O enfraquecimento da divisa americana nos últimos dias reflete os sinais de arrefecimento dos conflitos no Oriente Médio. Nesta quarta-feira, o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, aguarda resposta do Irã em até 48 horas e fontes indicam que este é o momento mais próximo de um acordo até agora.
O presidente dos EUA anunciou também uma pausa temporária na operação de escolta no Estreito de Ormuz após “grande progresso” nas conversas e pressão da alta de 50% da gasolina na América do Norte. Caso o acordo não seja alcançado, o republicano afirmou na manhã de hojeque os ataques contra o país retornarão e com uma intensidade “muito maior do que antes”.
Caso o acordo não seja alcançado, o republicano afirmou na manhã de hoje que os ataques contra o país retornarão e com uma intensidade “muito maior do que antes”. O avanço das negociações também fez o dólar operar em baixa frente a outras moedas de economias desenvolvidas. O índice DXY do dólar – que compara a variação da moeda com outras seis divisas globais – teve queda de 0,43%, a 98,023 pontos nesta tarde.
Os investidores monitoraram dados de atividade na Europa. O PMI de serviços da zona do euro caiu para 47,6 em abril na pesquisa final da S&P Global, mas ficou um pouco acima da prévia, enquanto o do Reino Unido subiu mais do que inicialmente estimado, para 52,7.
Nos EUA, o setor privado criou 109 mil empregos em abril, segundo pesquisa com ajustes sazonais divulgada pela ADP. A expectativa de analistas consultados pela FactSet era de geração de 108 mil postos de trabalho no mês passado.
O petróleo hoje fechou em queda pelo segundo dia consecutivo. O WTI para junho, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), encerrou em baixa de 7,03% a US$ 95,08 o barril. Já o Brent para julho, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), caiu 7,83% a US$ 101,27 o barril. Veja a cobertura completa do petróleo hoje aqui.
O dólar vai cair mais?
A depreciação do dólar frente ao real não é um evento recente nem tampouco causado por fatores exclusivamente domésticos. Desde a chegada de Donald Trump ao poder, o mundo acompanha de perto a agenda política e econômica da Casa Branca que fragilizou a percepção do papel do dólar como porto seguro e alterou parte do fluxo de capital. Nesse cenário, investidores começaram a reduzir sua exposição aos Estados Unidos e a redirecionar recursos para mercados emergentes, como o Brasil.
Mas a alta recente das bolsas americanas traz um sinal de alerta para os brasileiros: o movimento de queda do dólar pode estar próximo do fim. Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, com a temporada de balanços, o mercado passa a observar as oportunidades no setor à medida que as companhias reportam seus resultados. Como os Estados Unidos reúnem o principal polo de tecnologia do mundo, o fluxo de capital dos investidores tende a ficar direcionado para as bolsas americanas.
“O fôlego visto nas bolsas americanas nas últimas semanas de abril não foi visto no Ibovespa. O índice da B3 não rompeu os 200 mil pontos, mas os índices Nasdaq e o S&P 500 estão próximos da sua máxima histórica. Isso é um sinal de alerta”, diz William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. “Vejo que o mercado está voltando a olhar as oportunidades em tecnologia”, acrescenta. Veja os detalhes aqui.
Vale investir em dólar?
A queda na cotação, embora ainda reflita um cenário incerto, abre espaço para os brasileiros ampliarem sua exposição ao dólar a um preço mais acessível em comparação aos últimos meses. Esse movimento ganha mais relevância diante da relação risco e retorno que os ativos dolarizados podem oferecer ao portfólio.
Os títulos soberanos dos Estados Unidos, por exemplo, continuam oferecendo aos investidores retornos acima de 3% em dólar. Segundo especialistas, a rentabilidade, aliada à segurança da economia americana, atua como proteção ao chamado “risco Brasil”, que pode voltar a pressionar o câmbio nos próximos meses com a proximidade das eleições presidenciais.
Além disso, os efeitos da guerra ajudaram o dólar a se manter abaixo das projeções do mercado no curto prazo. Segundo dados do Boletim Focus, os bancos e corretoras estimam um câmbio de R$ 5,25 até o fim do ano.
“Olhando para o histórico, este seria um momento favorável. Mas o foco deve ser em manter uma parcela no exterior e enviar recursos de forma recorrente, independentemente da cotação do dólar”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
*Com informações do Broadcast