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Criptomoedas

Os planos ambiciosos do mercado financeiro para criar novos ativos com tecnologia

Imóveis, títulos, commodities, ações e cotas de fundos são ativos que podem ser representados por um token

Por Aramis Merki II

26/12/2023 | 18:05 Atualização: 26/12/2023 | 20:00

(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

O termo do momento, mais um na sopa de letrinhas e expressões em inglês deste mundo, é “RWA Tokens”. A sigla designa ativos do mundo real (Real World Assets) e é um guarda-chuva para todo tipo de ativo que existe e pode ser representado por um token negociado na rede blockchain. Dentre os exemplos estão imóveis, títulos, commodities, ações, cotas de fundos. Tokenizá-los significa criar representações em unidades (tokens) registradas na rede descentralizada do blockchain, que é a tecnologia base dos criptoativos.

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Um dos trunfos da tokenização é a possibilidade de fragmentação dos ativos. “Existem barreiras para acessar alguns ativos. Seja o custo ou mesmo a impossibilidade de abrir uma conta que ofereça aqueles produtos de investimento. Além disso, muitas vezes o tíquete mínimo para investir é muito alto para um usuário”, diz Kevin Voigt, sócio fundador da startup Notus Lab.

A Notus está desenvolvendo a Chainless, plataforma em que pretende distribuir tokens de ativos financeiros globais. A representação em forma de token é feita por um parceiro que opera na Suíça, e o andamento do projeto depende de consulta aos reguladores locais, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Não há barreiras para o que se pode tokenizar, exceto a regulatória”, afirma Voigt.

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A Binance enxerga potencial para os RWA Tokens em 2024. Em relatório de perspectivas para o ano que vem, a maior empresa cripto global aponta para a evolução de tecnologias que suavizam o atrito de entrada do mundo tradicional na rede on-chain, o universo do criptoativos. Um deles é o protocolo CCIP, que funciona como um serviço de troca de dados para diferentes redes blockchain. A Chainlink, uma rede já conhecida por construir pontes com as finanças tradicionais, é a responsável pelo projeto.

Neste semestre, o CCIP foi usado nos experimentos com blockchain do Swift, sistema de comunicação interligado a mais de 11 mil instituições bancárias pelo mundo. “Já vimos estudos de caso notáveis, em um grupo de grandes bancos e instituições financeiras incluindo Citi, BNY Mellon e outras. O CCIP e as instituições que ele pode atrair serão um desenvolvimento importante a seguir nos próximos meses”, afirma a Binance.

Trilho brasileiro

O Drex, a moeda digital que está em fase piloto no Banco Central (BC), é visto como um trilho para que projetos de tokenização sejam desenvolvidos no mercado financeiro local. Os casos de uso testados na fase atual são títulos públicos que são emitidos em forma de tokens. Atualmente, a liquidação de ativos tokenizados tem sido feita com moedas digitais de emissão privada (stablecoins), sem a “regulação adequada”, aponta o BC na página oficial do Drex.

“A ausência de uma infraestrutura descentralizada que tenha como ativo nativo a moeda do Banco Central expõe essas transações a riscos privados, o que pode comprometer a estabilidade financeira. Além disso, uma infraestrutura de registro descentralizado (DLT, da expressão ‘Distributed Ledger Technology’, em inglês) para o Drex permite elevado grau de auditabilidade, rastreabilidade e transparência, garantindo as ferramentas necessárias à sua supervisão e regulação”, aponta o BC.

Apesar do horizonte promissor, existem desafios que despontam. Em dezembro, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) apontou em seu relatório de estabilidade financeira que o crescimento da tokenização de ativos financeiros pode aumentar os riscos sistêmicos relacionados com criptomoedas e stablecoins. Com ativos digitais e tradicionais registrados no mesmo sistema, a rede blockchain, um problema no mundo cripto poderia trazer exposição às instituições sistêmicas, afirma o relatório.

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Os riscos são limitados até o momento, diz o BoE, que alerta para a necessidade de cooperação global em busca de uma regulação. “A coordenação internacional pode reduzir os riscos de repercussões transfronteiriças, arbitragem regulatória e fragmentação do mercado.”

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