O evento contou com mais de 135 empresas latino-americanas e mais de 500 investidores. Segundo o Itaú BBA, a maioria das companhias participantes foi representada por executivos do alto escalão. Em relatório, os analistas Daniel Sasson, Edgard Pinto de Souza, Marcelo Furlan Palhares e João Paulo Helito destacaram alguns pontos das reuniões com a Vale, a Gerdau (GGBR4), a Suzano (SUZB3) e a Cemex.
No caso da Vale, o banco aponta que os preços do minério de ferro estão cada vez mais sustentados por uma inflação estrutural de custos na indústria de cerca de US$ 10 por tonelada, enquanto a Vale estaria capturando melhora de margem, com aumento de custos de aproximadamente US$ 3 por tonelada.
O banco também pontua que a estratégia em metais básicos está centrada em disciplina de custos no níquel e crescimento de cobre de cerca de 350 mil toneladas por ano, descrito como “totalmente autofinanciado”.
Sobre a Gerdau, o Itaú BBA afirma que as operações nos Estados Unidos estão em “excelente forma”, com carteira de pedidos recorde de 105 dias, margens fortes e um mix mais rico. O banco cita ainda uma vantagem estrutural de custo de sucata e a expansão de Midlothian como fatores que sustentam crescimento.
No Brasil, os analistas afirmam que uma inflexão de margens está se aproximando, impulsionada por mineração, que, segundo eles, contribui com cerca de US$ 200 milhões para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado, além de preços e medidas antidumping (prática comercial predatória de venda de produtos abaixo do custo para eliminar concorrentes).
Em relação à Suzano, o Itaú BBA destaca que a diferença entre o preço de compra e o preço de venda (spread) entre celulose de fibra curta e longa indica mais potencial para aumentos de preços na Europa e nos Estados Unidos do que na China. O banco diz ainda que a administração segue focada em desalavancar a companhia, com apoio de vendas direcionadas de pequenas ativos não centrais.
No lado operacional, a Suzano se prepara para integrar a joint venture com a KC e se diz confiante em capturar US$ 175 milhões em sinergias com o negócio. O Itaú BBA também destaca que o avanço de acordos de desverticalização na Europa e nos EUA é visto como estrategicamente importante para reduzir a exposição à China e estabilizar preços.
Já em Cemex, o banco observa que a transformação em curso de vários anos prioriza exposição aos EUA e crescimento em agregados, com o Projeto inovador (Cutting Edge) impulsionando o aumento do Ebitda. O Itaú BBA acrescenta que a companhia mantém uma estratégia estrita de alocação de capital focada em grau de investimento BBB, com prioridade para retornos aos acionistas e resiliência do fluxo de caixa livre.