MGLU3 R$ 8,04 -0,25% EURO R$ 6,34 +0,11% BBDC4 R$ 20,27 -0,73% ITUB4 R$ 22,66 -0,66% DÓLAR R$ 5,61 +0,00% PETR4 R$ 29,47 +3,51% IBOVESPA 102.814,03 pts +0,58% GGBR4 R$ 25,80 +0,98% ABEV3 R$ 16,34 -2,10% VALE3 R$ 69,50 +1,25%
MGLU3 R$ 8,04 -0,25% EURO R$ 6,34 +0,11% BBDC4 R$ 20,27 -0,73% ITUB4 R$ 22,66 -0,66% DÓLAR R$ 5,61 +0,00% PETR4 R$ 29,47 +3,51% IBOVESPA 102.814,03 pts +0,58% GGBR4 R$ 25,80 +0,98% ABEV3 R$ 16,34 -2,10% VALE3 R$ 69,50 +1,25%
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Mercado

Ações de titãs do e-commerce derretem em 2021. O que fazer?

Balanços do 3º trimestre fizeram desabar papéis de varejistas como Via e Magazine Luiza. Saiba o que esperar

Caixa em cima de teclado de notebook, com 'online shopping' escrito
Cenário é desfavorável para varejistas. Solução é buscar empresas menos relacionadas ao ciclo econômico. Foto: Pixabay
  • O ano de 2021 está sendo implacável para a maior parte das varejistas da Bolsa, inclusive para as gigantes do e-commerce, que foram as queridinhas no ano passado
  • Após as ações explodirem durante o período de lockdown, empresas como Magazine Luiza, Via Varejo e Americanas amargam fortes quedas e já devolvem praticamente todos os ganhos do ano anterior
  • Para os analistas consultados pelo E-Investidor, agora é a hora de buscar varejistas que sejam mais resilientes em tempos de juros e inflação altos

O ano de 2021 está sendo implacável para a maior parte das varejistas da Bolsa, inclusive para as gigantes do e-commerce, queridinhas dos investidores no ano passado. As ações do Magazine Luiza (MGLU3), por exemplo, desabaram quase 36% desde a publicação do balanço do 3º trimestre, em 11 de novembro.

Com a derrocada, as ações saíram do patamar de R$ 13,65 e atingiram os R$ 8,84 nesta segunda-feira (22), devolvendo todos os ganhos de 2020, quando o lockdown impulsionou as vendas on-line e os papéis MGLU3 despontaram 109%. Excluindo os efeitos não recorrentes, o lucro líquido da Magalu foi de R$ 22,6 milhões entre julho e setembro, quase 90% menor do que os R$ 215,9 milhões registrados no 3º trimestre de 2020.

Outro ponto considerado negativo foi a queda de 37,5% no EBITDA (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que passou de R$ 561 milhões para R$ 351 milhões, além da diminuição de 14,6% nas vendas em lojas físicas.

Contudo, a varejista da família Trajano não foi a única a experienciar fortes baixas após os resultados. Uma explosão no volume de provisões para processos trabalhistas da Via (VIIA3) impactou o EBITDA da empresa em R$ 1 bilhão no 3º trimestre e fez as ações caírem 12,48% em 11 de novembro, pregão seguinte à divulgação do balanço.

No ano, MGLU3 e VIIA3 estão em queda de mais de 60% desde janeiro, segundo dados levantados pela Economatica.

Entre os grandes do e-commerce, a Americanas (AMER3) foi a que teve os resultados considerados mais positivos. Pela primeira vez em 12 meses, o GMV (volume bruto de mercadorias) da empresa ficou acima dos concorrentes, como as próprias Magalu, Via e até mesmo o Mercado Livre. O montante atingiu R$ 12,9 bilhões, aumento de 23,8% em relação há um ano.

Ainda assim, os papéis seguem em queda de 58% no ano, aos R$ 31,36. “Continuamos relativamente cautelosos com os nomes de comércio eletrônico no Brasil, dados os ventos contrários de curto prazo”, explica a Ágora Investimentos em relatório.

Cenário nebuloso

Victor Bueno, analista de ações da Nord Research, explica que o setor de varejo como um todo está sendo impactado negativamente pela alta da inflação e dos juros, que atinge em cheio a renda e o consumo das famílias. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação, já está em 8,24% entre janeiro e outubro. A taxa Selic, segundo o Focus, deve terminar o ano em 9,25%, após iniciar o período a 2%.

Contudo, não seriam apenas os fatores macro que estariam pressionando as ações do Magazine Luiza. A varejista, que desde o IPO entregou uma alta de mais de 1.600%, estaria sendo negociada a preços muito esticados.

“Magazine Luiza vem crescendo no setor digital, mas houve uma queda grande nas vendas de lojas físicas e isso impactou bastante o lucro da empresa”, afirma Bueno. “Mas não foi só isso. A empresa é um dos maiores cases de sucesso na nossa Bolsa. Então, chegou em um ponto em que o mercado estava pagando um preço muito alto pelos resultados da Magalu. Agora, o mercado começa a trazer o preço para um patamar mais justo, mais aceitável”, afirma Bueno.

Para o analista da Nord, apesar de já terem regredido bastante, os papéis ainda têm espaço para cair mais. “Nada é tão barato que não possa ficar mais barato ainda. Vejo os preços muito esticados dentre os pares. Temos no varejo oportunidades melhores, de empresas menos dependentes do macro, que podem avançar bem no e-commerce”, afirma Bueno.

Essa também é a visão de João Abdouni, especialista em investimentos da Inversa Publicações. “É uma ótima empresa, mas temos dificuldade em fechar a conta. Está negociando na casa de 80 vezes o lucro e a média da Bolsa está na casa de 8 vezes o lucro. Logo, tem uma expectativa de crescimento muito grande e como a taxa de juros está alta, isso se torna muito difícil.”

A Via, por sua vez, estaria cerca de 10 vezes mais barata que a Magazine Luiza, ainda que os faturamentos das varejistas sejam muito próximos, em cerca de R$ 35 bilhões.

“Temos visão neutra para as duas varejistas. Uma por estar muito cara e outra por ter algumas complicações na operação, que vai ter que fazer um dever de casa bastante robusto para que o mercado retome a confiança”, explica Abdouni.

É importante ressaltar que a competição no e-commerce também está se acirrando com a chegada de players estrangeiros, como Shopee e AliExpress. De acordo com Flávia Meireles, analista da Ágora Investimentos, os novos concorrentes e a deterioração das perspectivas econômicas criaram um cenário nebuloso para as companhias de varejo, principalmente do varejo on-line.

“No caso da Via foram as provisões trabalhistas que surpreenderam negativamente. Com o Magazine Luiza foi o EBITDA que decepcionou. Já com a Natura foi o adiamento das metas (guidance) estipuladas para 2022, que agora ficarão para 2023. Cada balanço teve uma questão pontual que acabou pesando nas ações, além do aumento dos custos”, afirma Meirelles.

Segundo Gabriela Sporch, especialista em Finanças, para os próximos meses os investidores precisam ficar atentos à evolução destas varejistas. “A pandemia forçou as empresas de varejo a acelerarem o processo das vendas digitai, mas ainda tem bastante espaço para crescimento. O desafio vai ser o processo competitivo, então quem conseguir se adaptar melhor, vai se destacar.”

Resilientes e baratas

Em um cenário macro negativo para o varejo, a busca dos analistas é por empresas do setor que sejam resilientes e pouco mais descorrelacionados a essa conjuntura. Companhias que atendem públicos de mais alta renda (que são menos afetados por ciclos econômicos negativos) e varejistas de atuação internacional se destacaram entre as recomendações.

É o caso das Lojas Renner (LREN3), recomendada por Meireles, da Ágora, e por Bueno, da Nord. A empresa de vestuário não esteve entre as preferidas de 2020 e terminou o ano em baixa de 21,9%. Entretanto, além de atender um público com poder aquisitivo maior e ter uma boa execução (emplacar novas coleções), os resultados do 3º trimestre chamaram a atenção.

No período, as Lojas Renner registraram um lucro líquido de R$ 172 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 82,9 milhões de um ano antes. O aumento nas vendas digitais de 8,2% no trimestre e 4% na receita líquida também animaram o mercado. “É uma empresa resiliente a períodos de mais volatilidade, ótima execução, ótima gestão, é uma das nossas preferidas no setor”, explica Meirelles.

Bueno ainda destaca uma outra varejista, cujo case é bastante particular: a Petz (PETZ3), que vende produtos e serviços para animais de estimação. A empresa deve ser beneficiada por essa tendência de humanização dos pets e ser mais resiliente, mesmo com um cenário macro desfavorável.

Quando o assunto é exposição a mercados estrangeiros, Meireles vê oportunidades nas varejistas Alpargatas (ALPA4), dona das Havaianas, e que conta com operações internacionais. Por isso, se beneficia do dólar alto. Grupo SBF (SBFG3), antiga Centauro, e Assaí (ASAI3) também estão na mira da Ágora Investimentos.

“O Grupo SBF adquiriu as operações brasileiras da Nike e vem surpreendendo. Está saindo desse período de pandemia de forma muito melhor do que entrou, pois foi a companhia que apresentou os melhores resultados nesse período de pandemia”, explica Meireles. “E nesse período de inflação alta estamos vendo as pessoas fazerem mais compras em atacarejos, o que favorece o Assaí”, completa.

Seguindo a linha de mercados, a única recomendação da Inversa no segmento de varejo é o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3). Em outubro, o GPA vendeu 71 Lojas Extra Hiper para o Assaí, por R$ 5,2 bilhões. A transação foi considerada positiva, já que a divisão era pouco rentável. Além disso, o grupo varejista é negociado a cerca de 48% do valor patrimonial, cerca de R$ 6,2 bilhões.

Logo, só com a venda das Lojas Extra Hiper o GPA levantou quase o mesmo capital pelo qual é negociado em Bolsa. Fora esse negócio com o Assaí, o Pão de Açúcar tem o Êxito, hipermercado colombiano que vem apresentando resultados positivos, e uma participação de 34% na Cnova, e-commerce francês avaliado em torno de R$ 5 bilhões.

“Estamos bem empolgados. Gostamos dessa operação do grupo Êxito na Colômbia, achamos que eles podem vender essas ações da Cnova e ganhar um bom dinheiro com isso. E ainda tem as operações do Pão de Açúcar no Brasil. É provável que eles consigam rentabilizar com margens melhores após a venda das lojas Extra”, afirma Abdouni.

A Inversa tem recomendação de compra para ação, com preço-alvo de R$ 75 – um salto de mais de 100% em relação ao patamar atual, de R$ 22.

De acordo com Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, agora vivemos um cenário de inversão. No momento, as ações que não são interessantes para se ter na carteira são justamente aquelas com maior ‘pé’ no digital, como a Magazine Luiza, Via Varejo e Americanas. Agora, a vez é do varejo físico e dos shoppings.

“As pessoas querem aproveitar as ruas, sair um pouco mais, comprar nas lojas físicas, e as empresas que dependem mais do on-line tendem a perder um pouco de ‘momento’. No entanto, a tendência para o futuro ainda é o on-line”, afirma Cruz.

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