Na leitura do Citi, o trimestre foi misto, com lucro de R$ 3,6 bilhões ficando 6% abaixo das estimativas do banco. O ROE também recuou, de 17,2% no 4T25 para 15,7%, indicando perda de rentabilidade no curto prazo. A instituição destaca que, embora a carteira de crédito tenha crescido 3% na comparação anual, o ritmo segue moderado, com impacto de sazonalidade e câmbio na comparação trimestral.
Ainda assim, o Citi vê pontos de sustentação. A margem financeira com clientes avançou cerca de 5% em um ano, enquanto receitas de tarifas cresceram aproximadamente 6%, puxadas por cartões e seguros. O controle de despesas também aparece como elemento positivo, com alta de apenas 1% anual.
Por outro lado, para a casa, a qualidade dos ativos piorou, com maior formação de inadimplência e menor cobertura, exigindo mais provisões. Segundo o banco, esse conjunto limita a expansão de rentabilidade no curto prazo. A recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 36.
O Banco Safra também adota tom cauteloso e avalia que o lucro ficou em linha com suas projeções, mas cerca de 6% abaixo do consenso do mercado, com ROE próximo de 16%. A instituição chama atenção para a deterioração na qualidade do crédito, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico.
Os indicadores de inadimplência reforçam essa leitura. Os créditos acima de 90 dias chegaram a 4,9% em pessoa física e 6,0% em pequenas e médias empresas.
A inadimplência de curto prazo também avançou, ainda que dentro de um padrão sazonal. Mas analistas destacam como pontos positivos a margem financeira (NII) cerca de 3% acima das estimativas e spreads levemente melhores que o projetado.
O Safra pondera, no entanto, que a trajetória das provisões merece atenção e pode limitar revisões favoráveis para os resultados ao longo do ano. As despesas vieram 4% acima do esperado e as receitas de tarifas ligeiramente abaixo das projeções, reforçando um quadro de pressão. A recomendação também é neutra, com preço-alvo de R$ 41, indicando potencial de valorização relevante, mas condicionado à melhora do cenário.
Santander defende qualidade do lucro enquanto ações refletem cautela do mercado
Na comunicação do banco, o presidente Mario Leão buscou reforçar a qualidade do resultado, destacando avanço no lucro antes de impostos, que cresceu 3,5% no trimestre, e atribuindo a queda do lucro líquido ao maior pagamento de impostos. O executivo reiterou a meta de atingir ROE acima de 20% até 2028 e afirmou que o movimento atual reflete uma estratégia de absorção mais rápida de ativos fiscais diferidos, com liberação de capital para crescimento.
No mercado, a leitura mais cautelosa prevaleceu. Por volta das 11h (de Brasília), as units SANB11 recuavam 0,82% no pregão, enquanto SANB4 caia 0,40% e SANB3 perdia 0,55%. A reação combina lucro abaixo das expectativas, piora na qualidade dos ativos e dúvidas sobre o ritmo de recuperação da rentabilidade.