O mercado acompanhou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando o grupo reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual para 14,5% ao ano. Na ata, o Copom destacou que os passos futuros do processo de calibração dos juros podem incorporar novas informações sobre os impactos dos conflitos no Oriente Médio na inflação.
O Comitê também voltou a reforçar “serenidade” e “cautela” na condução da política monetária, termos já citados no comunicado da decisão. Após a divulgação da ata, os contratos de apostas para o Copom ganharam liquidez, aumentando aqueles que indicam a manutenção da taxa Selic na próxima reunião, mas a aposta majoritária ainda é de um novo corte de 0,25 ponto percentual, como mostramos nesta matéria.
Na avaliação de Jaqueline Neo, especialista em câmbio e crédito da be.smart, a ata reforçou uma postura mais prudente do Banco Central, diante da piora nas expectativas de inflação e de um ambiente externo mais adverso. A ausência de sinalização clara sobre o ritmo futuro da política monetária reduz a previsibilidade e aumenta a sensibilidade do câmbio a choques. “Apesar disso, o real ainda encontra algum suporte no diferencial de juros elevado e em fundamentos externos relativamente favoráveis”, diz.
O diferencial de juros do Brasil em relação a outros países impulsiona a entrada de dinheiro estrangeiro por aqui e contribui para a valorização do real em relação a moedas como o euro e o dólar. Esse movimento é conhecido como carry trade e permite ao investidor lucrar com a diferença entre as taxas de juros de diferentes países.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a valorização do real nesta terça-feira foi puxada pela combinação de entrada de recursos comerciais e fluxo financeiro. “A ata do Copom, com tom mais conservador, reforçou a percepção de uma Selic mais alta ao fim do ciclo, sustentando o carry trade e incentivando a alocação em renda fixa local”, afirma.