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Negócios

Por que o pessimismo chegou à Nasdaq

Ações de tecnologia já sentem impactos da inflação nos Estados Unidos

Por E-Investidor

22/05/2021 | 7:00 Atualização: 21/05/2021 | 13:12

Montagem com as marcas de Google, Amazon, Apple e Facebook: cada vez maiores e mais poderosas. (AFP)
Montagem com as marcas de Google, Amazon, Apple e Facebook: cada vez maiores e mais poderosas. (AFP)

(Katie Greifeld, Lu Wang/WP Bloomberg) – Seja qual for a razão da liquidação nas ações de tecnologia (e o medo da inflação parece ser o culpado mais provável), faz semanas que somam-se as evidências de que os traders estavam se preparando para um declínio.

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O short interest no fundo de ações da Nasdaq 100, em queda livre até março, estava em forte alta antes de o índice ter seu maior tombo desde março. O fluxo para o ETF foi negativo em abril e teria seguido a tendência nesse mês, se não fosse por um salto na sexta-feira. No total, cerca de meio bilhão de dólares foi sugado dos QQQs este ano.

Com o índice Nasdaq 100 — negociado a mais de cinco vezes o valor de sua receita anual — despencando mais de 2,5%, a volatilidade nas ações de tecnologia teve o maior salto desde março. Com a expectativa de inflação chegando ao nível mais alto desde 2006, todos foram atingidos, desde as maiores ações de tecnologia até os peixes pequenos. A negociação de futuros no Nasdaq 100 caiu até 1,4% na abertura das bolsas asiáticas na terça-feira.

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“As pressões inflacionárias estão cada vez mais difíceis de ignorar”, disse Adam Phillips, diretor administrativo de estratégia de portfólio da EP Wealth Advisors. “Embora ainda não se saiba se a questão é apenas temporária, a perspectiva de inflação está levando os investidores a buscarem áreas mais isoladas da ameaça da alta nos preços.”

A amplitude do tombo das ações de tecnologia tornou a segunda-feira especialmente dolorosa para as empresas que vinham em alta. O ARK Innovation ETF (ticker ARKK), de Cathie Wood, caiu 5,2% e chegou ao valor mais baixo desde novembro, com uma desvalorização acentuada de algumas de suas principais propriedades, com empresas como Tesla Inc., Roku Inc. e Teladoc Health Inc. em baixa. Depois de impressionantes ganhos de 150% em 2020, o ARKK já teve queda de 16% neste ano.

Mas o estrago não se restringiu aos papéis de tecnologia mais especulativos. O índice FANG, da bolsa de Nova York, teve queda de 3,6% e, com isso, o indicador deve ter seu pior mês desde março de 2020. Com a inflação ameaçando alcançar uma marca ainda maior, está se tornando cada vez mais difícil justificar as caras valorizações desta corte. As ações da Alphabet são negociadas a um valor oito vezes superior à receita, proporção mais alta em mais de dez anos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg, enquanto o Facebook é negociado a um valor nove vezes superior à sua receita – quase o dobro da média das empresas do Nasdaq 100.

Aposta contra ações de tecnologia

A aposta contra as ações de tecnologia foi reforçada com a hesitação da liderança da indústria em meio a uma fuga para os negócios da reflação. O short interest do maior ETF que acompanha o Nasdaq 100, ou QQQ, aumentou para 3,6% de ações em circulação, maior nível visto desde agosto, representando alta de 0,9% em dezembro. A alta nas apostas pessimistas se destacou em um mercado no qual os shorts despencaram em meio ao ganho de 88% do índice S&P 500 desde o colapso causado pela pandemia em março de 2020.

Enquanto isso, depois de vários anos de fluxo de sentido único, os investidores estão começando a tirar dinheiro do ETF Invesco QQQ Trust Series 1, de US$ 161 bilhões Invesco QQQ Trust Series 1. O fundo já perdeu cerca de US$ 425 milhões em 2021 até o momento, depois de absorver quase US$ 17 bilhões em 2020 — a segunda maior entrada já registrada. Tudo indica que o ETF terá seu primeiro ano de fluxo negativo desde 2016.

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Os gráficos para o Nasdaq 100 mostram um quadro precário. No curto prazo, o índice está se aproximando do preço médio em 100 dias, tendência que está a menos de 0,1% do nível atual do índice e serviu como fonte de suporte durante a liquidação de novembro do ano passado e de março deste ano. Uma queda sustentada no fim de 2018 e em março de 2020 foi seguida por perdas que ultrapassaram os 20% do ponto mais alto até o ponto mais baixo.

Observado mais de longe, esse quadro não melhora. Ao sobrepor a altitude relativa da Nasdaq à curva do S&P 500, vemos que a proporção está novamente abaixo do auge de 2000. Em março, a dificuldade em se manter acima desta referência foi identificada por Jeffrey Gundlach, fundador da DoubleLine Capital LP, como indício da possibilidade de novo colapso.

Se nada nos dados indica uma alta significativa no pessimismo, eles são condizentes com um pano de fundo no qual o otimismo extremo que marcou os 14 meses mais recentes dá sinais de enfraquecer. Talvez isso faça sentido depois de o índice ter acumulado alta de 92% desde o ponto mais baixo causado pela pandemia.

Em setembro do ano passado, as maiores empresas, conhecidas geralmente como  FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google), viram os traders buscando opções otimistas em busca de lucro rápido. Essa demanda enfraqueceu desde então, com seu interesse combinado por contratos abertos caindo cerca de um terço em relação ao auge, de acordo com dados reunidos pela Bloomberg.

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(Tradução de Augusto Calil) 

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