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Negócios

Credit Suisse congela US$ 1 bilhão em fundos. Escândalo de exposição a império falido aumenta

Instituição suíça atua, novamente, para consertar um problema que pode manchar sua reputação

Por E-Investidor

15/03/2021 | 14:53 Atualização: 15/03/2021 | 15:30

Thomas Gottstein, CEO do Credit Suisse (Foto: Arnd Wiegmann/Reuters)
Thomas Gottstein, CEO do Credit Suisse (Foto: Arnd Wiegmann/Reuters)

(Patrick Winters/WP Bloomberg) – O Credit Suisse Group congelou mais quatro fundos que investiram US$ 10 bilhões na estratégia de financiamento da cadeia de suprimentos do império falido de Lex Greensill, aumentando o escândalo em torno da exposição do banco.

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Os fundos têm cerca de US$ 1,2 bilhão em ativos, alguns dos quais foram colocados nos quatro fundos vinculados ao Greensill que o Credit Suisse colocou em fase de liquidação. Os fundos estão suspensos pelo banco desde 1º de março, no mesmo dia em que congelou a estratégia de financiamento da cadeia de suprimentos. A decisão foi publicada em uma atualização para investidores em seu site, datada de 9 de março.

Os maiores são o Credit Suisse (Lux) Multi Strategy Bond Fund, de US$ 701 milhões, e o Credit Suisse (Lux) Multi Strategy Alternative Fund, de US$ 303 milhões.

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A suspensão agrava uma crise que força o Credit Suisse a buscar ajuda externa para lidar com as dúvidas dos reguladores e a ameaça de sobrecarregar o banco com as perdas do empréstimo feito meses antes do colapso do império de Greensill. Para o CEO Thomas Gottstein, é indiscutivelmente o pior golpe de reputação desde que assumiu há cerca de um ano, na sequência de um escândalo de espionagem.

O Credit Suisse congelou a estratégia de financiamento da cadeia de suprimentos – que investia em empréstimos de curto prazo arranjados pela Greensill – depois que surgiram dúvidas sobre as avaliações de alguns dos ativos, dando início a um evento em cadeia que culminou no colapso da Greensill Capital. O banco considerou-os uma história de sucesso ainda em dezembro. Embora os pools tenham devolvido a maior parte do dinheiro, cerca de dois terços dos recursos dos investidores permanecem amarrados.

O banco disse que está procurando várias opções para reabrir os quatro fundos adicionais que congelou junto com a estratégia ligada ao Greensill. Os outros dois fundos desse grupo são o Credit Suisse (Lux) Qatar Enhanced Short Duration Fund e o Credit Suisse (Lux) Institutional Target Volatility Fund.

Investigação interna

O Credit Suisse iniciou uma investigação interna sobre o colapso da estratégia de financiamento da cadeia de suprimentos. Substituiu temporariamente três funcionários em sua unidade de gestão de ativos vinculadas aos fundos. Michel Degen, chefe de gestão de ativos na Suíça e EMEA (Emerging Europe, Middle East, Africa), está sendo substituído interinamente por Filippo Rima, segundo uma fonte que pediu para não ser identificada. Luc Mathys, chefe de renda fixa, e outro gerente que administrava os fundos também foram suspensos de suas funções.

O credor suíço também está entrando em contato com empresas externas para lidar com as dúvidas dos reguladores sobre o colapso, disseram pessoas a par do assunto, que pediram anonimato por discutirem assuntos internos.

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O Credit Suisse começou a devolver o dinheiro dos fundos de financiamento da cadeia de suprimentos aos investidores. Os primeiros pagamentos, totalizando pouco mais de US$ 3 bilhões, foram feitos no início da semana passada, de acordo com uma sessão de perguntas e respostas para o investidor publicada no site do banco. Os recursos adicionais serão distribuídos em várias parcelas.

Muitos dos ativos nos fundos têm proteção de seguro para torná-los mais atraentes para os investidores que buscam alternativas aos mercados financeiros, mas uma grande seguradora – a japonesa Tokio Marine Holdings Inc. – questionou a validade dos contratos com a Greensill Capital.

A queda estonteante de Greensill (em questão de dias) foi iniciada no ano passado, quando a unidade Bond & Credit Co. da Tokio Marine decidiu não renovar apólices que cobriam bilhões de dólares em empréstimos realizados pela firma de financiamento da cadeia de suprimentos. A proteção contra a inadimplência, de cerca de US$ 4,6 bilhões em crédito, expirou este mês, após um esforço inútil da Greensill para obter uma liminar e mantê-lo, segundo apontam documentos judiciais.

Além da perda do seguro, o Credit Suisse também apontou para incertezas na avaliação para algumas das participações dos fundos. Uma grande parte dos ativos foi inicialmente vinculada ao industrial Sanjeev Gupta, informou a Bloomberg. A Aliança GFG de Gupta está agora lutando para negociar uma prorrogação de suas obrigações de dívida com a Greensill Capital.

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