa americana, 397%.

Ou seja, não é difícil notar que uma combinação desses investimentos feita lá em janeiro de 2015 – mesmo que sem tentar acertar os cavalos – teve um potencial de mais do que dobrar o capital aplicado.

Sim, houve muita volatilidade e incerteza no caminho, mas quem montou uma carteira para o longo prazo não se incomodou com os ruídos, nem ficou pulando de ativo em ativo atrás da bola da vez, muito provavelmente conseguiu fazer o patrimônio crescer – acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 82,35% no mesmo período.

É claro que retorno passado não significa ganho futuro. Mas é fato que, quando avaliamos janelas longas de uma carteira diversificada, a ideia de obter ganhos relevantes com investimentos torna-se sim palpável.

E a lição mais importante: não é preciso que os tempos sejam calmos para que você tenha retornos com investimentos. Até porque eles nunca serão.

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