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Mercado

Ibovespa: fluxo estrangeiro desacelera, mas eleição 2026 ainda está longe de fazer preço na Bolsa; veja quando isso deve acontecer

Para especialistas, guerra no Oriente Médio é preocupação prioritária do mercado e faz de 2026 uma exceção entre os últimos anos eleitorais

Por Marília Almeida

19/05/2026 | 5:30 Atualização: 18/05/2026 | 16:10

Luciano Boudjoukian França, gestor de renda variável da Paramis Avantgarde: movimento eleitoral na Bolsa é incipiente.  (Foto: Paramis/Divulgação)
Luciano Boudjoukian França, gestor de renda variável da Paramis Avantgarde: movimento eleitoral na Bolsa é incipiente. (Foto: Paramis/Divulgação)

O Ibovespa vem oscilando ao sabor de um forte fluxo de investidores estrangeiros em 2026, que arrefeceu na segunda quinzena de abril. A perda de fôlego do mercado pode, então, levar o investidor a pensar que as eleições presidenciais de outubro se tornarão agora um gatilho alternativo para a alta, ou queda, da Bolsa de Valores, mas, segundo especialistas, não há sinal disso no horizonte – nem mesmo quando, no mês passado, houve um período de definição das candidaturas.

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“O Ratinho Júnior (PSD) saiu da corrida e o Ronaldo Caiado (PSD) entrou; o Flávio Bolsonaro (PL) vai mesmo concorrer e o Tarcísio de Freitas (Republicanos) está fora. Mas o mercado não teve nenhum reflexo dessas definições. A popularidade do incumbente também diminuiu, mas o mercado não subiu por conta disso”, diz Marcelo Okura, codiretor de mercados emergentes do UBS-BB.

Luciano Boudjoukian França, gestor de renda variável da gestora Paramis Avantgarde, reforça a visão de que as eleições estão fazendo preço nas ações apenas de forma incipiente. Historicamente, os prêmios de risco eleitorais na Bolsa costumam aparecer 12 meses antes eleição, quando se começa a discutir mais o tema, o que torna esse ano uma exceção.

A disparada do Ibovespa dos 120 mil para o patamar atual – aos 187.690,86 pontos – está pouco relacionado às eleições 2026, reforça o especialista no mercado financeiro Henrique Esteter. “Vimos o mercado reagir em relação à perspectiva de mudança de governo apenas em momentos pontuais, mais em dias de pesquisas e anúncios importantes, foi o fluxo do investidor lá de fora que fez o Ibovespa atingir essa performance.”

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Estrangeiro e eleição apertada influenciam movimento

O executivo do UBS-BB aponta que o fato de o fluxo de investidores estrangeiros, que é menos preocupado com os resultados do pleito, representar hoje 60% do total na Bolsa, é um dos fatores que diminuem a volatilidade eleitoral. Essa característica, avalia, poderá fazer com que a Bolsa doméstica tenha menos sobe e desce esse ano se comparado a eleições passadas, quando estrangeiros correspondiam a 40% do fluxo total.

Diferente do investidor local, o estrangeiro tem uma visão mais pragmática sobre o pleito, explica Okura. Enquanto o mercado prefere um candidato de centro direita com uma agenda mais pragmática em relação à situação fiscal do País, o investidor gringo não acha tão bom um candidato de centro direita ganhar nem tão ruim se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhar. “A visão dele é: ou pode melhorar um pouco ou continuar igual.”

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Colabora também para esse cenário de menor volatilidade a perspectiva de que o pleito será apertado. “Como alguém vai tomar risco de um lado para outro? É como cara e coroa”, conclui Okura. Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, Flávio Bolsonaro tem 42% das intenções de voto contra 40% de Lula no segundo turno, o que caracteriza empate técnico.

Além disso, o mercado financeiro tem muitos outros gatilhos atualmente. Hoje, a maior preocupação está na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e quando o conflito deve acabar, já que provoca um choque no petróleo e, consequentemente, mexe com inflação e juros. “As eleições estão em segundo plano neste momento”, conclui Okura.

Segundo semestre vai concentrar volatilidade

A perspectiva é que o pleito só comece a fazer mais preço na Bolsa a partir de agosto e setembro, a não ser que haja algum fato politico que mude muito o cenário, como uma denúncia, diz Okura.

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França concorda com esta visão. “É quando conheceremos mais sobre a política fiscal de cada candidato. Podemos ver um impacto construtivo no mercado financeiro com o avanço da candidatura mais austera ou um posicionamento mais austero do presidente Lula sobre o tema.”

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Em agosto, quando começa, de fato, a campanha eleitoral, haverá anúncios de alianças e equipes econômicas. Esse período dará aos analistas maior capacidade de interpretar o cenário eleitoral com dados e pesquisas. “Tudo isso começará a se traduzir em movimentação de mensagem”, diz Esteter.

Já no pós eleição, os preços das ações podem sofrer maior impacto caso o pleito continue indefinido, especialmente nos dias seguintes aos resultados, ressaltam os analistas.

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