B3 registrou receita recorde no 1T26, com forte avanço do volume negociado no mercado à vista. (Foto: Adobe Stock)
A B3 (B3SA3) divulgou um balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26) carregado de resiliência operacional, mesmo em meio à pressão sobre algumas linhas do negócio. Tanto o Citi quanto o Banco Safra avaliaram os números como sólidos, embora com leituras diferentes sobre o potencial de valorização das ações daqui para frente.
O Citi tem recomendaçãode comprapara a B3, com preço-alvo de R$ 23,00 – potencial de alta de 29,4% ante o fechamento do papel no pregão de ontem (7). Já o Safra classifica a ação com desempenho superior e também crava um preço-alvo de R$ 23,00.
“Após a recente reavaliação, mantemos uma visão construtiva sobre os fundamentos, mas reconhecemos uma relação risco-retorno menos favorável nos níveis atuais”, destacou o Safra.
A B3 entregou um primeiro trimestre forte em termos de atividade de mercado, com receita recorde impulsionada por iniciativas recentes que seguem surpreendendo positivamente. O Citi destacou que olucro líquido recorrente alcançou R$ 1,502 bilhão, alta de 33% na comparação anual e 6% acima de suas estimativas.
Os analistas da casa afirmam que as receitas vieram praticamente em linha com o esperado, avançando 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi beneficiado principalmente pela forte atividade do mercado de ações, com o volume médio diário negociado no mercado à vista atingindo R$ 34,8 bilhões, crescimento de 46% na base anual.
Apesar disso, o Citi pondera que houve pressão na margem de negociação de ações, que caiu 6% em relação ao ano anterior. Parte dessa pressão, porém, foi compensada pelo avanço das receitas ligadas a soluções para o mercado de capitais, tecnologia e plataformas.
Trimestre sem surpresas apesar da compressão na margem
O Banco Safra classificou o trimestre como “sem surpresas”, embora tenha destacado uma superação das expectativas em operações cambiais e nos resultados financeiros. O banco ressaltou que o lucro líquido recorrente ficou 3% acima de suas projeções:
“O resultado acima do esperado foi explicado pelo câmbio e pelos resultados financeiros, mas observamos números operacionais sólidos e tendências positivas na receita, principalmente em ações e derivativos”, afirmou o Safra.
Ainda assim, o banco vê como ponto negativo a contração de 0,189 ponto-base na margem de ações, reflexo dos descontos concedidos por volume negociado. Essa compressão de margem aparece como um dos principais sinais de atenção para investidores, apesar do crescimento operacional robusto.
Qual o colchão da B3?
Do lado das despesas, o Citi observou que os custos ajustados (excluindo aqueles ligados diretamente à receita) avançaram 6% na comparação anual. Mesmo assim, o banco avalia que a diversificação da B3 continua funcionando como um amortecedor importante para o negócio.
Embora a receita com ações tenha sido forte, os demais segmentos ainda responderam por 77% da receita total da companhia, contra 81% no primeiro trimestre de 2025. O Citi destacou ainda que todas as linhas de receita cresceram pelo menos 15% ano contra ano, acima da alta de 11% das despesas totais.
Outro fator que ajudou o resultado foi a carga tributária menor do que a prevista. O Citi calcula que a alíquota efetiva ficou em 28%, abaixo dos 34% estimados anteriormente, além de um desempenho financeiro ligeiramente melhor do que o esperado. Com isso, o lucro antes dos impostos cresceu 31% na comparação anual e 13% frente ao trimestre anterior.
Lucro deve passar dos R$ 6,2 bi até o fim do ano
O Safra lembra que suas projeções mais recentes apontam para lucro líquido de aproximadamente R$ 6,5 bilhões em 2026, acima do consenso de mercado, em torno de R$ 6,2 bilhões. Para o banco, isso sugere que o mercado financeiro já precifica, em grande medida, o atual ritmo operacional da companhia.
A B3 (B3SA3) mostra sua capacidade de diversificar receitas mesmo diante de pressões pontuais nas margens. Ao mesmo tempo, o mercado agora analisa quanto desse desempenho no 1T26 ainda pode se traduzir em valorização adicional das ações.
*Com colaboração da repórter Beth Moreira, do Broadcast