Carteira Top 5 do Itaú lidera ranking de abril, enquanto Ibovespa fica no zero a zero em mês de forte volatilidade. (Imagem: Adobe Stock)
Em mês marcado por grande volatilidade do petróleo, tensões geopolíticas no Oriente Médio e intensa entrada de fluxo estrangeiro no Brasil, o Ibovespa encerrou abril com leve recuo de 0,08%, de 187.461,84 pontos no final de março para 187.317,64 pontos em 30 de abril. Ao se aproximar dos 200 mil pontos, o índice caiu e agora se concentra em retomar para o patamar acima dos 190 mil pontos.
Na avaliação do CEO da Grana Capital, André Kelmanson, um dos principais mandatórios da queda do Ibovespa foi o preço do petróleo, que permaneceu elevado nos mercados internacionais, ao passo que no Brasil a Selic (taxa básica de juros) ainda se manteve em patamares expressivos para controlar a inflação.
“A bolsa ficou praticamente no zero a zero, mas a volatilidade foi intensa ao longo de todo o mês de abril”, disse.
Em março, o principal índice da B3 entrou renovando recordes mas encerrou sob pressão. Após encostar nos 192 mil pontos no início do mês, o índice perdeu fôlego com a volta da aversão a risco global em meio ao conflito entre EUA e Irã e fechou março em queda de 0,70%, interrompendo uma sequência de sete meses de alta.
Apesar da queda em abril, apenas duas carteiras superaram o desempenho do Ibovespa no mês: a carteira Top 5 do Itaú (+2,76%), impulsionada pela disparada anual de 10,35% da Eneva (ENEV3), e o portfólio 10SIM, do BTG Pactual (+0,36%), segundo o levantamento da Grana Capital.
Na primeira posição, a carteira Top 5 era formada pelos papéis da Axia (AXIA3), Aura Minerals (AURA33), B3 (B3SA3) e Petrobras (PETR4). Enquanto, na vice-liderança, o portfólio 10SIM do BTG Pactual era composto por: Petrobras (PETR4), Itaú (ITUB4), Nubank (ROXO34), Axia (AXIA3), Embraer (EMBJ3), Localiza (RENT3), Eneva (ENEV3), Motiva (MOTV3), Allos (ALOS3) e Cury (CURY3).
Veja ranking mensal com simulação de um aporte de R$ 100 mil:
Carteiras
Valor (R$)
Em %
Itaú Top 5
R$ 102.759,54
2,76%
BTG 10SIM
R$ 100.362,50
0,36%
Ibovespa
–
-0,08%
XP Top Ações
R$ 98.764,22
-1,24%
BB Fundamentalista
R$ 98.764,22
-1,24%
Genial Ibovespa 10+
R$ 98.580,50
-1,42%
Santander Ibovespa+
R$ 98.217,83
-1,78%
Ágora Top 10
R$ 98.142,52
-1,86%
Planner
R$ 97.741,33
-2,26%
Fonte: Grana Capital
Na ponta negativa da tabela, a carteira da Planner Corretora registrou queda de 2,26% em abril. O conjunto de ações foi impactado principalmente pela queda da Totvs (-8,82%), Petro Recôncavo (-7,63%), Telefônica Vivo (-4,80%) e Direcional (-3,38%).
Ranking das corretoras em abril de 2026
O levantamento listou as carteiras das principais corretoras de varejo conforme informações da B3, do ranking de instituições financeiras do Tesouro Direto, e da base de dados da Grana Capital. As corretoras Caixa, Clear, Inter, Nubank, Rico e Safra não divulgaram carteiras publicamente ao mercado e ficaram fora do ranking para esse mês.
A coleta das carteiras recomendadas no início de cada mês acompanha o desempenho dos mesmos papéis até o último dia útil do período, considerando apenas a variação dos preços, sem incorporar dividendos ou juros sobre capital próprio.
A seleção mensal contou com a Ágora Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Genial, Itaú, Santander, Planner e XP Investimentos.
Corretoras
Jan
Fev
Mar
Abr
Em 2026
Itaú
9,20%
3,70%
1,40%
3,10%
18,40%
Ibovespa
12,99%
4,09%
-0,70%
-0,08%
16,26%
XP
12,30%
2,70%
0,60%
-0,60%
15,30%
BB
12,72%
3,00%
-0,77%
-0,88%
14,19%
Planner
8,89%
7,91%
-1,97%
-0,90%
14,15%
BTG Pactual
9,70%
2,80%
-1,00%
0,70%
12,40%
Santander
13,20%
0,50%
-1,14%
-1,95%
10,79%
Genial
12,99%
1,72%
-8,09%
1,64%
7,58%
Fonte: B3, Tesouro Direto e Grana Capital
O que esperar para maio
Segundo analistas, o Ibovespa ainda deve seguir condicionado a evolução do cenário entre Estados Unidos e Irã, e exige atenção ao fluxo estrangeiro, que tem migrado para o mercado americano. Enquanto esse capital externo ingressar, a bolsa brasileira pode buscar os 200 mil pontos. Contudo, sem compradores domésticos estruturais, o índice fica vulnerável a quedas caso o fluxo caia. Nesse contexto, um eventual acordo seria decisivo para reduzir a aversão ao risco e atrair novos investimentos para o Brasil.
“Com uma possível melhora no cenário geopolítico, a pressão inflacionária global tende a diminuir, o que seria positivo para os ativos de risco. Apesar de resultados consistentes em setores como commodities, bancos e energia elétrica, isso ainda não foi suficiente para mudar o direcionamento do mercado, que segue mais cauteloso e concentrado em setores defensivos, especialmente ligados a dividendos”, afirma Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.
Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, complementa dizendo que o Ibovespa próximo de 200 mil pontos seria um patamar psicologicamente relevante. “A ultrapassagem, caso ocorra, dependerá de catalisadores específicos, como a resolução mais concreta do conflito no Oriente Médio, continuidade do fluxo externo e resultados do 1T26. O foco segue sendo “comprar qualidade dentro do Brasil”, com proteção via commodities e dólar no portfólio”, afirma.