Conhecida como a incorporadora dos ricos e dos ultra-ricos, a JHSF atrai a atenção de pessoas físicas para suas ações. (Imagem: JHSF via jhsf.com.br)
A JHSF(JHSF3) – dona do Cidade Jardim, Fasano, Fazenda Boa Vista e outros negócios de luxo – registrou lucro líquido consolidado de R$ 371,6 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), alta de 9,3% ante igual período de 2025. A receita líquida alcançou R$ 537,7 milhõe, avanço de 33,3% na mesma base de comparação.
Esse crescimento veio do aumento da receita com a venda recente de todo o estoque de imóveis e do avanço nos negócios de shoppings, hotéis, clubes, residências e aeroporto. Além disso, a companhia se beneficiou de uma despesa líquida menor com juros e impostos no período.
“Este foi o melhor começo de ano da história da JHSF. Tanto os indicadores operacionais quanto financeiros foram muito fortes”, afirmou o presidente da companhia, Augusto Martins. “Isso é reflexo da nossa estratégia acertada e da disciplina na execução dos projetos”.
O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 250,6 milhões, expansão de 26,7% na mesma base de comparação anual, com margem de 46,6%, recuo de 2,4 pontos porcentuais (p.p.) em relação a um ano antes.
O critério “ajustado” exclui o efeito da variação no valor contábil das Propriedades para Investimento (PPIs), que não influencia diretamente o caixa. As PPIs geraram ganho contábil de R$ 277,6 milhões.
As despesas operacionais consolidadas somaram R$ 113,3 milhões, alta de 36,8%. As despesas comerciais subiram 15,1% devido ao aumento de gastos com publicidade, propaganda e eventos. As despesas gerais e administrativas cresceram 18,2%, associadas ao aumento no conjunto de empreendimentos do grupo, com as inaugurações recentes do Fasano Tennis Club e do São Paulo Surf Club.
O resultado financeiro gerou uma despesa líquida de R$ 83,0 milhões, 2,5% menor que no 1T25, com aumento das receitas financeiras provenientes de aplicações do caixa.
O destaque positivo ficou com a linha de Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 37,1 milhões, redução de 75%, explicada pela queda dos impostos diferidos, sem efeito caixa, proveniente das apreciações das PPIs.
O caixa líquido foi de R$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre de 2026, recuo de 19,8% ante o quarto trimestre de 2025.
Nas suas principais linhas de negócios, o maior crescimento ocorreu em Clubes e Residências, em que o Ebitda ajustado chegou a R$ 58,5 milhões no primeiro trimestre, alta de 27,5% na comparação anual. O segmento já representa um quarto do Ebitda consolidado. Aqui a JHSF ganha com a venda de memberships (associados) e mensalidade dos clubes, o que turbinou a receita.
A empresa também faz a locação de casas nos seus resorts. Ao todo, são 128 imóveis, dos quais 56 estão em fase de reforma e ficarão prontos neste ano. “Hoje temos fila de espera para hospedagem”, comenta o presidente do grupo.
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No segmento de shoppings, o Ebitda ajustado foi de R$ 59,1 milhões, alta de 21,4%. As vendas dos shoppings da JHSF foram de R$ 1,025 bilhão no primeiro trimestre, alta de 8,4%. As vendas nas mesmas lojas (abertas há mais de um ano) subiram 9,1%, e os aluguéis mesmas lojas avançaram 11,5%. A ocupação dos empreendimentos foi de 98,8%.
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No Aeroporto Catarina, localizado no km 62 da Rodovia Castello Branco, em São Paulo, o Ebitda ajustado atingiu R$ 37,7 milhões, alta de 15,2%. O número de movimentos de aeronaves aumentou 18,3%, e o volume de litros abastecidos cresceu 19,8%. O aeroporto tem 16 hangares em uso e outros três em construção.
No setor de Hospitalidade e Gastronomia, o Ebitda ajustado foi de R$ 17,7 milhões, queda de 12%. A diária média na rede Fasano foi de R$ 5.038, aumento de 6,3%, enquanto a receita média por quarto disponível (ReVPar) atingiu R$ 2.825, crescimento de 9%. A taxa de ocupação foi de 56,1%, subida de 1,4 p.p..
Diversificação é chave na JHSF
O presidente da JHSF ressaltou que a diversificação dos negócios ajuda a distribuir os riscos do grupo e consolidar sua atuação dentro de um conjunto de atrações voltadas ao público de alta renda. “Do ponto de vista comercial, o bom desempenho das operações é reflexo da percepção positiva dos clientes e da sua experiência dentro do nosso ecossistema”, disse.
Dentro desse movimento de diversificação, a companhia anunciou recentemente os planos de abrir um Fasano em Milão, a aquisição do complexo Enjoy Punta del Este, no Uruguai e a compra da Embassair, de logística aeroportuária nos EUA.