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Comportamento

Origem do dinheiro físico: veja tendências e se ele realmente vai morrer

Economia digital coloca em xeque o dinheiro físico. Será que ele vai acabar?

Por E-Investidor

19/04/2022 | 11:51 Atualização: 04/11/2022 | 13:42

Conhecer a origem do dinheiro é importante para saber quais serão os próximos passos na jornada dos pagamentos.
Conhecer a origem do dinheiro é importante para saber quais serão os próximos passos na jornada dos pagamentos.

Nas últimas duas décadas, o mundo financeiro se transformou rapidamente. Cheque, nota promissória e carnê parecem ser hoje peças de museu.

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Enquanto isso, o Pix é quase obrigatório em estabelecimentos comerciais. Aliás, os comércios que não aceitam são alvo de piadas na internet: “Então vou ter que usar moeda como faziam os neandertais?”, dizem os memes por aí.

Essa é uma tendência concreta, que vai além da piada.

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Antes de o Brasil adotar o Pix como método de pagamento, havia R$ 357,5 bilhões em moeda física no País. Hoje, o Banco Central estima que o montante tenha caído para R$ 343,5 bilhões.

Os R$ 14 bilhões de diferença não são apenas um termômetro de uma tendência econômica, como também significam menos gasto para o órgão, que não precisou imprimir o montante.

Com esse fluxo de transformações, será que o dinheiro físico também vai ficar no passado? Qual é o futuro da moeda? Confira o que dizem os especialistas.

Qual é a origem do dinheiro físico?

As moedas metálicas foram usadas por muitos séculos como mercadoria de troca entre diferentes povos
As moedas metálicas foram usadas por muitos séculos como mercadoria de troca entre diferentes povos, remontando a origem do dinheiro físico. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

No início da Idade Moderna, conforme a produção e as transações comerciais foram ficando mais complexas, foi necessário criar uma mercadoria abstrata para mediar as negociações, conforme explica Ricardo Rodil, sócio da Crowe Macro Auditores e Consultores. Ela não precisava ter valor de uso, mas sim valor de troca.

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Segundo o professor Jackson Teixeira Bittencourt, do curso de Ciências Econômicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), a moeda metálica reinou soberana por bastante tempo nessa lógica. 

Além de ser leve e resistente em relação a seus equivalentes (peles, sal, madeira, carne, etc.), permitia que os reis cunhassem o próprio rosto ou um brasão em cada peça.

Cobre, bronze e ferro foram os materiais mais usados no início; em seguida, a prata e o ouro os substituíram, mas os metais poderiam ser um problema logístico e de segurança.

Por isso, as casas de custódia, os primeiros bancos, emitiam certificados de depósito que precediam o papel-moeda.

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Segundo Bittencourt, as casas de custódia passaram a emitir recibos sem lastro, ou seja, além das reservas metálicas, gerando inflação e comportamentos de manada. 

“Foi assim que o Estado passou a monopolizar a emissão de moeda e se transformou no guardião das reservas de metais com a criação de bancos nacionais que emitiam moedas de papel”, explica ele.

Ao longo de muitos séculos, a moeda era emitida pelos Estados com base no tamanho da reserva de ouro que cada país tinha. Depois, a emissão se baseou na quantidade de dólar.

Hoje, o sistema passa por um processo conhecido como fiduciário, em que cada país decide quanto de moeda emite, levando em consideração a demanda e o crescimento da economia, já que isso afeta a inflação, as taxas de juros e a liquidez da economia.

Tendência mundial para o dinheiro físico

O pix é um exemplo da digitalização da economia
Pix e métodos de pagamento por QR code são exemplos de digitalização da economia e se tornam um novo capítulo na história da origem do dinheiro. (Fonte: Shutterstock/Reprodução)

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De acordo com Caio Mastrodomenico, analista financeiro e CEO da Vallus Capital, cada vez que a economia muda a política de circulação de notas também se altera.

Muitas vezes o consumidor não percebe, mas uma série de transformações ocorrem nas políticas monetárias e podem indicar o esgotamento do dinheiro físico.

“Vemos isso na mudança de comportamento das pessoas ao fazerem pagamentos digitais, com cartões de crédito e débito e sobretudo com o Pix, que revolucionou a maneira como o brasileiro lida com os meios de pagamento”, exemplifica ele.

Essa transformação é tão acelerada e tão bem-sucedida que o Banco Central já cogita lançar o “real digital“, uma criptomoeda que pode digitalizar nossa moeda a médio prazo.

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O movimento vai ao encontro de uma tendência mundial, já que governos de todo o mundo trabalham na digitalização das moedas para reduzir o custo de emissão e permitir maior monitoramento fiscal.

Bittencourt concorda que o papel-moeda tende a ser substituído por meios de pagamentos eletrônicos, produzindo diminuição na circulação de dinheiro em espécie no curto prazo.

“Nas últimas edições do Fórum Econômico Mundial, os bancos centrais iniciaram uma discussão para substituir a moeda física por um formato diferente, como criptomoedas. Em um futuro próximo, teremos real, dólar, euro e outras moedas assim, e alguns países como a China já aceleraram esse processo utilizando meios de pagamento e transferência como QR code, por exemplo”, comenta Bittencourt.

O dinheiro físico pode acabar?

Apesar de a digitalização da economia ser inevitável, Mastrodomenico recomenda ter cautela no acompanhamento do fenômeno. Segundo ele, é difícil precisar quais serão os impactos que a sociedade vai sentir durante essas mudanças.

Isso ocorre porque, com muitas moedas com baixo ou nenhum monitoramento, pode haver problemas macroeconômicos desconhecidos, colocando em risco o modelo financeiro que a economia vive hoje. Assim, é importante avaliar essa evolução com prudência.

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Rodil adota a mesma postura. O especialista em Finanças afirma que o uso da moeda física está em xeque e deve ser cada vez mais restrito, mas o nível de preços de um país continuará dependendo do volume de moeda em circulação e da velocidade das trocas.

Então, para o especialista, o dinheiro físico pode continuar útil para o controle inflacionário — ao menos nos próximos anos.

O profissional destaca, ainda, que a transformação do mundo plástico para o virtual não diminui o papel de instituições fundamentais como os bancos, que devem continuar mediando a oferta e a demanda por dinheiro, cada um com suas especificidades e seus nichos.

“Então, não me atrevo a prever o fim do dinheiro físico. E, a propósito, acharia uma pena se ele acabasse. Há moedas que são verdadeiras obras de arte”, brinca Rodil.

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