Tesouro Reserva estreou em março e ampliou rol de títulos do Tesouro Direto. Foto: Adobe Stock
O Tesouro Reserva estreou oficialmente em maio. O mais novo título do Tesouro Direto tem rendimento atrelado à Selic, não sofre com marcação a mercado e negocia com liquidez 24/7 – a qualquer hora, em todos os dias da semana. O título amplia as opções para quem busca entender qual investimento faz mais sentido para cada objetivo.
O produto lançado recentemente inicialmente está disponível para a base de 80 milhões de correntistas do Banco do Brasil (BBAS3), parceiro no projeto. Outras instituições estão em fase de testes e devem ofertar o papel em breve.
O Tesouro Reserva aceitará aportes a partir de R$ 1, valor mais acessível do que outros títulos do Tesouro, que podem demandar investimentos mínimos acima de R$ 189. Todo resgate no novo papel também precisa ser de pelo menos R$ 1. Existe ainda um limite máximo de aplicação de R$ 500 mil por mês.
O título tem vencimento de dez anos. Em termos de tributação, o Imposto de Renda (IR) segue a tabela regressiva, que varia de 22,5% a 15% conforme o tempo de investimento. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), por sua vez, só incide se o resgate ocorrer nos primeiros 30 dias.
Assim como acontece com o Tesouro Selic, o Tesouro Reserva tem isenção da taxa de custódia da B3 para valores de até R$ 10 mil investidos. Acima disso, a taxa aplicada é de 0,2% ao ano.
Tesouro Reserva deve disputar espaço com “caixinhas” e poupança
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, explica que o Tesouro Reserva está voltado à reserva de emergência. “A vantagem de funcionar 24 horas e todos dias, com aplicação acessível, a partir de R$ 1, vem para desbancar a poupança e as caixinhas”, diz.
Já a poupança tem retorno menor do que o do Tesouro Reserva. A caderneta oferece rentabilidade de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais o pagamento da Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central (BC), quando a taxa de juros está acima de 8,5% ao ano, como ocorre agora.
Tesouro Reserva versus Tesouro Selic: as principais diferenças
O Tesouro Reserva e o Tesouro Selic têm finalidades similares, direcionadas para a construção da reserva de emergência – dinheiro que precisa estar sempre disponível, seja para uma questão médica ou para um imprevisto, como um problema com o carro.
Segundo Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, as principais diferenças estão no horário de negociação e na marcação a mercado. Enquanto o Tesouro Reserva opera 24/7, as aplicações e os resgates no Tesouro Selic podem ser feitos em dias úteis, das 9h30 às 18h, com os preços e taxas definidos no momento da transação.
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O Tesouro Selic sofre com os efeitos da marcação a mercado – ou seja, o rendimento pode oscilar conforme o movimento da curva de juros. O impacto, no entanto, é menor do que o percebido nos títulos prefixados ou indexados à inflação. No Tesouro Reserva, essa variação não existe. Em contrapartida, o título oferece uma rentabilidade inferior à do Tesouro Selic, que paga a taxa Selic acrescida de um rendimento adicional, atualmente de 0,0816% ao ano.
“Apesar das diferenças, os dois títulos servem ao mesmo propósito: controlar o risco da carteira do investidor. É onde ele deve investir aquele dinheiro que não pode perder de jeito nenhum”, destaca Marília Fontes.
O guia do Tesouro Direto
No Tesouro Direto, há opções para diferentes perfis e objetivos financeiros. Na própria plataforma do programa, o investidor pode simular as melhores alternativas para cada meta. “Não existe título perfeito, existe o título certo para o momento certo”, diz Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos
Tesouro IPCA+
Para Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, a principal vantagem do Tesouro IPCA+ é oferecer o ganho real – valor conquistado acima da inflação. Atualmente, esse retorno está historicamente elevado, no nível de 7,73% para o título com vencimento em 2032.
Por outro lado, o risco está na marcação a mercado. Se o investidor precisar vender antecipadamente o Tesouro IPCA+, ele pode ter um prejuízo. “O risco é travar uma taxa agora, de IPCA + 7%, por exemplo, e a curva de juros abrir, com títulos passando a oferecer IPCA + 8% ou IPCA + 9%”, explica Almeida.
Tesouro Prefixado
A principal vantagem aqui está na previsibilidade: o investidor sabe exatamente quanto vai receber se carregar o título até o vencimento. Mas o Tesouro Prefixado também sofre com a marcação a mercado. Em caso de venda antecipada, o investidor pode ter perdas caso os juros subam, mas também pode obter ganhos se a curva de juros fechar.
Outra desvantagem seria uma eventual surpresa inflacionária. “Se a inflação estiver mais elevada, isso corrói o poder de compra da rentabilidade entregue pelo prefixado, travada no ato da contratação”, afirma Almeida.
Tesouro Renda+
Criado em 2023, o Renda+ tem duas fases. Na primeira, o investidor faz os aportes no título. Na segunda, ele começa a receber de volta o montante aplicado ao longo dos anos, acrescido dos juros e corrigido pela inflação. Todo o valor é pago ao longo de vinte anos, em 240 parcelas mensais.
A taxa de custódia fica isenta para quem mantiver os títulos até o vencimento. O pagamento só acontece em duas situações: quando os títulos são vendidos antes do prazo ou, no momento da conversão em renda, se o valor das parcelas mensais superar seis salários mínimos. Nesse caso, incide uma taxa de 0,1% ao ano apenas sobre o que exceder esse limite.
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Caso o investidor decida resgatar a aplicação antes da data de vencimento, a taxa de custódia sobre o valor escolhido será regressiva:
O risco é a falta de flexibilidade. “Se acontecer um imprevisto muito grande e o investidor precisar sacar todo o valor acumulado de uma vez, antes do vencimento, vai sofrer com a mesma oscilação de preços do Tesouro IPCA+”, diz o planejador.
Tesouro Educa+
O Tesouro Educa+ funciona de forma parecida com o Renda+, mas é direcionado ao planejamento financeiro para o ensino superior. O Educa+ tem um período de cinco anos de pagamentos mensais após o período de acumulação, enquanto o Renda+ tem vinte anos de pagamentos mensais. Além disso, os vencimentos do Educa+ são mais curtos.
A taxa de custódia da B3 fica isenta para investidores que não realizarem resgates antecipados. Essa isenção vale para todos os valores de renda mensal de até quatro salários mínimos. Valores que ultrapassam os quatro salários mínimos pagam taxa de custódia de 0,10% ao ano, mas somente sobre o que exceder esse teto.
Em caso de resgate antes do vencimento, a taxa será regressiva sobre o valor resgatado:
Resgate de 0 a 7 anos: 0,5% ao ano;
Resgate de 7 a 14 anos: 0,2% ao ano;
Acima de 14 anos: 0,10% ao ano.
Segundo Patzlaff, o Tesouro Educa+ trava a alta do custo da educação e preserva o poder de compra para os estudos. O risco está na mudança de planos: o jovem pode decidir não ir para a faculdade, ganhar uma bolsa integral ou abrir um negócio, por exemplo. “Ele ainda vai receber o dinheiro parcelado por cinco anos ou terá que sacar tudo de uma vez, assumindo o risco da oscilação do mercado no dia do resgate”, diz.