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Direto da Faria Lima

O motivo que faria a Arbor, focada em offshore, abrir espaço para mais ações brasileiras na carteira

Agora, ela observa possibilidade de rali na Bolsa local com proximidade das eleições para aumentar exposição ao Brasil; veja como ela está fazendo isso

Por Luíza Lanza

15/07/2025 | 3:00 Atualização: 15/07/2025 | 12:32

Esta reportagem inaugura a nova seção do E-Investidor, dedicada a quem acompanha de perto as movimentações que moldam o mercado, com entrevistas exclusivas que vão destrinchar estratégias de investimento e alocação de portfólio. Você pode ler o que já publicamos aqui: Direto da Faria Lima. 

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A Arbor Capital surgiu em 2014 com um propósito de identificar “tendências seculares de crescimento”, preferindo teses em fase de expansão acelerada, mas com propensão a se manter assim no longo prazo. A capacidade de geração de lucro também importa, assim como estar posicionada em um segmento com barreiras de entrada, que garante maior vantagem competitiva aos negócios.

Essa combinação, junto a um mandato global, acabou direcionando o principal fundo de ações da casa, o Arbor FIC, para fora do mercado local. Uma estratégia que parecia ousada há uma década, mas fez a gestora entregar retornos consistentes aos investidores. Até o fechamento do 1º semestre, o fundo rendeu 153% no acumulado de 36 meses, um dos melhores desempenhos da indústria de FIAs no Brasil.

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Mantendo a proposta de investimento offshore, 80% da carteira do fundo hoje está em ativos dos Estados Unidos. “Claro que o Brasil tem empresas boas, mas, se buscamos tendências seculares de crescimento, é muito difícil fugir do grande polo de inovação do mundo”, diz Leonardo Otero, sócio e um dos fundadores da Arbor.

Boa parte do retorno acumulado pelo fundo nos últimos três anos tem a ver com o boom da Bolsa americana, que viu as empresas de tecnologia atingirem trilhões em valor de mercado impulsionadas pela ascensão da inteligência artificial. “É o nosso principal campo de estudo e também o principal tema de investimento”, destaca Otero.

Alocações em Microsoft e Meta deram bons retornos, assim como Alphabet e Amazon. Mas a maior posição hoje, na casa de 12%, segundo a lâmina do FIA, está em Taiwan – ainda dentro da tese de IA. É a TSMC, ou Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, focada na fabricação de semicondutores e conhecida por ser uma das grandes fornecedoras da Nvidia, que recentemente se sagrou a primeira companhia do mundo a valer US$ 4 trilhões.

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Mesmo com a Bolsa americana no all time high e todas as discussões que marcaram o semestre envolvendo preocupações com o ritmo da economia dos EUA e o fim do excepcionalismo americano, o viés segue positivo com o mercado por lá.

E com a soberania das teses de IA. “Entendo que as ações subiram muito, mas o crescimento vai ser exponencial numa visão de longo prazo. Se pudesse fazer uma analogia com futebol, diria que estamos nos 10 minutos do primeiro tempo.”

O Arbor FIC FIA começou em 2015, quando a gestora, que hoje tem R$ 620 milhões em ativos sob gestão, deixou de ser um clube de investimentos. Desde o início, acumula uma rentabilidade acima de 780%. Para efeito de comparação, no mesmo período o CDI rendeu quase 180%, e o Ibovespa, pouco mais de 190%.

O fundo foi construído com hedge cambial para neutralizar as oscilações do câmbio. Se o objetivo é oferecer ao investidor um ativo “ex Brasil”, o desempenho não pode ficar à mercê do real. “Às vezes, o pessoal olha os resultados e diz que fomos bem porque o dólar valorizou, o que não é verdade. É um fundo diretamente comparável aos fundos de ações tradicionais”, diz Otero.

As (poucas) brasileiras na carteira

A predileção por ações americanas não quer dizer que não haja espaço para bons ativos brasileiros na carteira da Arbor. Afinal, o fundo está classificado na categoria de “Ações Livres” da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e não como um produto voltado apenas ao investimento em ações no exterior, o que permite que a gestão selecione algumas oportunidades aqui e ali. Apesar de raro, o Arbor FIC investe em dois ativos nacionais. Um deles, inclusive, é responsável pela maior contribuição para a performance dos últimos anos, segundo Otero.

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É o Banco Inter (INTR), que estreou na B3 em 2018, mas hoje tem as ações listadas na Nasdaq, em Nova York, após uma migração feita em 2022 que contribuiu para que os papéis derretessem – e para que a Arbor montasse posições mais uma vez. O investimento inicial foi feito à época do IPO, permitindo capturar a valorização expressiva que o então BIDI11 teve até meados de 2021. Em 2022, a gestora já tinha realizado o desinvestimento, mas viu uma oportunidade para revisitar a tese após uma queda de 80% nas ações do banco.

“O negócio estava indo bem, crescendo, mas houve uma mudança de opinião de investidores que passaram de querer que as empresas crescessem muito para que elas dessem lucro muito rápido. O papel ficou órfão. E a gente achava que era um excesso de pessimismo”, diz Otero. “Diria que Banco Inter nos deu mais retorno até que a Microsoft“.

Atualmente, a alocação em Inter não é relevante. A brasileira de destaque na carteira do Arbor FIC hoje é uma ação meio contrassenso para a filosofia de investimentos da casa, que prefere teses de tecnologia e inovação a commodities. É a Prio (PRIO3), que integra o fundo desde 2017 em uma posição que começou pequena, mas foi se multiplicando ao longo dos anos graças à valorização da petroleira, a maior da década entre das ações que compõem o Ibovespa.

“É uma tese de pessoas, quase um fundo de private equity listado em Bolsa, focado em oil and gas. Somos sempre muito bem surpreendidos pelo time de gestão, que aloca capital muito bem e acreditamos que ainda tem muita oportunidade.”

Olhando para o Brasil e para 2026

O bom momento dos ativos brasileiros em 2025 fez a Arbor começar a ponderar uma maior alocação no País, de olho em teses do setor de utilities e alguns outros nomes pontuais, como Totvs (TOTS3). Mas ainda falta um gatilho para fazer a gestora apostar no mercado local: uma maior clareza em relação ao processo eleitoral de 2026.

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“As ações estão muito baratas se tivermos em 2027 uma liderança mais alinhada com o mercado; se não for o caso, as ações estão caras. E o mercado vai operar a probabilidade desses cenários até a eleição”, afirma Otero.

O “trade de eleição” já vem aparecendo na pauta das gestoras de investimento há algum tempo, ainda que o pleito presidencial só aconteça em outubro de 2026. Em um contexto de queda da popularidade da atual gestão, a aposta é de que a alternância de poder – e a possibilidade de um governo mais disposto a encarar o problema fiscal, na visão do mercado – fará os ativos brasileiros deslancharem. Contamos sobre isso em outras ocasiões, aqui e aqui.

A avaliação do sócio da Arbor é de que, somado ao ambiente macro no exterior mais positivo para emergentes, parte da alta conquistada pela Bolsa brasileira no primeiro semestre de 2025 tem a ver com a pauta eleitoral. E que ainda teria “muito para andar” a depender dos cenários.

Uma vitória da direita nas eleições de 2026 seria uma “porrada para cima”, diz Otero. O desafio é montar posições pensando nisso. “Montamos a Arbor com essa arquitetura de investir fora também porque não queríamos que a política fosse mais importante do que a seleção de empresas. Prefiro comprar Brasil um pouco mais caro, mas em um cenário mais previsível.”

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