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Comportamento

Três executivos e um destino: a gestão do Vasco da Gama

Como a experiência nos negócios de Nelson Sendas, Leonardo Framil e Marcelo Gomes pode ajudar o clube carioca, que vive o turbulento período de eleições

Por Márcio Kroehn

08/10/2020 | 19:10 Atualização: 08/12/2023 | 17:35

Leonardo Framil, Marcos Gomes e Nelson Sendas (da esq. à dir.) vão formar o conselho consultivo de Julio Brant no Vasco da Gama (Foto: Divulgação/Montagem E-Investidor)
Leonardo Framil, Marcos Gomes e Nelson Sendas (da esq. à dir.) vão formar o conselho consultivo de Julio Brant no Vasco da Gama (Foto: Divulgação/Montagem E-Investidor)

O executivo Julio Brant tem um respeitado currículo na gestão de empresas, com passagens pela Vale (VALE3) e pela Andrade Gutierrez, mas quer acrescentar a essas experiências profissionais uma paixão: o comando do Vasco da Gama. Pela terceira vez, Brant será candidato à presidência do clube cruz-maltino, nas eleições que acontecem em 7 de novembro de 2020. Na sua última tentativa, em 2017, venceu entre os associados do clube carioca, mas perdeu no Conselho Deliberativo, o que deu a vitória à Alexandre Campello. Desta vez, as eleições passam a ser diretas, ou seja, sem a palavra final do Conselho, que era muito influenciado pelo histórico cartola Eurico Miranda (1944-2019).

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A chapa ‘Sempre Vasco’, de Brant, terá de vencer outros quatro concorrentes. Para superar esses adversários, Brant tem a simpatia de ídolos do time quatro vezes campeão brasileiro: Edmundo, Pedrinho e Felipe já manifestaram publicamente o apoio a ele e serão os responsáveis pelo novo projeto de futebol do clube. Além deles, Brant quer contar com a experiência de grandes nomes do setor privado para mudar a realidade do Vasco.

De acordo com o último estudo do economista Cesar Grafietti para o Itaú BBA, a relação entre dívidas totais e as receitas dos últimos três anos do Vasco era de 261%, no fim de 2019 – a quarta pior entre os principais clubes de futebol brasileiros. O nome preferido por Brant para o cargo de diretor financeiro é o de Silvio Almeida, que foi vice-presidente de finanças da Oi e atualmente é conselheiro fiscal da Paranapanema.

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Mas uma das grandes apostas de Brant é a criação do conselho consultivo, um colegiado de vascaínos para dividir o conhecimento e a experiência de gestão e auxiliar o presidente em assuntos estratégicos. Fazem parte dessa equipe Leonardo Framil, CEO da Accenture; Marcelo Gomes, presidente da Alvarez & Marsal; e Nelson Sendas, acionista do Grupo Pão de Açúcar.

O executivo Julio Brant vai tentar pela terceira vez ser presidente do Vasco da Gama (Foto: Divulgação)
O executivo Julio Brant vai tentar pela terceira vez ser presidente do Vasco da Gama (Foto: Divulgação)

“São gestores com profundo conhecimento em suas respectivas áreas e com uma vontade única de transformar o rumo do Vasco”, diz Brant ao E-Investidor. “Eles aceitaram o convite porque vão contribuir dentro de um projeto de reestruturação. Nós sinalizamos para o mercado que o profissionalismo será a tônica da nossa gestão.”

Se gerir um negócio é uma vivência 100% racional, emprestar parte do tempo para o clube do coração exige equilíbrio emocional. O E-Investidor conversou, também, com esses três executivos para saber se isso será possível – e as dicas podem ajudar profissionais de todos os segmentos da economia.

O que a experiência na sua área de conhecimento pode ajudar nessa transformação do Vasco?

“Precisamos criar novas fontes de receitas e um modelo de gestão que dê confiança para os investidores”, diz Leonardo Framil, CEO da Accenture

Leonardo Framil – Tive a oportunidade de trabalhar em diversos projetos ajudando grandes empresas a se modernizarem através do uso inteligente de tecnologia, dados e gestão. Minha experiência passa por definir e implementar ações para aumentar a eficiência de processos, melhorar controles internos e maximizar receitas, usando o que se tem de melhor em tecnologia. É esse conhecimento que deixo à disposição do Vasco. Um clube do tamanho do Vasco precisa entrar no século XXI. Temos que fazer um trabalho minucioso interno com total transparência para sermos eficientes nos processos e controles. Temos que usar tecnologia e dados para proporcionar uma experiência melhor ao nosso torcedor e sócio. Precisamos criar novas fontes de receitas e um modelo de gestão que dê confiança para os investidores, patrocinadores, sócios e para nos posicionarmos ao mercado externo.

Marcelo Gomes – A minha experiência é recuperar ativos insolventes das empresas no qual o volume da dívida não é compatível com a sua geração de caixa. Globalmente já realizamos esse tipo de trabalho na área de esporte. Dois exemplos são a NFL e a reestruturação da Concacaf, após o escândalo de corrupção. No Rio de Janeiro, fizemos a reestruturação da Delta após o [Fernando] Cavendish ser preso. Toda a imersão é realizada para mudar a maneira como se pensa em gerenciar o negócio. Alguns pilares são imprescindíveis. Transparência, ética, gestão com objetividade, meritocracia, gestão de metas, controle dos custos para ter um entendimento, que chamamos no mercado de orçamento base zero, são alguns dos vários pilares que não abrimos mão para o sucesso da operação.

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Nelson Sendas – A ideia é abrir caminhos e portas para patrocínios e parcerias deste segmento que tenho um vasto network.

Quais os erros que você viu na gestão do seu negócio que não podem se repetir no clube?

“Detectamos ações equivocadas, por exemplo, na gestão de amigos. Nada mais é que as pessoas exercerem cargo por relacionamento, amizade e não por competência técnica. Esse case da Varig, infelizmente, é fácil de ser detectado em vários clubes de futebol do Brasil”, diz Marcelo Gomes, presidente da Alvarez & Marsal

Gomes – A Varig tinha uma gestão de preocupação enorme com a qualidade de serviço entregue. Porém, uma preocupação que não era compensada com a eficiência da operação, que não gerava resultados. Por esse motivo, acabou colapsando. Além disso, detectamos ações equivocadas, por exemplo, na gestão de amigos. Nada mais é que as pessoas exercerem cargo por relacionamento, amizade e não por competência técnica. Esse case da Varig, infelizmente, é fácil de ser detectado em vários clubes de futebol do Brasil. Outro equívoco é um desequilíbrio na cadeia de custos. Um inchaço operacional. Muita gente trabalhando e as pessoas não sabem o que estão executando. Também é importante citar a falta de transparência. O que chamamos no mercado de falta de governança. Isso é importantíssimo! E é isso que a ‘Sempre Vasco’ quer implementar no clube. O conselho consultivo é um modelo de governança no qual a gente vai ter pessoas qualificadas buscando a transparência e ética em tomadas de decisão. Quando você atua com ética e transparência, naturalmente tem um apoio maciço do mercado e dos stakeholders.

Sendas – O aprendizado que destaco é buscar sempre ser visionário e antecipar um problema. Tem que olhar para frente e para o futuro o tempo todo. O mundo está muito dinâmico. A solução que funciona hoje amanhã pode não servir. Não se acomodar é primordial.

Framil – Melhor do que falar de erros, gosto de falar sobre o que posso contribuir com o que aprendi em quase 30 anos de carreira como executivo e gestor. Primeiro, você precisa formar bons times em todas as áreas. Tem que ter um time forte dentro e fora de campo. Precisamos de liderança e competência para enfrentar desafios e entregar resultados. Segundo, você precisa criar uma cultura que incentive a inovação, excelência, ética e transparência fincada em valores e princípios de conduta muito sólidos. E, finalmente, é fundamental trabalhar com dados e informação. No mundo de hoje, independentemente da área de atuação, os que alcançam sucesso se baseiam em um capacidade analítica com estudo científico. É isso que precisa ser implementado no clube.

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