O estudo 2026 Crypto Crime Report, divulgado pela Chainalysis em janeiro, mostrou que as fraudes com criptoativos podem ter gerado perdas de até US$ 17 bilhões em 2025, considerando tanto os valores já identificados quanto projeções baseadas na descoberta contínua de novos endereços ilícitos.
Vanessa Butala, diretora jurídica, de compliance e de riscos do Mercado Bitcoin, destacou a importância de não associar automaticamente as criptomoedas a um produto de crime. “Há tentativa de usar ativos digitais para escoar fraudes bancárias, mas isso também pode acontecer com outros itens, como joias levadas para fora do País” disse.
As ferramentas para prevenção de golpes têm ficado mais sofisticadas. No final de março, a Chainalysis anunciou o lançamento dos primeiros Agentes de Inteligência Blockchain, uma evolução da plataforma projetada para ajudar organizações e investigadores a acompanhar o crescimento acelerado do crime com criptomoedas impulsionado por inteligência artificial (IA). A tecnologia analisa transações de blockchain para interpretar padrões e apoiar investigações em larga escala.
De acordo com Ugo Portella, gerente de serviços para a América Latina da Chainalysis, os sistemas de segurança evoluíram de uma atuação reativa para uma abordagem proativa, baseada no monitoramento de transações. Agora, segundo ele, o setor entrou em uma fase “agêntica”. “Os sistemas deixaram de apenas observar transações e passaram a analisar tudo o que aconteceu ao longo do caminho”, explicou.
Também surgem ferramentas desenvolvidas diretamente a partir da própria blockchain. A startup brasileira InspireIP criou o SignalIP, plataforma que verifica a procedência e a autenticidade de imagens digitais por meio de registros auditáveis em blockchain. A solução busca identificar se uma imagem foi manipulada por inteligência artificial, qual ferramenta de IA foi utilizada e o horário exato da alteração.
Segundo Caroline Nunes, CEO da InspireIP, um ativo registrado em blockchain oferece maior capacidade de rastreabilidade. “Uma vez na blockchain, sempre na blockchain. Por isso, precisamos ter cuidado com as informações inseridas e tratadas nesse ambiente”, afirmou.
Poder público ainda enfrenta defasagem
Rudyero Trento Alves, assessor especial da Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, avaliou que o poder público ainda está “atrás” quando o assunto é monitoramento de golpes com ativos digitais. “São as empresas que vêm fornecendo as ferramentas para que o poder público consiga investigar”, disse.
Durante o painel, Alves sugeriu que representantes do setor privado ampliem o diálogo com especialistas em segurança pública para apresentar as tecnologias disponíveis e as possibilidades de rastreamento oferecidas pelas novas ferramentas.
O São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre outros assuntos.