Apesar do cenário de cautela, o movimento tem sido positivo para as petroleiras brasileiras. Isso porque a alta do petróleo tende a beneficiar os resultados financeiros do setor nos próximos trimestres, especialmente se os conflitos se prolonguem nas próximas semanas. Mas, perto do no fim pregão, os preços do petróleo perderam fôlego – impactando ações do setor.
No fechamento, as ações da PetroReconcavo (RECV3) recuaram 1,71%, a R$ 12,65, enquanto os papéis da Brava Energia (BRAV3) caíram 1,93%, a R$ 19,35.
Já a PRIO (PRIO3), que chegou a subir 5,30%, acabou em queda de 1,43%, refletindo a reação do setor após mergulho da commodity após falas do presidente dos EUA Donald Trump. Em entrevista por telefone nesta tarde para a CBS, Trump afirmou que a guerra contra o Irã pode acabar em breve. O republicano revelou que ainda pensa em tomar o Estreito de Ormuz para controlar a passagem de navios na região. No final do dia, numa coletiva ele negou o desfecho do conflito. Afirmou que a invasão realizada no Irã foi “um sucesso” e que o exército americano destruiu o poderio militar iraniano. Embora afirme que a guerra esteja perto de estar concluída, sem dar uma previsão exata, Trump afirmou também que a ofensiva continuará “até que o inimigo seja total e decisivamente derrotado”.
Entre as declarações de Trump e o sobe e desce do mercado, os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4) também registraram ganhos relevantes. No mesmo período, os papéis ordinárias (PETR3) subiram 1,49%, a R$ 46,46, enquanto os preferenciais (PETR4) avançaram 154%, a R$ 42,76 – no meio do dia, as ações chegaram a subir mais de 4%.
Apesar do movimento positivo, o impacto da alta da commodity tende a ocorrer de forma diferente entre as empresas do setor. Segundo Ricardo França, analista da Ágora Investidores, as petroleiras de menor porte, como Prio, Brava Energia e PetroReconcavo, costumam capturar de forma mais direta a valorização do petróleo no mercado internacional. Já a Petrobras enfrentará o dilema de repassar ou não a alta da commodity ao consumidor em ano de eleição.
“Naturalmente, se os preços do petróleo perdurarem nesses patamares, a estatal vai ter que repassar o preço ao consumidor. Por enquanto, trata-se de um choque de preços. A extensão da guerra irá trazer informações ao mercado até onde o petróleo pode subir e, consequentemente, os benefícios para a empresa”, ressalta França.
Setores que sofrem com a disparada do petróleo
A realidade, por outro lado, tende a ser menos favorável para as empresas ligadas ao varejo. Além de aumentar a volatilidade dos mercados, analistas avaliam que o petróleo sendo negociado acima dos US$ 100 deve elevar a inflação a nível global. Esse movimento também teria impacto sobre a política monetária das principais economias, incluindo a do Brasil. Até o momento, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), dê início ao ciclo de corte de juros no Brasil na próxima semana. A dúvida, no entanto, está na magnitude desse corte.
Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9), a mediana para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 12,00% para 12,13%, movimento também observado nas 40 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis. Para 2027, a projeção seguiu em 10,50% pela 56ª semana consecutiva, enquanto as medianas para 2028 e 2029 permaneceram em 10,00% e 9,50%, respectivamente.
“As ações com elevado grau de alavancagem se prejudicariam com esse cenário, uma vez que a alta do petróleo influencia na alta dos juros e na inflação. São os casos do Grupo Casas Bahia (BHIA3) e Magazine Luiza (MGLU3)“, diz Caio Borges, analista da Eleven Financial.
O mesmo pode acontecer com o setor aéreo. Além da alta do preço do combustível, os conflitos fortalecem o dólar, elevando ainda mais os custos das companhias. Segundo Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, no setor aéreo, o querosene de aviação (QAV) costuma representar entre 30% e 40% da estrutura total de custos.
“No Brasil, porém, essa proporção pode se aproximar ou até ultrapassar esse nível em determinados períodos, especialmente quando o real se desvaloriza. Isso acontece porque o combustível é precificado em dólar, enquanto grande parte das receitas das companhias é gerada em reais”, destaca Corano.
Com informações do Broadcast*