De janeiro a março deste ano, a taxa de utilização das centrais petroquímicas da Braskem no Brasil ficou em 69%, recuo de 5 pontos porcentuais (p.p.) ante um ano e avanço de 11 p.p. frente ao trimestre imediatamente anterior. As exportações de principais químicos a partir do Brasil atingiram 39 mil toneladas no trimestre, queda de 39% sobre o mesmo período de 2025 e de 25% ante o quarto trimestre.
No segmento de resinas, as vendas no Brasil totalizaram 782 mil toneladas no primeiro trimestre, queda de 3% frente ao mesmo trimestre do ano passado e alta de 5% na comparação trimestral. As exportações de resinas alcançaram 182 mil toneladas no trimestre, redução de 4% na base anual e de 17% na base trimestral.
A taxa de utilização do eteno verde caiu para 64% no trimestre encerrado em março, queda de 23 p.p. e de 4 p.p. frente ao mesmo trimestre de 2025 e ao quarto trimestre de 2025, respectivamente. As vendas de polietileno verde (PE) somaram 26 mil toneladas no trimestre, quedas de 32% e 50% nas mesmas comparações.
No mercado internacional, a diferença entre o preço de compra e venda (spreads) de resinas da Braskem ficaram em US$ 314 por tonelada, recuo trimestral de 13% e anual de 15%. Já os spreads de principais químicos atingiram US$ 326 por tonelada, queda de 12% na base anual e de 4% na comparação trimestral, informou a companhia.
O Citi avaliou os dados operacionais da Braskem no primeiro trimestre como ruins, refletindo um mercado petroquímico ainda desafiador, com o México como destaque negativo. O banco espera números difíceis para a companhia no período, embora veja cenário melhor ao longo dos próximos trimestres, com spreads mais altos e provável melhora de competitividade.
Operação da Braskem na América do Norte e na Europa
Nos Estados Unidos e na Europa, a taxa média de utilização reportada pela Braskem foi de 79% no primeiro trimestre, 5 porcentuais acima do primeiro trimestre de 2025 e 8 pontos acima do quarto trimestre. As vendas totalizaram 496 mil toneladas, estabilidade na base anual e alta de 3% na base trimestral. O spread médio de PP na região ficou em US$ 368 por tonelada, queda de 2% no ano e alta de 6% no trimestre.
No México, a taxa de utilização alcançou 55%, queda anual de 24 p.p. e de 30 p.p. no trimestre. As vendas somaram 140 mil toneladas, queda de 25% na comparação anual e de 37% no trimestral. O spread de PE na operação mexicana ficou em US$ 824 por tonelada, alta de 1% e de 32%.
Citi vê operação no México como culpado
Os analistas Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona, do Citi, explicam que a piora dos dados operacionais ficou concentrada justamente no México e atribuem esse desempenho principalmente à forte queda da taxa de utilização no país, em meio à redução das importações de etano via o Terminal Química Puerto México (TQPM) e à menor oferta da PEMEX, movimento ligado a medidas de preservação de liquidez da Braskem Idesa.
A recomendação do banco para as ações da Braskem é neutra, com preço-alvo de R$ 10, o que representa um potencial de alta de 7,41% em relação ao fechamento de ontem.
A Braskem (BRKM5) divulga o seu balanço relativo ao 1T26 na próxima terça-feira (12) e o relatório de produção e vendas dá pistas dos resultados aos investidores.
* Com informações do Broadcast