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Investimentos

Nu Selic Simples x Tesouro Selic: qual vale mais a pena?

Novo produto do Nubank segue o Tesouro Selic, mas especialistas ainda preferem investimento direto nos títulos

Por Luíza Lanza

03/02/2024 | 3:00 Atualização: 02/02/2024 | 10:53

Aplicativo do Nubank (Foto: Daniel Teixeira/Estadão)
Aplicativo do Nubank (Foto: Daniel Teixeira/Estadão)

A classe de fundos de renda fixa chamada de Selic Simples é uma “concorrente” oferecida pelos bancos e corretoras para o investimento direto no Tesouro Selic. Assim como os títulos públicos, esses ativos têm um rendimento que acompanha a Selic, oferecem liquidez diária e baixo risco ao investidor – uma opção muito recomendada para a reserva de emergência, por exemplo. E agora investidores podem contar com mais uma opção para isso.

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O Nu Selic Simples foi lançado esta semana pelo Nu Asset, do Nubank, e anunciado com algumas vantagens em relação ao investimento direto nos títulos públicos pós-fixados. O investimento mínimo no ativo é de R$ 100, inferior aos R$ 143,96 exigidos para aportes no Tesouro Selic 2026 e R$ 142,92, do Tesouro Selic 2029. A taxa de administração cobrada pelo banco é de 0,19% ao ano, inferior aos 0,20% ao ano cobrados pelo Tesouro Direto para a custódia dos ativos.

Esses pontos fazem o recém-lançado produto do Nubank ser atrativo, especialmente para aqueles investidores que desejarem ter uma gestão ativa por trás do investimento. Uma vantagem frente ao investimento direto no Tesouro.

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“O Nu Selic Simples pode ser uma opção mais prática e acessível para alguns investidores, especialmente aqueles que preferem a facilidade de gestão de um fundo e buscam um investimento com baixo risco e liquidez diária”, diz André Sandri, sócio da AVG Capital e fundador do EDUCA$, instituição sem fins lucrativos que leva educação financeira aos brasileiros.

A visão, no entanto, não é unanimidade. Para Christopher Galvão, analista de Fundos da Nord Research, o Nu Selic Simples não compensa por dois motivos: taxa de administração e incidência de come-cotas.

O come-cotas é a cobrança de Imposto de Renda que incide sobre todos os fundos de investimento. Ao invés de ser cobrado apenas no resgate da aplicação, como no Tesouro, nos fundos o IR é cobrado de forma antecipada, em cotas a cada seis meses. “Isso já é um fator que causa uma redução da rentabilidade acumulada ao longo do tempo”, diz Galvão.

Mas a taxa de administração cobrada no fundo do roxinho também não agrada – nem em comparação ao Tesouro, nem a outros ativos semelhantes do mercado. A taxa de custódia de 0,20% só é cobrada pelo Tesouro Direto para investimentos superiores a R$ 10 mil; valores menores do que esse são isentos. E, por ser um produto considerado simples e que exige menos do time de gestão, existem opções de fundos Selic Simples que já não cobram taxa de administração.

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“Hoje no mercado existem fundos Selic Simples com taxa zero de administração, que de fato compensam, como o BTG Tesouro Selic Simples RF e o Trend DI FIC FI RF Simples, disponível na XP e na Rico. São fundos que eu indico como reserva de emergência”, diz Galvão, da Nord. “E, se for um valor de até R$ 10 mil, o Tesouro Direto não cobra a taxa de custódia, o que reforça ainda mais o argumento de que vale mais a pena colocar no próprio Tesouro Selic.”

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O Nubank tem outras opções de fundo de renda fixa: o fundo DI Nu Reserva Imediata e o fundo de crédito privado Nu Reserva Planejada. Para quem é cliente fiel do roxinho e não deseja retirar os recursos da instituição, o novo lançamento pode ser uma opção melhor para a reserva de emergência.

Em 2023, quando a fraude na Americanas (AMER3) instaurou uma crise no mercado de crédito privado, o Nu Reserva Imediata, que à época era o maior fundo de renda fixa do País, viu suas cotas oscilarem negativamente. O movimento pegou muita gente de surpresa, que não esperava que um fundo DI teria ativos de crédito privado na carteira – desde então, como contamos aqui, especialistas têm certo ceticismo com o ativo.

“O Nu Selic Simples pode ser uma alternativa interessante para a reserva de emergência dos clientes do Nubank, especialmente quando comparado com outros produtos como o Nu Reserva Imediata e o Nu Reserva Planejada”, diz Sandri, da AVG.

Onde investir a reserva de emergência

O Tesouro Selic é considerado uma opção bastante atrativa para investir a reserva de emergência, pois além de ter liquidez diária é considerado um dos ativos mais seguros do mercado brasileiro. Por serem títulos emitidos pelo Governo, esses ativos não têm o risco de crédito, como os ativos bancários e de crédito privado. Os fundos Selic também cumprem bem essa função, mas, neste caso, especialistas costumam priorizar aqueles ativos taxa zero.

“Ao avaliar entre esses fundos ou o Tesouro, o investidor deve considerar os seguintes aspectos: taxas de administração e custódia, liquidez, rentabilidade, risco e investimento mínimo. Lembre-se, a escolha ideal depende do perfil e objetivos de cada investidor”, ressalta André Sandri, da AVG Capital.

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Como mostramos aqui, nem mesmo a queda de juros muda essa recomendação por liquidez e baixo risco. Segundo especialistas, a reserva de emergência deve ser mantida em ativos pós-fixados, que acompanham a Selic ainda que a taxa esteja sendo reduzida gradualmente.

“O mercado apresenta diversas opções para o investidor manter a sua reserva de emergência, mas temos tido preferencia por uma carteira de fundos com liquidez até D+5, composta com uma parcela maior de Fundos Tesouro Selic ou DI, com vencimento D0. Isso permite que o Investidor esteja confortável com a sua liquidez imediata, sem correr riscos”, diz João Coutinho, economista e diretor da RJ+Asset.

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