Relatório do Itaú BBA mostra deterioração do sentimento na Bolsa brasileira no 1º trimestre de 2026, enquanto temas ligados a commodities e inteligência artificial ganharam destaque entre empresas e investidores. (Foto: Adobe Stock)
O humor em torno da Bolsa de Valores piorou no primeiro trimestre de 2026 (1T26), segundo análise de sentimento do Itaú BBA. O levantamento, baseado em mais de 1.350 transcrições de teleconferências de resultados de empresas listadas, mostra que o score ponderado do Ibovespa caiu de 7,7 para 7,4 em uma escala de 0 a 10 (do sentimento mais negativo e para o mais positivo), abaixo da média histórica de 7,5.
Nas sessões de perguntas e respostas (Q&A) das teleconferências, consideradas um termômetro mais “real” do sentimento dos executivos, a nota recuou para 6,1, conforme o levantamento do BBA. Mesmo assim, o banco vê espaço para otimismo do investidor quanto a algumas ações ligadas a commoditiese inteligência artificial (IA). “A temporada de ganhos do primeiro trimestre de 2026 revelou um tom misto nas ações brasileiras“, afirma o banco.
Segundo o relatório, setores como utilities (serviços essenciais, como energia e saneamento) mostraram resiliência com investimentos estratégicos e ganhos operacionais, enquanto outros sofreram com juros elevados, aumento de custos, tensões geopolíticas e demanda mais fraca. Apesar disso, o Itaú destaca que algumas áreas conseguiram preservar uma percepção mais positiva.
Os setores de siderurgia e mineração e empresas financeiras não bancárias lideraram os scores de sentimento no 1T26, com notas de 7,8, 7,56 e 7,56, respectivamente. Já agronegócio e bens de capital – ativos físicos ou tecnológicos utilizados por empresas para produzir outros bens, como faz a WEG (WEGE3), por exemplo – ficaram entre os mais pessimistas.
O Itaú BBA chama atenção para o fato de que siderurgia e mineração, além de óleo e gás, foram os únicos setores que registraram melhora de sentimento na comparação trimestral. Segundo o relatório, o avanço foi impulsionado por fatores como recuperação de volumes, maior poder de precificação e expectativas mais favoráveis para commodities.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial ganhou espaço nas discussões corporativas. As citações relacionadas à IA passaram de 0,3% dos temas debatidos no primeiro trimestre de 2025 para 1,6% no mesmo período de 2026. O Itaú observa que os setores de tecnologia, mídia e telecomunicações (TMT), bancos e financeiras não bancárias lideram as discussões sobre IA, com participação de 11,6%, 4,1% e 3,1%, respectivamente.
Segundo o banco, a relevância crescente da IA ocorre em um momento em que outras pautas perderam espaço nas teleconferências. Temas como receita, tecnologia e custos tiveram queda de relevância, enquanto fluxo de caixa, inflação, preços e alavancagem ganharam peso nas discussões.
“A análise mostra uma combinação de otimismo cauteloso e preocupação macroeconômica”, diz o Itaú BBA.
As ações queridinhas do momento
O banco destaca que investidores e executivos têm demonstrado maior atenção a inflação, juros e qualidade de crédito, especialmente diante das incertezas econômicas e regulatórias. As preocupações aparecem de forma ainda mais evidente nas sessões de Q&A. Segundo o relatório, analistas demonstraram cautela com pressão de margens, aumento de custos de matérias-primas e mão de obra, além de questionamentos sobre sustentabilidade da demanda e revisões de guidance(projeções). O setor bancário foi um dos que mais pioraram na comparação trimestral, com queda de 1 ponto no score de sentimento.
Mesmo em um cenário mais desafiador, o Itaú BBA afirma que algumas ações seguem entre suas preferidas por apresentarem scores elevados de sentimento. Entre os destaques do trimestre aparecem B3 (B3SA3), Embraer (EMBJ3), Petrobras (PETR3; PETR4), Prio (PRIO3), BTG Pactual (BPAC11) e Pague Menos (PGMN3), todas com nota igual ou superior a 8,5.
A ação com melhor avaliação do trimestre foi a B3SA3, com score de 9,0. O estudo também mostra que empresas com notas acima de 9 historicamente revisam seus lucros para cima em média 8,9% nos 90 dias seguintes à divulgação de resultados. Já companhias com notas abaixo de 7,5 costumam passar por revisões negativas.
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No recorte agregado, o portfólio recomendado pelo Itaú BBA apresentou score de sentimento de 7,9, acima dos 7,4 do Ibovespa. Segundo o banco, isso indica que, além de fundamentos e métricas quantitativas, as empresas da carteira também carregam “momentum [força, velocidade e aceleração do preço ou volume de um ativo] positivo de sentimento”.
O relatório afirma ainda que os investidores devem monitorar alguns catalisadores no próximo trimestre, como possíveis sinais de corte de jurospelo Banco Central, dados de inflação e emprego, mudanças regulatórias e oscilações nos preços de commodities. “Desenvolvimentos nos preços de energia e insumos agrícolas serão críticos para moldar custos operacionais e rentabilidade em diversos setores”, destaca o Itaú BBA.