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Mercado

Taxa de juros: o que corretoras esperam da ata do Banco Central sobre Selic

Corte de juros é tido como o principal gatilhos para uma valorização na Bolsa; mas deve começar só em agosto

Por Luíza Lanza

20/06/2023 | 3:00 Atualização: 20/06/2023 | 8:31

Foto: Beto Nociti/Banco Central
Foto: Beto Nociti/Banco Central

Os olhares do mercado estão voltados para a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do semestre, que acontece entre a terça (20) e a quarta-feira (21). Apesar do consenso indicar a manutenção da taxa de juros em 13,75% ao ano, estacionada desde agosto de 2022, a expectativa é de que o tom do comunicado dê indicativos dos próximos passos da instituição – inclusive sobre um possível primeiro corte na Selic já no segundo semestre.

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Na última reunião do grupo, em maio, o tom ainda era relativamente duro. Mantendo a mensagem de cautela, o BC reforçou uma preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação, enfatizando que “não hesitaria” em retomar o ciclo de ajuste se julgasse necessário. Para esta semana, ao menos essa última parte, já não deve mais estar presente no novo comunicado.

Esta é a percepção geral dos 6 especialistas consultados pelo E-Investidor. Um tom ainda cauteloso, mas que não volte a mencionar a possibilidade de novas altas da Selic – o que, frente a comunicados anteriores, já significaria um sinal positivo.

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A outra expectativa tem a ver com indícios dos próximos passos. Boa parte do mercado passou a precificar que o primeiro e tão falado corte na Selic deve acontecer em agosto, mas isso não é consenso. Entre as corretoras consultadas, há quem veja uma redução nos juros apenas em setembro.

O corte na taxa de juros é tido por muitos analistas de mercado como o principal gatilho que fará a Bolsa e os ativos de risco conseguirem uma recuperação este ano, depois de quase dois anos sendo penalizados pelo aperto monetário. A própria expectativa de que a redução de juros está se aproximando já está fazendo alguns investimentos se valorizarem.

O Ibovespa, por exemplo, já acumula oito semanas consecutivas de alta. Um momento de bull market, como contamos aqui. Por isso, a reunião desta quarta-feira é tão importante. Para entender melhor o que esperar da decisão, veja quais são as  expectativas das corretoras consultadas:

Ágora Investimentos

  • Expectativa: corte de 0,5 p.p. em agosto

Na Ágora Investimentos, a expectativa é que a, ao manter a Selic em 13,75% ao ano por mais um encontro, o Copom dê indicativos em seu comunicado de que o corte na taxa de juros deve começar nas próximas decisões. A corretora projeta que os juros encerrem 2023 em 11,75% – o que significaria quatro cortes de 0,5 ponto percentual começando a partir de agosto.

A projeção um pouco mais otimista se baseia na expectativa de que os indicadores da economia que serão divulgados até a reunião do Copom de agosto seguirão positivos, corroborando com o fim do aperto monetário.

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“Até lá vamos ter mais um dado de inflação mostrando um cenário benigno, possivelmente a aprovação do arcabouço fiscal no Senado sem alterações relevantes no texto base, além da reunião do CMN com a definição da meta de inflação; o que tira a incerteza e pode ancorar as expectativas”, explica Maria Clara Negrão, analista da Ágora.

BTG Pactual

  • Expectativa: corte de 0,25 p.p. em agosto

Em relatório divulgado nesta segunda-feira (19), o BTG destacou que espera uma mudança na comunicação do Copom nesta reunião.

No encontro de maio, o comitê manteve a postura vigilante, expressando preocupação com a deterioração das projeções de inflação. A expectativa do BTG agora é que o trecho que vinha aparecendo no comunicado, de que a instituição não hesitaria em retomar os ajustes na Selic, não apareça mais.

Os analistas Claudio Ferraz, Bruno Balassiano e Bruno Martins pontuaram ainda que, assumindo que o CMN manterá a meta de inflação em 3% na reunião do final de julho, agora veem espaços para que os cortes na Selic comecem já no encontro de agosto do Copom, com uma redução de 0,25 p.p. Anteriormente, a projeção do BTG era apenas para setembro.

“Por enquanto, vemos o tom geral e a estratégia do Copom apontando para um corte inicial de 25bps, mas a possibilidade de um movimento mais significativo (50bps) está em cima da mesa”, diz o relatório.

Itaú BBA

  • Expectativa: cortes a partir de setembro

O time de economia do Itaú BBA não espera que o Copom sinalize que um corte de juros é iminente na reunião da quarta-feira. A expectativa é que a instituição reitere o tom de paciência/cautela adotado até aqui, mas remova do comunicado o alerta de que não hesitará em retomar o ciclo de ajustes.

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“Acreditamos que a eventual flexibilização da política monetária deveria ocorrer de forma gradual”, diz em relatório o economista-chefe Mario Mesquita. “Por um lado, a queda da inflação corrente tem sido importante, por outro, a inflação permaneceu elevada por um período prolongado, com expectativas longas desancoradas, o ajuste fiscal ainda é desafiador e a política monetária nos países desenvolvidos continua avançando em território contracionista.”

Entendendo que o cenário ainda demanda cautela com as projeções de inflação de médio prazo, o Itaú espera que o primeiro corte na taxa de juros aconteça apenas em setembro.

Kinea Investimentos

  • Expectativa: início dos cortes em setembro

Na Kinea, a expectativa também é que o ciclo de cortes na Selic se inicie apenas em setembro. Para a reunião desta quarta-feira, a projeção é de que o BC mantenha o tom relativamente duro, reforçando a necessidade de cautela.

“Desde a última reunião finalmente vimos melhora nas expectativas de inflação, mas não podemos esquecer que a meta para 2024 é de 3%, e as expectativas estão desancoradas. Por isso não acreditamos que o BC vai sinalizar cortes já para a reunião de agosto, o ciclo deve começar em setembro, quando o processo de desinflação estiver mais consolidado”, diz Daniela Lima, economista da Kinea.

Suno Research

  • Expectativa: corte de 0,25 p.p. em agosto

Na Suno Research, o entendimento é que o cenário atual é melhor do que o de meses anteriores para o Banco Central. “Desde a última reunião do Copom, realizada no início de maio, a inflação continuou dando sinais de arrefecimento e, diante de uma redução do risco fiscal, a taxa de câmbio passou a ser negociada abaixo dos R$ 5,00, as expectativas melhoraram e as taxas das longas da curva de juro futura começaram a cair. Todos são fatores positivos para o Banco Central”, explica Gustavo Sung, economista-chefe.

O cenário base da casa é de início dos cortes em agosto, com três reduções consecutivas de 0,25 p.p até que, por fim, na última reunião do ano em dezembro, o Copom opte por um corte de 0,5 p.p., levando a Selic para 12,50% ao ano.

XP Investimentos

  • Expectativa: corte de 0,25 p.p. em agosto

Na XP, o entendimento também é que os dados divulgados desde a última reunião do Copom sugerem que a política monetária pode ser menos restritiva do que foi no início do ano. Uma melhoria que deve ser incorporada no comunicado.

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“Ao mesmo tempo, como as projeções de inflação continuarão acima da meta, o comitê tende a manter a ‘guarda alta’, sem se comprometer com a próxima decisão”, dizem Caio Megale, economista-chefe, Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, economistas da XP.

O cenário base da corretora considera um corte de 0,25 p.p. em agosto, seguido de cortes de 0,50 p.p até a taxa Selic atingir 11,00% ao ano no 1º trimestre de 2024.

 

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